É fácil confundir sucesso com aprovação de Deus. Quando as contas fecham, os negócios crescem e ninguém reclama, parece que tudo está bem. Mas o que uma vida, ou uma nação, faz com os fracos enquanto celebra os números costuma dizer a verdade que os números escondem.
Jeroboão II herdou de seu pai Jeoás o trono de Israel, o Reino do Norte, e reinou por quarenta e um anos, o período mais longo entre todos os reis israelitas. Sob seu governo, o país recuperou Damasco e Hamate e expandiu suas fronteiras até Lebo-Hamate, no norte, algo que não se via desde os dias de Salomão.
A Bíblia registra esse êxito sem rodeios, mas também sem ilusões. Diz que Jeroboão fez o que o Senhor reprova e não se desviou dos pecados do primeiro Jeroboão, o rei que dividira a nação e erguera altares rivais em Betel e Dã séculos antes.
Debaixo da prosperidade, a injustiça se acumulava. Enquanto a elite vivia no luxo, o profeta Amós denunciava juízes corruptos, comerciantes desonestos e pobres tratados como mercadoria. O sacerdote de Betel chegou a expulsar Amós do santuário, alertando o rei de que o profeta era uma ameaça.
Ainda assim, o texto de 2 Reis registra algo surpreendente: Deus viu a aflição amarga do povo e, sem ter decretado o fim de Israel, usou o próprio Jeroboão, um rei idólatra, para salvá-lo da opressão dos vizinhos. A graça de Deus alcançou uma nação inteira através de um governante que não a merecia.
A história de Jeroboão II é um espelho incômodo. Ela pergunta se a nossa prosperidade, pessoal, familiar ou de igreja, está sendo medida pelo crescimento ou pela justiça que produz para quem está por baixo. Deus não se impressiona com fronteiras expandidas quando os pobres continuam sem voz nos tribunais.
