1932–

Teólogo sistemático · Professor de teologia

Millard Erickson

Resumo
Teólogo batista norte-americano, autor de Christian Theology (Teologia Sistemática), um dos tratados de teologia sistemática mais usados nos seminários evangélicos. Professor por décadas em Wheaton, Bethel e na Universidade Baylor, dedicou a carreira a expor com equilíbrio as tensões teológicas da modernidade.
Quem é
Biografia

Poucos estudantes de seminário evangélico escapam de abrir algum dos volumes de Christian Theology. Por trás desse tratado de mais de mil páginas está um pastor batista do interior dos Estados Unidos que passou a vida tentando explicar, com clareza e equilíbrio, o que a igreja cristã sempre confessou.

Millard Erickson nasceu em 24 de junho de 1932, no condado de Isanti, no estado de Minnesota. Formou-se na Universidade de Minnesota, cursou o bacharelado em divindade na Northern Baptist Theological Seminary e o mestrado na Universidade de Chicago, concluindo o doutorado na Northwestern University em 1963.

Antes da vida acadêmica, foi pastor de duas igrejas batistas, em Chicago e depois em Robbinsdale, Minnesota, por quase uma década. A experiência pastoral marcou seu jeito de escrever teologia: preocupado em ligar doutrina e vida da igreja, não apenas debate de sala de aula.

Lecionou em Wheaton College a partir de 1964 e, cinco anos depois, passou para o Bethel Theological Seminary, em St. Paul, onde chegou a reitor e vice-presidente executivo. Foi ali que escreveu, ao longo da década de 1980, os três volumes de Christian Theology, publicados entre 1983 e 1985.

A obra tornou-se um dos tratados de teologia sistemática mais usados em seminários evangélicos, revisada pelo autor em duas novas edições, a última em 2013, e traduzida para o português como Teologia Sistemática, pela Editora Vida Nova. Depois de Bethel, ensinou na Southwestern Baptist Theological Seminary, no Western Seminary e, desde 1996, na Truett Seminary, da Universidade Baylor.

Nem todos concordam com suas conclusões. Teólogos mais tradicionalistas o criticaram por rejeitar a subordinação eterna do Filho, posição ligada à defesa que faz da igualdade de papéis entre homens e mulheres no ministério, e críticos do campo criacionista apontaram que sua discussão sobre as origens do mundo não acompanhou, em edições recentes, a bibliografia científica mais atual.

Erickson nunca se apresentou como inovador, e sim como professor: sua marca foi expor com justiça as posições concorrentes antes de defender a própria, método hoje raro em debates polarizados. Essa disciplina formou gerações de pastores e professores de teologia em seminários evangélicos ao redor do mundo.

Manuais como o seu seguem sustentando a formação teológica em seminários de missão, em contextos de pouco acesso ao evangelho, onde doutrina clara ajuda igrejas recém-plantadas a resistir a pressões locais. Aos 94 anos, Erickson continua sendo lido como referência de equilíbrio numa época de polarização teológica.

“Uma pessoa que cai do décimo andar de um edifício pode gritar, ao passar por cada janela, "Estou bem", e dizer isso com toda sinceridade, mas cedo ou tarde os fatos vão alcançar a sua experiência.”
Millard Erickson · Christian Theology (Teologia Sistemática)
Linha do tempo
1932

Nascimento

Nasce em 24 de junho, no condado de Isanti, Minnesota.

1956

Ordenação e primeiro pastorado

Conclui o bacharelado em divindade e assume a Fairfield Avenue Baptist Church, em Chicago.

1963

Doutorado

Conclui o PhD na Northwestern University.

1964

Professor em Wheaton College

Começa a lecionar teologia e filosofia, chegando a chefe de departamento.

1969

Professor no Bethel Theological Seminary

Inicia a carreira que o levaria a reitor e vice-presidente executivo da instituição.

1983

Primeiro volume de Christian Theology

Publica o primeiro dos três volumes do tratado que o consagraria.

1996

Professor na Truett Seminary

Torna-se professor distinto de teologia na Universidade Baylor.

2013

Terceira edição de Christian Theology

Revisa e amplia o tratado clássico, décadas após a primeira edição.

Obras e marcos

Christian Theology (1ª edição)

1983-1985

Tratado em três volumes que se tornou um dos manuais de teologia sistemática mais usados em seminários evangélicos.

Contemporary Options in Eschatology

1977

Estudo comparado das principais correntes evangélicas sobre o fim dos tempos.

Concise Dictionary of Christian Theology

1986

Dicionário de termos teológicos, usado como referência introdutória em cursos de teologia.

God in Three Persons

1995

Estudo sobre a doutrina da Trindade, tema ao qual voltaria décadas depois.

The Evangelical Left

1997

Análise crítica das correntes pós-conservadoras dentro do movimento evangélico norte-americano.

Truth or Consequences

2001

Reflexão sobre os desafios do pós-modernismo para a teologia evangélica.

Christian Theology, 3ª edição

2013

Revisão completa do tratado clássico, com novo material sobre expiação, justificação e presciência divina; traduzida no Brasil como Teologia Sistemática (Vida Nova, 2015).

Contribuições
1

Um manual para gerações de pastores

Christian Theology tornou-se referência padrão em seminários evangélicos ao redor do mundo, formando o vocabulário teológico de pastores e professores por mais de três décadas.

2

Equilíbrio em meio à polarização

Ao tratar temas como calvinismo e arminianismo, ou a presciência divina, buscou expor as posições concorrentes com justiça antes de apresentar a própria conclusão, método hoje raro em debates teológicos.

3

Diálogo com a pós-modernidade

Em obras como Truth or Consequences e The Evangelical Left, analisou as tensões entre a teologia evangélica tradicional e as correntes pós-modernas e pós-conservadoras, sem descartar o debate de saída.

4

Formação de uma geração de teólogos

Como decano e professor em diferentes seminários, ajudou a formar pastores e professores que hoje lecionam teologia sistemática em instituições evangélicas dentro e fora dos Estados Unidos.

Legado missionário

Teologia Sistemática, sua obra traduzida para o português pela Editora Vida Nova, forma pastores e líderes em seminários de missão de língua portuguesa até hoje.

Ao insistir que doutrina sadia sustenta a prática cristã, deixou um lembrete simples para o trabalho transcultural: sem clareza teológica, igrejas recém-plantadas resistem menos às pressões culturais e religiosas locais.

Seu método de expor com justiça posições divergentes antes de concluir tornou-se modelo para o diálogo entre igrejas de tradições diferentes que hoje cooperam nas mesmas frentes missionárias.

Formou, direta ou indiretamente por meio de seus livros, pastores e missionários batistas e de outras tradições evangélicas que hoje servem em contextos de pouco acesso ao evangelho.

Outras pessoas