1926–2015

Missionária · Escritora

Elisabeth Elliot

Resumo
Missionária e escritora norte-americana. Depois que o marido, Jim Elliot, foi morto por guerreiros huaorani no Equador em 1956, ela voltou à selva para viver entre eles e anunciar o evangelho, tornando-se uma das vozes mais lidas do cristianismo evangélico do século 20.
Quem foi
Biografia

Poucas histórias de missões guardam uma reviravolta tão difícil de aceitar quanto a de Elisabeth Elliot. Ela perdeu o marido para as lanças de um povo que mal conhecia e, anos depois, escolheu morar ao lado desse mesmo povo. Sua vida convida a perguntar o que fazer quando a dor parece contradizer o chamado.

Nascida em Bruxelas, na Bélgica, em 21 de dezembro de 1926, filha de missionários, Elisabeth Howard estudou grego clássico na Wheaton College, decidida a um dia traduzir as Escrituras para povos sem Bíblia. Formada em 1948, treinou-se em linguística e foi ao Equador trabalhar entre os índios colorado e quíchua.

Em Quito, casou-se com o missionário Jim Elliot em 8 de outubro de 1953. Em janeiro de 1956, Jim e quatro companheiros foram mortos a lança por guerreiros huaorani, quando tentavam o primeiro contato pacífico com o povo, episódio que ficou conhecido como Operação Auca.

Em outubro de 1958, Elisabeth entrou na aldeia huaorani com a filha pequena, Valerie, e a missionária Rachel Saint, irmã de outra vítima. Aprenderam a língua e viram muitos se converterem, mas divergências de método e de convicção com Rachel a levaram a deixar o trabalho conjunto em 1961.

Contou a história do marido e dos companheiros em Through Gates of Splendor (1957) e Shadow of the Almighty (1958), livros que se tornaram best-sellers e abriram sua carreira de escritora. Voltou aos Estados Unidos em 1963 e, ao longo de cinco décadas, publicou mais de duas dezenas de obras.

Casou-se novamente em 1969, com o professor Addison Leitch, e ficou viúva com a morte dele em 1973. Em 1977 casou-se pela terceira vez, com Lars Gren. Biógrafas recentes, como Lucy S. R. Austen e Ellen Vaughn, documentam que esse foi o casamento mais difícil dos três: Gren controlava aspectos do dia a dia de Elisabeth e, já na fase avançada da demência dela, chegou a colocá-la ao lado do palco em palestras enquanto tocava gravações de falas antigas suas; as mesmas biógrafas registram que ele destruiu parte dos diários que ela escreveu ao longo do casamento. Seus ensinos sobre papéis de gênero, em Passion and Purity e Let Me Be a Woman, embora muito influentes, geraram debate dentro do próprio evangelicalismo.

Entre 1988 e 2001, apresentou o programa diário de rádio Gateway to Joy, levando ensino bíblico e aconselhamento prático a um público nacional nos Estados Unidos. Tornou-se uma das vozes mais ouvidas do cristianismo evangélico norte-americano na virada do século 20 para o 21.

Nos últimos dez anos de vida, conviveu com demência e deixou de falar em público a partir de 2004. Elisabeth Elliot morreu em 15 de junho de 2015, em Magnólia, Massachusetts. Sua escolha de voltar ao povo que matou o marido segue citada em treinamentos de missões como ilustração viva de João 12:24: o grão que morre e, por isso, produz muito fruto.

“Sentimentos de pouco ajudam quando se está na cova dos leões ou pendurado numa cruz de madeira. A fé não vem de as coisas sempre darem certo: é um ato da vontade, uma escolha, baseada na Palavra inquebrantável de um Deus que não pode mentir, e que nos mostrou o que significam amor, obediência e sacrifício, na pessoa de Jesus Cristo.”
Elisabeth Elliot · Secure in the Everlasting Arms, 2002
Linha do tempo
1926

Nascimento em Bruxelas

Filha de missionários norte-americanos na Bélgica.

1948

Formatura em Wheaton College

Estudou grego clássico visando à tradução bíblica e seguiu para treinamento em linguística.

1953

Casamento com Jim Elliot

Casaram-se em Quito, Equador, após anos de namoro à distância.

janeiro de 1956

Morte de Jim Elliot

Jim e quatro companheiros são mortos a lança por guerreiros huaorani (Operação Auca).

1957–1958

Publica os dois primeiros livros

Through Gates of Splendor e Shadow of the Almighty tornam-se best-sellers.

1958

Vai viver com os huaorani

Entra na aldeia com a filha Valerie e a missionária Rachel Saint.

1961

Deixa o trabalho conjunto com Rachel Saint

Diferenças de método e convicção encerram a parceria entre as duas.

1988–2001

Apresenta o rádio Gateway to Joy

Programa diário de ensino bíblico pela emissora Back to the Bible.

2015

Morte em Magnólia, Massachusetts

Após uma década convivendo com demência.

Obras e marcos

Through Gates of Splendor

1957

Relato da tentativa de contato com os huaorani e da morte do marido e dos quatro companheiros; tornou-se um dos livros missionários mais lidos do século 20.

Shadow of the Almighty

1958

Biografia e testemunho de Jim Elliot, montado a partir de seus diários e cartas.

Vida entre os huaorani

1958–1961

Foi viver na aldeia do povo que matara o marido, ao lado da filha Valerie e da missionária Rachel Saint, para aprender a língua e anunciar o evangelho.

Let Me Be a Woman

1976

Cartas à filha sobre feminilidade e vida cristã, um dos livros que mais moldaram o debate evangélico sobre papéis de gênero.

Passion and Purity

1984

Reflexão sobre namoro, disciplina e entrega a Deus a partir de sua própria história com Jim Elliot antes do casamento.

A Chance to Die

1987

Biografia da missionária Amy Carmichael, uma de suas maiores influências espirituais.

Gateway to Joy

1988–2001

Programa diário de rádio pela emissora Back to the Bible, com ensino bíblico e aconselhamento a um público nacional.

Contribuições
1

Literatura missionária que formou gerações

Through Gates of Splendor e Shadow of the Almighty tornaram-se leitura quase obrigatória para candidatos a missionários no mundo evangélico, popularizando a linguagem do sacrifício e do chamado.

2

Reflexão honesta sobre sofrimento

Em obras como These Strange Ashes, tratou com franqueza as perguntas sem resposta fácil sobre dor, fracasso aparente e a soberania de Deus.

3

Debate evangélico sobre relacionamentos

Passion and Purity e Let Me Be a Woman influenciaram profundamente o ensino sobre namoro, casamento e papéis de gênero, ainda que essas posições tenham sido questionadas por leitores e biógrafos posteriores.

4

Alcance nacional pelo rádio

Gateway to Joy levou ensino bíblico diário a ouvintes nos Estados Unidos por treze anos, ampliando sua influência muito além dos livros.

Legado missionário

Seu retorno ao povo que matou o marido é hoje referência em treinamentos de missões como exemplo de perdão e perseverança diante da violência.

Through Gates of Splendor continua sendo indicado a candidatos a missionários como introdução ao custo real do chamado transcultural.

A parceria, e as tensões, com Rachel Saint no trabalho entre os huaorani documentam com honestidade os desafios reais de evangelizar povos ainda não alcançados.

Sua obra escrita segue usada por agências de tradução bíblica e alcance de povos isolados como testemunho de que o fruto pode nascer mesmo do que parece derrota.

Outras pessoas