1714–1773

Avivacionista · Pregador leigo · Organizador

Howell Harris

Resumo
Pregador leigo galês, convertido em 1735 no início do Grande Despertar britânico. Ao lado de Daniel Rowland e William Williams, organizou o avivamento metodista no País de Gales em sociedades de apoio mútuo, lançando as bases da futura Igreja Presbiteriana do País de Gales.
Quem foi
Biografia

Antes de se tornar um símbolo do avivamento galês, Howell Harris era apenas um jovem professor de escola em Llangorse, no interior do País de Gales. Nascido em 1714 em Trefeca, buscava um sentido para a vida que a rotina da sala de aula não lhe dava.

Em março de 1735, ouviu um sermão do vigário de Talgarth sobre a indignidade de participar da Ceia do Senhor sem arrependimento. A pregação o atingiu profundamente, e nas semanas seguintes, lendo e orando, encontrou a certeza do perdão que buscava.

Tentou seguir o caminho tradicional da ordenação, mas foi recusado quatro vezes por bispos incomodados com sua pregação ao ar livre e em casas particulares. Sem hábito clerical, tornou-se pregador leigo itinerante, percorrendo o País de Gales a pé e a cavalo.

Em 1737 uniu forças com o pregador Daniel Rowland, e juntos deram forma ao avivamento metodista galês. Harris trouxe um talento raro para organização: reuniu os novos crentes em pequenas sociedades de apoio mútuo, evitando que o entusiasmo inicial se dissipasse.

Dois anos depois, iniciou parceria com o evangelista inglês George Whitefield, ligando o movimento galês a uma rede calvinista que atravessava o Atlântico. Ambos insistiam que a graça de Deus, e não o esforço humano, estava no centro do evangelho.

Por volta de 1750, porém, sua proximidade com Sidney Griffith, uma mulher casada que buscara refúgio junto aos metodistas, gerou escândalo público. Somado a isso, sua linguagem cada vez mais confusa sobre a pessoa de Cristo, marcada por ideias de origem morávia, afastou Rowland e outros líderes do avivamento. Harris se retirou do ministério itinerante, ferido e contestado por seus próprios companheiros de fé.

Em 1752 fundou em Trefeca uma comunidade de vida partilhada, inspirada nos morávios, com ele mesmo como líder. Reconciliado com Rowland alguns anos depois, retomou a pregação e, em 1768, ajudou a condessa de Huntingdon a abrir ali um seminário para formar novos pregadores.

Harris morreu em 1773 e foi sepultado em Talgarth, perto do lugar onde havia se convertido quase quatro décadas antes. O movimento que ajudou a organizar daria origem, em 1811, à Igreja Presbiteriana do País de Gales.

“Um fogo se acendeu em minha alma, e fui revestido de poder.”
Howell Harris · Diário pessoal de Harris, citado em Arnold Dallimore, George Whitefield, vol. 1 (Banner of Truth, 1970)
Linha do tempo
1714

Nascimento em Trefeca

Nasce em 23 de janeiro, na região de Talgarth, no País de Gales.

1735

Conversão em Talgarth

Um sermão sobre a Ceia do Senhor o leva à conversão e, meses depois, à certeza de fé.

1737

Aliança com Daniel Rowland

Une forças com Rowland, dando início à cooperação que consolidaria o avivamento metodista galês.

1739

Parceria com George Whitefield

Inicia colaboração com o evangelista inglês, ligando o avivamento galês à rede calvinista transatlântica.

1750

Ruptura com Rowland

Um escândalo público ligado à sua amizade com Sidney Griffith, somado a divergências teológicas, o afasta do ministério itinerante.

1752

Fundação da comunidade de Trefeca

Cria a Teulu Trefeca, comunidade de vida partilhada inspirada no exemplo dos morávios.

1763

Reconciliação com Rowland

Retoma a pregação itinerante depois de mais de dez anos de afastamento.

1768

Abertura do Trefeca College

Colabora com a condessa de Huntingdon na criação de um seminário para formar pregadores.

1773

Morte em Trefeca

Falece em 21 de julho e é sepultado em Talgarth, perto do lugar de sua conversão.

Obras e marcos

Conversão e início da pregação leiga

1735

Convertido após o sermão de Pryce Davies sobre a Ceia do Senhor em Talgarth, passou a pregar publicamente sem ter sido ordenado.

Aliança com Daniel Rowland

1737

Uniu forças com o pregador Daniel Rowland, dando início à cooperação que consolidou o avivamento metodista galês.

Organização das primeiras sociedades

1737-1740

Estruturou os convertidos em pequenos grupos de crescimento mútuo (seiadau), sustentando o avivamento depois do impulso inicial.

Parceria com George Whitefield

1739

Iniciou colaboração duradoura com o evangelista inglês George Whitefield, ligando o avivamento galês à rede calvinista transatlântica.

Fundação da comunidade de Trefeca

1752

Inspirado pelo exemplo dos morávios, fundou em sua propriedade a Teulu Trefeca, comunidade cristã de vida e trabalho compartilhados.

Trefeca College

1768

Colaborou com a condessa de Huntingdon na abertura de um seminário para formar pregadores metodistas em Trefeca.

Contribuições
1

Modelo de sociedades

Organizou os convertidos do avivamento em pequenos grupos de apoio mútuo, dando estrutura duradoura a um movimento que, sem isso, teria se dissipado com o tempo.

2

Consolidação do metodismo calvinista

Ao lado de Rowland e Whitefield, ajudou a firmar um ramo distintamente calvinista do avivamento evangélico, que mais tarde deu origem à Igreja Presbiteriana do País de Gales.

3

Formação de pregadores

Sua colaboração na abertura do Trefeca College criou um dos primeiros espaços formais de preparo de pregadores leigos ligados ao avivamento metodista.

4

Um registro histórico sem igual

Os cerca de 300 diários e 3 mil cartas que deixou tornaram-se uma das fontes mais detalhadas já produzidas sobre um avivamento cristão.

5

Reconciliação depois da crise

O rompimento com Rowland em 1750, ligado a um relacionamento que gerou escândalo público e a divergências teológicas sobre a pessoa de Cristo, e a reconciliação anos depois mostram que o avivamento sobreviveu também às falhas de seus líderes.

Legado missionário

A denominação nascida do seu trabalho, a Igreja Presbiteriana do País de Gales, fundou em 1840 sua própria sociedade de missões estrangeiras, enviando missionários para as colinas Khasi, no nordeste da Índia, a partir de 1841.

O modelo de sociedades de discipulado que ele organizou antecipa a lógica dos pequenos grupos usados hoje por igrejas e movimentos missionários no mundo todo.

Sua parceria com George Whitefield ajudou a criar uma rede evangélica de alcance transatlântico, um dos primeiros exemplos de cooperação missionária além das fronteiras nacionais.

A prática de formar e enviar pregadores leigos, sem exigir ordenação eclesiástica, segue inspirando movimentos que mobilizam cristãos comuns para o evangelismo e as missões.

Outras pessoas