Poucas histórias de missões do século 20 tocaram tantos crentes quanto a de cinco jovens norte-americanos mortos ao tentar levar o evangelho a um povo isolado na selva equatoriana. Pete Fleming, o mais jovem do grupo, deixou os estudos de filosofia para servir entre povos que nunca tinham ouvido falar de Cristo.
Peter Sillence Fleming nasceu em 23 de novembro de 1928, em Seattle, no estado de Washington. Aceitou Cristo como Salvador aos 13 anos, depois de ouvir o testemunho de um evangelista cego. Formou-se orador de sua turma no ensino médio e destacou-se também no basquete e no golfe.
Na Universidade de Washington, cursou filosofia e concluiu mestrado, liderando também o grupo cristão do campus. A amizade com Jim Elliot, nascida em conferências cristãs e expedições de montanhismo, foi decisiva: Elliot o influenciou a adiar planos pessoais para se dedicar integralmente às missões.
Por influência de Elliot, Fleming chegou a romper temporariamente o noivado com Olive Ainslie, amiga de infância, para servir como missionário solteiro. A decisão, hoje lida com mais cautela do que na época, mostra o peso real que o ideal missionário impôs sobre um relacionamento e sobre a própria Olive.
Em 1952 embarcou para o Equador ao lado de Elliot. Os dois reabriram a estação de Shandia entre o povo quíchua, onde Fleming ajudou a criar um internato para meninos indígenas. Casou-se com Olive em 29 de junho de 1954 e, juntos, assumiram depois a estação de Puyupungu.
A Operação Auca, esforço de cinco famílias missionárias para fazer o primeiro contato pacífico com os huaoranis, povo então conhecido pela violência contra forasteiros, começou com sobrevoos e entrega de presentes em setembro de 1955. Fleming hesitou por meses, em oração, preocupado também com Olive, e só confirmou sua entrada no início de janeiro de 1956, dias antes da expedição à praia do Curaray. Foi o último do grupo a se juntar. O plano foi conduzido em sigilo, sem aval formal das agências missionárias que sustentavam o trabalho dos cinco homens, o que historiadores da missão apontam depois como uma decisão arriscada diante do histórico de violência dos huaoranis contra forasteiros.
Em 8 de janeiro de 1956, no terceiro dia de contato numa praia do rio Curaray, guerreiros huaoranis atacaram e mataram os cinco missionários. Fleming, aos 27 anos, era o mais jovem do grupo e o único sem filhos; seu corpo foi identificado por um cinto de tecido vermelho.
O episódio, narrado por Elisabeth Elliot em Através dos Portais do Esplendor, impulsionou uma nova geração de missionários ao redor do mundo. Anos depois, huaoranis que participaram do ataque, como Mincaye e Kimo, converteram-se ao cristianismo e passaram a conviver em paz com parentes das próprias vítimas.