John Owen nasceu em 1616, num tempo de guerra civil e disputas religiosas que dividiram profundamente a Inglaterra. Como muitos cristãos sinceros, ele conheceu de perto a dúvida e a angústia espiritual antes de encontrar, já adulto, uma paz duradoura em Cristo.
Filho de um pastor puritano de origem galesa, estudou no Queen’s College, em Oxford, formando-se em 1632 e concluindo o mestrado em 1635. Em 1637, deixou a universidade por recusar os novos estatutos religiosos impostos pelo arcebispo William Laud.
Por anos, viveu sob um peso espiritual profundo, incerto de sua salvação. Em 1642, ao ouvir por acaso um pregador desconhecido comentar Mateus 8:26, encontrou finalmente segurança da graça de Deus, um marco que moldaria toda a sua teologia posterior.
Tornou-se capelão de Oliver Cromwell, acompanhando-o nas campanhas militares da Irlanda, em 1649, e da Escócia, em 1650. No dia seguinte à execução do rei Carlos I, em janeiro de 1649, pregou diante do Parlamento sem condenar o ato, um sermão que seria queimado publicamente pouco depois de sua morte.
Em 1651, tornou-se reitor de Christ Church, em Oxford, e depois vice-chanceler da universidade. Nesse período, também mandou açoitar duas mulheres quakeres por perturbarem a ordem pública, episódio lembrado como contradição diante da liberdade de consciência que ele mesmo viria a defender anos depois, já perseguido.
A vida familiar foi marcada por dor: dos onze filhos que teve com a esposa Mary Rooke, dez morreram ainda crianças, e a única filha que chegou à vida adulta faleceu de tuberculose pouco depois de casar. Foi nesse contexto de luto que escreveu Comunhão com Deus e Da Mortificação do Pecado, em 1657 e 1656.
Em 1662, o Ato de Uniformidade o afastou do ministério oficial, junto com cerca de dois mil pastores puritanos. Owen continuou pregando e escrevendo, e usou sua influência para ajudar a obter a libertação do pregador John Bunyan da prisão.
Nos últimos anos, sofreu de asma e cálculos renais, sem deixar de produzir sua vasta obra teológica, incluindo o extenso comentário sobre a carta aos Hebreus. Morreu em 24 de agosto de 1683, em Ealing, perto de Londres.
Conhecido como o Príncipe dos Puritanos, Owen deixou uma teologia da graça e do Espírito Santo que ainda sustenta pregadores e missionários reformados ao redor do mundo, lembrando que a fé amadurece também em meio à perda, à contradição pessoal e à perseguição.