Antes de ser conhecido como Paulo, ou Paulo de Tarso, ele se chamava Saulo, um nome que carregava orgulho: cidadão romano de nascença, fariseu treinado sob o respeitado mestre Gamaliel, guardião zeloso da Lei. Quem nunca se agarrou a uma identidade construída com esforço, convencido de estar certo, sem imaginar que ela ainda ia desmoronar?
Saulo aprovava a morte de Estêvão, o primeiro mártir cristão, e depois ia de casa em casa arrastando homens e mulheres para a prisão, só por crerem em Jesus (Atos 8:1-3). Ele seguia a caminho de Damasco com cartas de autorização para continuar a caçada quando uma luz o derrubou no chão.
“Saulo, Saulo, por que você me persegue?”, perguntou a voz (Atos 9:4). Ele ficou cego por três dias, incapaz de comer ou beber, até que um discípulo chamado Ananias, temendo o próprio perseguidor, orou por ele e Saulo recebeu a vista de volta (Atos 9:1-19).
O perseguidor virou pregador. Em três viagens missionárias, Paulo cruzou o Mediterrâneo fundando igrejas, sendo apedrejado, naufragando, açoitado cinco vezes pelos judeus e três pelos romanos (2 Coríntios 11:24-25). Escreveu cartas que hoje formam boa parte do Novo Testamento.
Ele também discutiu com Barnabé a ponto de se separarem (Atos 15:36-39) e confrontou Pedro publicamente por hipocrisia em Antioquia (Gálatas 2:11-14). Pediu três vezes que Deus tirasse um espinho na carne que o atormentava, e ouviu que a graça era suficiente (2 Coríntios 12:7-9).
Preso em Roma, ainda assim escrevia com esperança: “Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21). A tradição da igreja registra que morreu decapitado sob o imperador Nero, fiel até o fim.
A vida de Paulo diz que nenhum passado desqualifica alguém para o chamado de Deus, e que a mesma pessoa capaz de destruir a igreja pode se tornar a mais usada para construí-la. Se a graça alcançou o maior perseguidor, ela alcança também quem lê essa história hoje.
