1899–1981

Pastor · Expositor bíblico

D. M. Lloyd-Jones

Resumo
Pastor galês e ex-médico que se tornou um dos maiores pregadores expositivos do século 20. À frente da Westminster Chapel, em Londres, por quase três décadas, resgatou o padrão da pregação bíblica sistemática, capítulo a capítulo, e influenciou gerações de pastores reformados.
Quem foi
Biografia

Poucos pregadores chegaram ao púlpito por um caminho tão improvável quanto David Martyn Lloyd-Jones. Nascido em Cardiff, no País de Gales, em 1899, ele parecia destinado a uma carreira médica brilhante em Londres, como assistente do médico do rei, e não a uma vida inteira dedicada a sermões.

Entre 1923 e 1924, ainda jovem médico de prestígio, viveu uma conversão pessoal que mudou seus planos por completo. Observando pacientes curados no corpo mas perdidos por dentro, concluiu que a enfermidade mais séria daquelas vidas era espiritual, não física, e que só o evangelho tratava disso.

Em 1927 deixou a medicina, casou-se com Bethan Phillips e assumiu um pequeno pastorado em Sandfields, Aberavon, no País de Gales, entre operários da siderúrgica local. Onze anos depois, mudou-se para a Westminster Chapel, em Londres, onde pregaria por quase três décadas seguidas.

Ali, Lloyd-Jones resgatou um estilo de pregação que parecia em extinção: sermões longos, expostos capítulo a capítulo, sem concessões ao entretenimento popular que dominava outros púlpitos. Multidões passavam anos ouvindo a mesma carta bíblica sendo explicada, versículo após versículo, num só fôlego semanal.

Sua exposição de Romanos, pregada às sextas-feiras entre 1955 e 1968, somou 366 sermões sobre uma única carta, a série mais longa e detalhada de toda a sua vida pastoral. Efésios recebeu tratamento semelhante nos domingos, entre 1954 e 1962, mais tarde publicado em oito volumes que se tornaram referência.

Em 1966, um discurso público pedindo aos evangélicos que deixassem denominações teologicamente liberais o colocou em rota de colisão com John Stott, que discordou dele publicamente no mesmo palco. O episódio dividiu o evangelicalismo britânico por décadas, é apontado por muitos historiadores como um erro de julgamento que fragmentou alianças que vinham sendo construídas, e ainda hoje é lembrado com pesar.

Como conselheiro próximo do recém-fundado Banner of Truth Trust, ajudou a devolver ao leitor evangélico obras puritanas esquecidas havia séculos. Aposentou-se da Westminster Chapel em 1968, logo após uma cirurgia, mas seguiu escrevendo e revisando sermões para publicação até o fim da vida.

Morreu em Ealing, Londres, em 1981, no Dia de São David. Hoje, milhares de suas pregações gravadas continuam formando pastores que aprenderam com ele que expor a Bíblia com seriedade e paixão ainda é a tarefa central de qualquer púlpito, em qualquer nação.

“O que é pregação? Lógica em chamas! Razão eloquente.”
D. M. Lloyd-Jones · Pregação e pregadores (Preaching and Preachers), 1971
Linha do tempo
1899

Nascimento em Cardiff

Nasce em 20 de dezembro, no País de Gales, filho de um comerciante.

1923

Assistente clínico do médico do rei

Torna-se assistente clínico de Sir Thomas Horder, médico da família real britânica.

1923-1924

Conversão pessoal

Vive uma transformação espiritual que muda o rumo de sua vida profissional.

1927

Deixa a medicina para pastorear

Casa-se com Bethan Phillips e assume a igreja Bethlehem, em Sandfields, Aberavon.

1938

Associado na Westminster Chapel

Muda-se para Londres para servir ao lado de G. Campbell Morgan.

1943

Torna-se único pastor da Westminster Chapel

Assume sozinho o púlpito após a aposentadoria de Morgan.

1957

Conselheiro do Banner of Truth Trust

Passa a assessorar de perto a nova editora reformada fundada naquele ano.

1966

Discurso sobre unidade evangélica

Defende publicamente a separação de denominações liberais, em desacordo com John Stott, num episódio que fraturou o evangelicalismo britânico.

1968

Aposentadoria e morte, em 1981

Deixa a Westminster Chapel após cirurgia; morre em Ealing, Londres, em 1º de março de 1981.

Obras e marcos

Exposição de Romanos

1955-1968

Série de 366 sermões pregados na Westminster Chapel entre 1955 e 1968, mais tarde publicada em vários volumes e considerada sua obra expositiva mais extensa.

Exposição de Efésios

1954-1962

Pregações dominicais sobre a carta aos efésios, reunidas depois em oito volumes que se tornaram referência de exposição bíblica.

Estudos sobre o Sermão do Monte

1959-1960

Coletânea de sermões publicados que tornou conhecida sua abordagem de pregação expositiva, versículo a versículo.

Depressão espiritual: causas e cura

1965

Série de sermões baseados em Salmos 42-43 que se tornou um dos livros mais lidos sobre luta espiritual e desânimo na vida cristã.

Pregação e pregadores

1971

Conjunto de palestras sobre homilética, publicado como manual de formação para pregadores de várias tradições.

Conselheiro do Banner of Truth Trust

1957

Assessorou de perto a editora reformada fundada em 1957, ajudando a escolher os títulos que reintroduziram os puritanos ao público evangélico.

Contribuições
1

Renovação da pregação expositiva

Resgatou o padrão de pregar capítulo a capítulo, versículo a versículo, numa época em que sermões breves e temáticos dominavam os púlpitos britânicos.

2

Reavivamento do interesse pelos puritanos

Como conselheiro próximo do Banner of Truth Trust, ajudou a devolver ao público evangélico obras puritanas então esquecidas havia séculos.

3

Formação de uma geração de pregadores

Suas palestras sobre homilética, reunidas em Pregação e pregadores, tornaram-se referência para pastores de várias tradições reformadas e evangélicas.

4

Debate sobre unidade evangélica

O confronto público de 1966 com John Stott, sobre permanecer ou não em denominações teologicamente liberais, dividiu o evangelicalismo britânico por décadas e expõe os limites de sua visão separatista.

Legado missionário

Sua ênfase na pregação expositiva influenciou pastores e missionários que hoje levam a mesma prática de exposição bíblica sistemática a igrejas plantadas fora do Ocidente.

Como presidente da Inter-Varsity Fellowship of Students, o movimento estudantil britânico, e primeiro presidente da recém-formada Comunhão Internacional de Estudantes Evangélicos (IFES), constituída em 1947, apoiou o trabalho entre universitários que hoje alcança mais de 150 países.

O acervo de milhares de sermões gravados, hoje mantido pelo MLJ Trust, continua formando pregadores e missionários em diferentes continentes.

Sua defesa dos escritos puritanos, via Banner of Truth, alimentou um movimento de literatura reformada que hoje sustenta seminários e igrejas em contextos missionários do Sul global.

Outras pessoas