1860–1947

Evangelista · Pregador itinerante

Gypsy Smith

Resumo
Evangelista britânico nascido numa tenda cigana perto de Londres, pregou por mais de setenta anos em cruzadas no Reino Unido, nos Estados Unidos e em outros continentes. Sem formação acadêmica, tornou-se um dos pregadores mais amados de sua geração, unindo simplicidade e compaixão.
Quem foi
Biografia

Poucos evangelistas do século 20 vieram de tão longe: nasceu em uma tenda cigana na floresta de Epping, perto de Londres, filho de uma família nômade que vivia da venda de cestos e utensílios de estanho. Não teve escola alguma.

Sua mãe morreu de varíola quando ele ainda era criança, e o pai passou por prisões antes de se converter ao evangelho ouvido de um capelão. A família, então chamada “os ciganos convertidos”, passou a pregar de acampamento em acampamento a partir de 1873.

Aos dezesseis anos, em 17 de novembro de 1876, converteu-se numa capela metodista primitiva em Cambridge, tocado pelo testemunho do pai, pelos cânticos de Ira Sankey e por uma visita à casa de John Bunyan. Aprendeu sozinho a ler e escrever para poder pregar.

Em 1877, William Booth o convidou para servir como evangelista no Exército de Salvação. Em cinco anos à frente de oito postos, seus cultos reuniram milhares de pessoas e resultaram em milhares de decisões de fé. Em 1882, porém, foi demitido por aceitar presentes de convertidos gratos, o que violava as regras da instituição.

Longe de encerrar seu chamado, o episódio abriu caminho para uma pregação itinerante independente que se estenderia até o fim de sua vida, décadas mais tarde. Cruzou o Atlântico cerca de quarenta e cinco vezes, pregando nos Estados Unidos, na África do Sul, na Austrália e na Europa, sempre sem escrever sermões com antecedência.

Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu junto às tropas britânicas na França, sob os auspícios da associação cristã de moços, visitando posições próximas à linha de frente. O rei George VI o reconheceu com o título de membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por esse serviço pastoral aos soldados.

Escreveu livros, entre eles a própria autobiografia e obras devocionais como “As Jesus Passed By” e “Real Religion”, e nunca deixou de visitar acampamentos ciganos nos dois lados do oceano, honrando a origem que muitos, à sua época, tratavam com desprezo.

Morreu de um ataque cardíaco a bordo do transatlântico Queen Mary, em agosto de 1947, aos oitenta e sete anos, na que teria sido sua quadragésima quinta travessia rumo à América. Sua vida lembra que Deus chama pregadores de qualquer origem, até das margens da sociedade.

Linha do tempo
1860

Nascimento em Epping Forest

Nasce em 31 de março numa tenda cigana perto de Londres, filho de Cornelius Smith e Mary Welch.

c. 1865

Morte da mãe

Ainda criança, perde a mãe, vítima de varíola, por volta desse ano.

1876

Conversão em Cambridge

Converte-se aos dezesseis anos, em 17 de novembro, numa capela metodista primitiva.

1877

Convite de William Booth

Aceita, em 25 de junho, servir como evangelista no Exército de Salvação.

1879

Casamento com Annie Pennock

Casa-se em 17 de dezembro com uma de suas convertidas.

1882

Demissão do Exército de Salvação

É desligado por aceitar presentes de convertidos, contrariando as normas da instituição, e inicia o ministério itinerante independente.

1904

Campanha na África do Sul

Viaja com a esposa e a filha Zillah numa turnê de seis meses, com milhares de decisões de fé registradas.

1914

Ministério às tropas na França

Serve junto às tropas britânicas durante a Primeira Guerra Mundial, sob os auspícios da associação cristã de moços.

1947

Morte a bordo do Queen Mary

Morre de ataque cardíaco em 4 de agosto, aos 87 anos, na que teria sido sua 45ª travessia do Atlântico.

Obras e marcos

Gipsy Smith: His Life and Work

1901

Autobiografia que narra a infância numa família cigana, a conversão aos dezesseis anos e os primeiros passos na pregação.

As Jesus Passed By

1905

Coletânea de mensagens evangelísticas publicada no auge de suas campanhas nos Estados Unidos.

Evangelistic Talks

1922

Registro de pregações usadas em suas campanhas, reforçando o apelo direto ao arrependimento.

Real Religion

1929

Livro devocional sobre a fé vivida no cotidiano, tema central de sua pregação.

Ministério às tropas na Primeira Guerra Mundial

1914-1917

Serviço pastoral aos soldados britânicos na França, reconhecido mais tarde pelo rei George VI com o título de MBE (Ordem do Império Britânico).

Mais de setenta anos de campanhas itinerantes

1877-1947

Pregou por décadas no Reino Unido, nos Estados Unidos, na África do Sul e na Austrália, cruzando o Atlântico cerca de 45 vezes.

Contribuições
1

Pregação que unia classes sociais

Pregou tanto em saguões de aristocratas em Nova York e Paris quanto em tendas e galpões para operários, atraindo multidões de todas as origens sociais.

2

Dignidade para o povo cigano

Como filho de ciganos convertidos, tornou-se um dos primeiros pregadores de destaque dessa origem, desafiando o preconceito comum em sua época.

3

Modelo de evangelismo em massa

Suas campanhas de dezenas de milhares de ouvintes, ao longo de mais de setenta anos de ministério, ajudaram a moldar o formato das grandes cruzadas evangelísticas do século 20.

4

Cuidado pastoral em tempo de guerra

Seu serviço às tropas britânicas na Primeira Guerra Mundial, reconhecido pela coroa, deu visibilidade ao trabalho de apoio espiritual a soldados em combate.

Legado missionário

Sua trajetória mostra que a origem humilde ou marginalizada não é obstáculo ao chamado de Deus para alcançar multidões e nações.

As campanhas que realizou no Reino Unido, nos Estados Unidos, na África do Sul e na Austrália ajudaram a consolidar o modelo de evangelismo itinerante que ainda hoje sustenta cruzadas missionárias ao redor do mundo.

O cuidado que manteve com o povo cigano, visitado em acampamentos dos dois lados do Atlântico ao longo de toda a vida, lembra a igreja de não deixar de fora povos nômades e marginalizados na tarefa missionária.

Seu serviço pastoral às tropas na Primeira Guerra Mundial antecipa o trabalho de capelania hoje levado a soldados e refugiados em contextos de conflito.

Outras pessoas