É difícil imaginar como Noemi se sentia quando disse às noras para voltarem para suas famílias: viúva, sem filhos, sem esperança de futuro em terra estrangeira. É nesse momento de perda total que Rute recusa o caminho mais fácil.
Rute era moabita, de um povo vizinho e muitas vezes hostil a Israel. Casou-se com um dos filhos de Elimeleque e Noemi, israelitas que haviam fugido de uma fome para Moabe. Em dez anos, morreram Elimeleque e os dois filhos, deixando três viúvas sem proteção nem herdeiros.
Quando Noemi decide voltar para Belém, pede que Rute e Orfa fiquem em Moabe, entre os seus. Orfa aceita, e ninguém a culparia por isso. Rute se agarra a Noemi e declara: “Aonde fores, irei; onde repousares, ali repousarei! O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus!” (Rute 1:16).
Em Belém, Rute sustenta as duas catando espigas atrás dos ceifeiros, trabalho reservado aos mais pobres. O campo pertencia a Boaz, parente de Elimeleque, que já tinha ouvido falar da lealdade dela e a abençoa: “Que seja generosamente recompensada pelo Senhor, o Deus de Israel, sob cujas asas você veio buscar refúgio!” (Rute 2:12).
Seguindo o costume da época, Noemi orienta Rute a pedir a Boaz que exerça o papel de resgatador, o parente que poderia redimir a terra da família e casar-se com a viúva para preservar o nome do morto. Boaz aceita, resolve um impedimento legal diante dos anciãos da cidade e se casa com Rute.
Do casamento nasce Obede, avô de Davi. Uma estrangeira sem direito algum sobre a promessa de Israel se torna elo da linhagem que geraria o maior rei de Israel, e mais tarde o Messias. A fidelidade quieta de Rute, exercida sem sinais nem milagres, foi tecida por Deus dentro da própria história da salvação.
