1616–1683

Teólogo puritano · Reitor de Oxford

John Owen

Resumo
Teólogo puritano inglês, considerado por muitos o maior teólogo produzido pelo movimento puritano. Autor de obras clássicas sobre a expiação de Cristo, a mortificação do pecado e a comunhão com o Espírito Santo, moldou a espiritualidade reformada até hoje.
Quem foi
Biografia

John Owen nasceu em 1616, num tempo de guerra civil e disputas religiosas que dividiram profundamente a Inglaterra. Como muitos cristãos sinceros, ele conheceu de perto a dúvida e a angústia espiritual antes de encontrar, já adulto, uma paz duradoura em Cristo.

Filho de um pastor puritano de origem galesa, estudou no Queen’s College, em Oxford, formando-se em 1632 e concluindo o mestrado em 1635. Em 1637, deixou a universidade por recusar os novos estatutos religiosos impostos pelo arcebispo William Laud.

Por anos, viveu sob um peso espiritual profundo, incerto de sua salvação. Em 1642, ao ouvir por acaso um pregador desconhecido comentar Mateus 8:26, encontrou finalmente segurança da graça de Deus, um marco que moldaria toda a sua teologia posterior.

Tornou-se capelão de Oliver Cromwell, acompanhando-o nas campanhas militares da Irlanda, em 1649, e da Escócia, em 1650. No dia seguinte à execução do rei Carlos I, em janeiro de 1649, pregou diante do Parlamento sem condenar o ato, um sermão que seria queimado publicamente pouco depois de sua morte.

Em 1651, tornou-se reitor de Christ Church, em Oxford, e depois vice-chanceler da universidade. Nesse período, também mandou açoitar duas mulheres quakeres por perturbarem a ordem pública, episódio lembrado como contradição diante da liberdade de consciência que ele mesmo viria a defender anos depois, já perseguido.

A vida familiar foi marcada por dor: dos onze filhos que teve com a esposa Mary Rooke, dez morreram ainda crianças, e a única filha que chegou à vida adulta faleceu de tuberculose pouco depois de casar. Foi nesse contexto de luto que escreveu Comunhão com Deus e Da Mortificação do Pecado, em 1657 e 1656.

Em 1662, o Ato de Uniformidade o afastou do ministério oficial, junto com cerca de dois mil pastores puritanos. Owen continuou pregando e escrevendo, e usou sua influência para ajudar a obter a libertação do pregador John Bunyan da prisão.

Nos últimos anos, sofreu de asma e cálculos renais, sem deixar de produzir sua vasta obra teológica, incluindo o extenso comentário sobre a carta aos Hebreus. Morreu em 24 de agosto de 1683, em Ealing, perto de Londres.

Conhecido como o Príncipe dos Puritanos, Owen deixou uma teologia da graça e do Espírito Santo que ainda sustenta pregadores e missionários reformados ao redor do mundo, lembrando que a fé amadurece também em meio à perda, à contradição pessoal e à perseguição.

“Mate o pecado, ou o pecado matará você.”
John Owen · Da Mortificação do Pecado nos Crentes, 1656
Linha do tempo
1616

Nascimento em Stadhampton, Oxfordshire

Filho de um pastor puritano de origem galesa.

1637

Deixa Oxford

Recusa-se a aceitar os novos estatutos religiosos do arcebispo William Laud.

1642

Segurança da fé

Ouve um pregador desconhecido comentar Mateus 8:26 e encontra paz quanto à salvação.

1647

Publica A Morte da Morte na Morte de Cristo

Sua primeira grande obra teológica de peso.

1649

Sermão após a execução de Carlos I

Prega diante do Parlamento no dia seguinte à morte do rei, sem condenar o ato; acompanha Cromwell na campanha da Irlanda.

1651

Reitor de Christ Church

Nomeado por Oliver Cromwell para dirigir o colégio e, depois, a universidade de Oxford.

1658

Declaração de Savoy

Lidera a redação da confissão congregacional inglesa.

1662

Ato de Uniformidade

É afastado do ministério oficial junto com milhares de pastores puritanos.

1683

Morte em Ealing

Falece aos 66 ou 67 anos, deixando uma vasta obra teológica.

Obras e marcos

A Morte da Morte na Morte de Cristo

1647

Defesa detalhada da expiação particular de Cristo, uma das obras mais influentes da teologia reformada sobre a obra de Cristo na cruz.

Da Mortificação do Pecado nos Crentes

1656

Tratado devocional sobre como o crente, pelo poder do Espírito Santo, combate o pecado que ainda habita nele.

Comunhão com Deus

1657

Estudo sobre o relacionamento distinto do crente com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, escrito em meio a grande luto pessoal.

Reitor de Christ Church, Oxford

1651

Nomeado por Oliver Cromwell para dirigir a maior faculdade de Oxford, também serviu como vice-chanceler da universidade.

Declaração de Savoy

1658

Papel de liderança na redação da confissão de fé que organizou as igrejas congregacionais inglesas.

Comentário sobre Hebreus

a partir de 1668

Obra monumental produzida ao longo de mais de uma década, considerada referência até hoje no estudo da epístola.

Pneumatologia

1674

Tratado extenso sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo, um dos estudos mais completos já escritos sobre o tema.

Contribuições
1

Teologia da expiação e da graça

Sua defesa da obra particular de Cristo na cruz tornou-se referência da soteriologia reformada até os dias de hoje.

2

Doutrina do Espírito Santo

Escreveu um dos tratados mais completos já produzidos sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo na vida do crente.

3

Literatura devocional prática

Obras como Da Mortificação do Pecado continuam sendo lidas e usadas no discipulado cristão em todo o mundo.

4

Formação acadêmica e pastoral

Como reitor e vice-chanceler de Oxford, ajudou a formar uma geração de pregadores e teólogos ingleses.

5

Fidelidade sob perseguição

Mesmo afastado do ministério oficial pelo Ato de Uniformidade, continuou pregando e escrevendo, sustentando comunidades dissidentes.

Legado missionário

Sua teologia da graça e da santificação pelo Espírito Santo continua formando pregadores e missionários reformados em vários continentes.

O modelo de perseverança sob perseguição religiosa inspira igrejas que hoje enfrentam restrições semelhantes à fé em diversos países.

Seus escritos sobre comunhão com Deus alimentam a espiritualidade de movimentos missionários que valorizam profundidade doutrinária unida à devoção pessoal.

A defesa que fez da liberdade de consciência para os dissidentes, já no fim da vida, ecoa nos esforços atuais por liberdade religiosa ao redor do mundo.

Outras pessoas