1928–1956

Missionário · Mártir

Pete Fleming

Resumo
Missionário norte-americano e mártir, um dos cinco jovens mortos em 1956 ao buscar contato pacífico com o povo huaorani na selva equatoriana. Formado em filosofia, trocou a carreira acadêmica pelo trabalho entre os quíchuas e, depois, pela chamada Operação Auca, marco da história missionária evangélica.
Quem foi
Biografia

Poucas histórias de missões do século 20 tocaram tantos crentes quanto a de cinco jovens norte-americanos mortos ao tentar levar o evangelho a um povo isolado na selva equatoriana. Pete Fleming, o mais jovem do grupo, deixou os estudos de filosofia para servir entre povos que nunca tinham ouvido falar de Cristo.

Peter Sillence Fleming nasceu em 23 de novembro de 1928, em Seattle, no estado de Washington. Aceitou Cristo como Salvador aos 13 anos, depois de ouvir o testemunho de um evangelista cego. Formou-se orador de sua turma no ensino médio e destacou-se também no basquete e no golfe.

Na Universidade de Washington, cursou filosofia e concluiu mestrado, liderando também o grupo cristão do campus. A amizade com Jim Elliot, nascida em conferências cristãs e expedições de montanhismo, foi decisiva: Elliot o influenciou a adiar planos pessoais para se dedicar integralmente às missões.

Por influência de Elliot, Fleming chegou a romper temporariamente o noivado com Olive Ainslie, amiga de infância, para servir como missionário solteiro. A decisão, hoje lida com mais cautela do que na época, mostra o peso real que o ideal missionário impôs sobre um relacionamento e sobre a própria Olive.

Em 1952 embarcou para o Equador ao lado de Elliot. Os dois reabriram a estação de Shandia entre o povo quíchua, onde Fleming ajudou a criar um internato para meninos indígenas. Casou-se com Olive em 29 de junho de 1954 e, juntos, assumiram depois a estação de Puyupungu.

A Operação Auca, esforço de cinco famílias missionárias para fazer o primeiro contato pacífico com os huaoranis, povo então conhecido pela violência contra forasteiros, começou com sobrevoos e entrega de presentes em setembro de 1955. Fleming hesitou por meses, em oração, preocupado também com Olive, e só confirmou sua entrada no início de janeiro de 1956, dias antes da expedição à praia do Curaray. Foi o último do grupo a se juntar. O plano foi conduzido em sigilo, sem aval formal das agências missionárias que sustentavam o trabalho dos cinco homens, o que historiadores da missão apontam depois como uma decisão arriscada diante do histórico de violência dos huaoranis contra forasteiros.

Em 8 de janeiro de 1956, no terceiro dia de contato numa praia do rio Curaray, guerreiros huaoranis atacaram e mataram os cinco missionários. Fleming, aos 27 anos, era o mais jovem do grupo e o único sem filhos; seu corpo foi identificado por um cinto de tecido vermelho.

O episódio, narrado por Elisabeth Elliot em Através dos Portais do Esplendor, impulsionou uma nova geração de missionários ao redor do mundo. Anos depois, huaoranis que participaram do ataque, como Mincaye e Kimo, converteram-se ao cristianismo e passaram a conviver em paz com parentes das próprias vítimas.

“Eu daria de bom grado a minha vida por essa tribo, só para ver um dia esse povo orgulhoso e inteligente reunido ao redor de uma mesa para honrar o Filho, de bom grado, de bom grado, de bom grado.”
Pete Fleming · Diário pessoal de Fleming, citado por Elisabeth Elliot em Através dos Portais do Esplendor (1957)
Linha do tempo
1928

Nascimento em Seattle

Nasceu em 23 de novembro, filho de Kenneth e Greta Fleming.

1941

Conversão aos 13 anos

Aceitou Cristo como Salvador após ouvir o testemunho de um evangelista cego.

1951

Mestrado em filosofia

Formou-se pela Universidade de Washington, onde também liderou o grupo cristão universitário.

1952

Viagem ao Equador

Partiu com Jim Elliot para trabalhar entre o povo quíchua na selva amazônica equatoriana.

29 jun 1954

Casamento com Olive Ainslie

Casou-se com a amiga de infância, que se juntou a ele no campo missionário.

2 jan 1956

Confirma entrada na Operação Auca

Depois de meses de hesitação e oração, confirmou sua participação dias antes da expedição, sendo o último do grupo a se juntar.

8 jan 1956

Martírio na praia do Curaray

Foi morto a lança junto com os outros quatro missionários no terceiro dia de contato com os huaoranis.

1957

Publicação de Através dos Portais do Esplendor

Elisabeth Elliot narrou a história do grupo, incluindo trechos do diário de Fleming.

décadas seguintes

Conversão de huaoranis

Anos depois, guerreiros que participaram do ataque, como Mincaye e Kimo, tornaram-se cristãos.

Obras e marcos

Reabertura da estação de Shandia

1952

Ao lado de Jim Elliot, reabriu entre o povo quíchua uma estação missionária abandonada e ajudou a criar um internato para meninos indígenas.

Formação em filosofia

1951

Concluiu mestrado em filosofia na Universidade de Washington antes de se dedicar integralmente ao trabalho missionário.

Estação de Puyupungu

1955

Com a esposa Olive, assumiu a estação missionária de Puyupungu, dando continuidade ao trabalho de evangelização e ensino entre os quíchuas.

Operação Auca

1955-1956

Uniu-se a quatro outros missionários no esforço de fazer o primeiro contato pacífico com o povo huaorani, então isolado na selva equatoriana.

Diário pessoal

Através dos Portais do Esplendor, 1957

Deixou um diário com reflexões espirituais sobre o chamado às missões, publicado postumamente por Elisabeth Elliot.

Contribuições
1

Símbolo do sacrifício missionário

Sua morte, ao lado de outros quatro missionários, tornou-se um dos episódios mais lembrados da história missionária evangélica do século 20.

2

Mobilização de uma geração

A repercussão do caso, ampliada pela imprensa da época e pelo livro de Elisabeth Elliot, levou muitos jovens a se candidatarem ao trabalho missionário.

3

Educação entre os quíchuas

O internato que ajudou a criar em Shandia deu continuidade ao acesso de crianças indígenas à alfabetização e ao ensino cristão.

4

Testemunho de um chamado ponderado

Seu diário, publicado postumamente, deixou um registro raro das dúvidas e convicções reais de um jovem diante de uma decisão de vida ou morte.

Legado missionário

A Operação Auca é hoje estudada em escolas de missões como estudo de caso sobre aproximação pacífica a povos isolados, embora também seja citada como exemplo de planejamento apressado e sem consulta prévia às agências missionárias envolvidas.

A conversão posterior de huaoranis, incluindo homens que participaram do ataque, é citada como exemplo de reconciliação entre povos e missionários.

Seu exemplo, ao lado de Jim Elliot, continua inspirando candidatos a missões transculturais entre povos ainda não alcançados pelo evangelho.

A história alimenta até hoje a reflexão sobre o custo pessoal e familiar do chamado missionário, sem esconder o preço pago pelas viúvas e famílias.

Outras pessoas