1504–1575

Reformador · Teólogo

Heinrich Bullinger

Resumo
Reformador suíço que sucedeu Ulrico Zuínglio à frente da igreja de Zurique aos 27 anos. Redigiu a Segunda Confissão Helvética e sistematizou a teologia da aliança reformada, tornando-se, por décadas de correspondência com toda a Europa, um dos pastores mais influentes da Reforma.
Quem foi
Biografia

Bullinger nasceu em 18 de julho de 1504, em Bremgarten, na Suíça, filho de um decano da Igreja e de uma mulher com quem vivia em união tolerada pelas autoridades eclesiásticas da época. Estudou em Emmerich e Colônia, onde o contato com Agostinho e com as Escrituras o aproximou das ideias da Reforma.

Em 1523 teve os primeiros contatos com Ulrico Zuínglio e Leo Jud em Zurique, aproximando-se das ideias reformadas ainda como estudante. Em 1527 passou uma temporada na cidade estudando grego e hebraico e ouvindo as pregações de Zuínglio, tornando-se, nos anos seguintes, seu colaborador próximo. Quando Zuínglio morreu em outubro de 1531, na batalha de Kappel, Bullinger foi escolhido, aos 27 anos, para sucedê-lo como líder da igreja de Zurique, cargo que ocuparia até o fim da vida.

Casou-se em 1529 com Anna Adlischwyler, uma ex-freira, com quem teve onze filhos e adotou outros dois. A casa do casal recebeu, por décadas, refugiados religiosos de toda a Europa, entre eles ingleses fugidos da perseguição durante o reinado de Maria Tudor, na década de 1550.

Dedicou-se a sistematizar a fé reformada nascente. Em 1534 publicou um dos primeiros tratados sobre a aliança da graça entre Deus e o povo, lançando as bases da teologia pactual que marcaria o protestantismo reformado nos séculos seguintes.

Entre 1549 e 1551 escreveu as Décadas, cinquenta sermões que resumiam a doutrina reformada e foram traduzidos para várias línguas, tornando-se um dos livros protestantes mais lidos do século 16. Em 1549 também firmou com João Calvino o Consenso de Zurique, unindo suíços e genebrinos na doutrina da ceia.

Como quase todos os reformadores de sua geração, Bullinger também aprovou a execução do teólogo dissidente Miguel Servet, ocorrida em Genebra em 1553, episódio hoje lido como sinal dos limites de tolerância religiosa daquele tempo, mesmo entre líderes de grande renome.

Em 1566 redigiu a Segunda Confissão Helvética, resumo maduro de sua teologia que rapidamente foi adotado por igrejas reformadas na Suíça, na Escócia, na Hungria, na França e na Polônia, tornando-se um dos textos doutrinários mais influentes de toda a tradição reformada.

Bullinger manteve correspondência com milhares de cristãos por toda a Europa, orientando pastores, consolando exilados e articulando igrejas separadas por fronteiras. Esse hábito de conexão inspira, ainda hoje, redes globais de apoio pastoral e de intercessão entre igrejas de diferentes nações.

Linha do tempo
1504

Nascimento em Bremgarten

Nasce filho de um decano da Igreja, no território de Argóvia, na Suíça.

1523

Primeiros contatos com a Reforma

Conhece Ulrico Zuínglio e Leo Jud em Zurique e se aproxima das ideias reformadas, ainda como estudante.

1527

Temporada em Zurique

Passa alguns meses na cidade estudando grego e hebraico e ouvindo as pregações de Zuínglio e Leo Jud.

1529

Casamento com Anna Adlischwyler

Casa-se com a ex-freira, com quem teria onze filhos e adotaria outros dois.

1531

Sucessão em Zurique

Eleito Antistes da igreja de Zurique, aos 27 anos, após a morte de Zuínglio na batalha de Kappel.

1534

Tratado sobre a aliança

Publica um dos primeiros textos reformados sobre a aliança da graça.

1549

Consenso de Zurique

Firma com João Calvino o acordo doutrinário sobre a ceia do Senhor.

1553

Caso Servet

Aprova, como outros reformadores da época, a execução do teólogo dissidente Miguel Servet em Genebra.

1566

Segunda Confissão Helvética

Redige a confissão que seria adotada por igrejas reformadas em vários países da Europa.

1575

Morte em Zurique

Morre após anos de sofrimento com cálculos renais, deixando um legado de milhares de cartas e escritos.

Obras e marcos

Tratado sobre a aliança de Deus

1534

Um dos primeiros textos reformados a expor de forma sistemática a aliança da graça entre Deus e seu povo.

Décadas (Sermonum Decades)

1549-1551

Coleção de cinquenta sermões que resumia toda a doutrina reformada, traduzida para diversas línguas e amplamente lida no século 16.

Consenso de Zurique (Consensus Tigurinus)

1549

Acordo com João Calvino sobre a doutrina da ceia do Senhor, unindo as igrejas reformadas suíças e genebrinas.

Segunda Confissão Helvética

1566

Confissão de fé redigida por Bullinger que se tornou uma das mais adotadas pelas igrejas reformadas da Europa.

Sucessão como Antistes de Zurique

1531

Assumiu a liderança da igreja de Zurique após a morte de Zuínglio, cargo que exerceu por 44 anos.

Correspondência com a Europa reformada

1531-1575

Trocou milhares de cartas com pastores, teólogos e governantes, orientando igrejas de vários países.

Contribuições
1

Teologia da aliança

Deu forma sistemática à doutrina da aliança da graça, base da teologia pactual que moldaria o protestantismo reformado por séculos.

2

Unidade entre reformados

Articulou acordos doutrinários, como o Consenso de Zurique, que evitaram a fragmentação entre suíços, genebrinos e outras igrejas reformadas.

3

Formação confessional duradoura

A Segunda Confissão Helvética tornou-se um dos documentos de fé mais adotados da tradição reformada, ainda usado por igrejas hoje.

4

Hospitalidade aos perseguidos

Acolheu, com a esposa Anna, refugiados religiosos de vários países, entre eles ingleses fugidos da perseguição na Inglaterra de Maria Tudor.

Legado missionário

Sua rede de correspondência com pastores de toda a Europa antecipa, em escala menor, as redes globais de apoio e intercessão entre igrejas de diferentes nações hoje.

A teologia da aliança que sistematizou continua sustentando a compreensão reformada da missão como parte do plano de Deus para todos os povos.

O acolhimento de refugiados religiosos em Zurique é lembrado como modelo de hospitalidade cristã a exilados e perseguidos por causa da fé, situação ainda vivida por cristãos em muitos países.

Outras pessoas