1867–1952

Missionário · Apologista cristão ao Islã

Samuel Zwemer

Resumo
Missionário holandês-americano que dedicou a vida à evangelização do mundo muçulmano no golfo Pérsico e no Egito. Chamado de Apóstolo do Islã, fundou a revista The Moslem World e inspirou gerações de missionários a levar o evangelho a povos até então pouco alcançados.
Quem foi
Biografia

Samuel Zwemer nasceu em 12 de abril de 1867, em Vriesland, Michigan, o décimo terceiro de quinze filhos de um pastor imigrante holandês. Cresceu numa casa de fé simples, cercado de irmãos que se tornariam professoras e pastores, um ambiente que moldou cedo seu senso de vocação.

Em 1887, no Hope College, ouviu o apelo de Robert Wilder, do Movimento Voluntário Estudantil, para levar o evangelho a povos ainda sem acesso a ele. Ordenado pastor pela Igreja Reformada da América em 1890, embarcou para o Oriente Médio decidido a alcançar o mundo muçulmano.

Ao lado de James Cantine, cofundou a Missão da Arábia em 1889, ainda como estudante de seminário, e passou anos em Basra e depois na ilha de Bahrein, então sob domínio britânico no Golfo Pérsico. Ali combinava pregação nas ruas, distribuição de literatura bíblica e cuidado médico simples, buscando conquistar confiança onde o cristianismo era praticamente desconhecido.

Em 1896 casou-se com Amy Wilkes, enfermeira que dividia com ele a vocação e as dificuldades do campo. Oito anos depois, em 1904, duas de suas filhas pequenas morreram de disenteria em Bahrein, uma dor que marcou profundamente o casal sem afastá-los do chamado.

Zwemer viu poucos muçulmanos professarem publicamente a fé cristã, um fato reconhecido por historiadores das missões: em quase quatro décadas de trabalho direto, o número de conversões visíveis foi pequeno. Ele próprio reconhecia que seu papel maior seria despertar a igreja, não contar convertidos.

Foi essa convicção que o levou a fundar, em 1911, a revista acadêmica The Moslem World, e a escrever dezenas de livros sobre o Islã e o desafio de evangelizá-lo, entre eles Arabia: The Cradle of Islam e The Glory of the Cross.

Depois de anos de serviço no Egito, tornou-se professor de história das religiões e missões cristãs em Princeton, de 1929 a 1937, formando uma geração de missionários e pesquisadores. Seus escritos da época, marcados pelo tom polêmico comum ao seu tempo em relação ao Islã, hoje são lidos reconhecendo tanto seu zelo quanto os limites do diálogo inter-religioso naquela geração.

Amy morreu subitamente de problemas cardíacos em 1937, depois de mais de quarenta anos de casamento. Em 1940 Zwemer casou-se novamente, com Margaret Clarke, que adoeceu ainda nos primeiros anos da união e morreu em 1950.

Morreu em 2 de abril de 1952, em Nova York, dois anos depois da morte de Margaret, logo após discursar três vezes num único dia num encontro da InterVarsity Christian Fellowship, quando sofreu um ataque cardíaco fatal, ainda falando sobre o que chamava de campos missionários desocupados. Seu legado permanece em centros de estudo que levam seu nome e no chamado renovado à igreja para pensar as missões entre os muçulmanos com rigor e amor.

Linha do tempo
1867

Nascimento em Vriesland, Michigan

Décimo terceiro de quinze filhos de um pastor imigrante holandês.

1887

Chamado às missões no Hope College

Responde ao apelo de Robert Wilder, do Movimento Voluntário Estudantil.

1889

Cofundação da Missão da Arábia

Ainda estudante de seminário, funda a Missão da Arábia com James Cantine.

1890

Ordenação e partida para o Oriente Médio

Ordenado pastor pela Igreja Reformada da América.

1891

Início do trabalho de campo em Basra e Bahrein

Estabelece-se em Basra e depois na ilha de Bahrein para dar início ao trabalho da Missão da Arábia.

1896

Casamento com Amy Wilkes

1904

Morte de duas filhas por disenteria em Bahrein

1911

Fundação da revista The Moslem World

1929

Professor em Princeton Theological Seminary

Leciona história das religiões e missões cristãs até 1937, após anos de serviço no Egito.

1937

Morte de Amy Wilkes

Morre subitamente de problemas cardíacos, após mais de quarenta anos de casamento.

1940

Segundo casamento, com Margaret Clarke

1950

Morte de Margaret Clarke

1952

Morte em Nova York

Sofre um ataque cardíaco fatal após discursar três vezes num mesmo dia num encontro da InterVarsity Christian Fellowship.

Obras e marcos

Cofundação da Missão da Arábia

1889

Com James Cantine, lançou a obra missionária reformada no Golfo Pérsico, ainda como estudante de seminário; o trabalho de campo o levaria a Basra e depois a Bahrein.

Arabia: The Cradle of Islam

1900

Primeiro livro de Zwemer, descreve a geografia, os costumes e o desafio missionário da península arábica aos leitores ocidentais.

Raymond Lull, First Missionary to the Moslems

1902

Biografia do missionário medieval Raimundo Lúlio, que Zwemer via como precursor do esforço evangelístico entre muçulmanos.

Fundação da revista The Moslem World

1911

Periódico acadêmico dedicado ao estudo do Islã e das missões cristãs entre muçulmanos, editado por Zwemer por 37 anos.

The Glory of the Cross

1928

Um de seus livros mais lidos, expõe a centralidade da cruz de Cristo como resposta ao Islã.

Cátedra em Princeton Theological Seminary

1929–1937

Tornou-se professor de história das religiões e missões cristãs, formando uma nova geração de missionários e pesquisadores.

Contribuições
1

Mobilização missionária em massa

Mais do que os poucos convertidos que viu pessoalmente, Zwemer despertou igrejas na América e na Europa para o mundo muçulmano, então quase ignorado pelas missões.

2

Fundação dos estudos cristãos sobre o Islã

Como editor de The Moslem World e professor em Princeton, ajudou a criar um campo acadêmico sério de reflexão sobre Islã e evangelização.

3

Produção literária extensa

Escreveu ou coescreveu dezenas de livros sobre o Islã, tornando-se referência obrigatória para missionários e estudiosos por gerações.

4

Assistência médica pioneira

Colaborou para levar cuidado médico missionário a Bahrein, unindo saúde e testemunho cristão numa região sem acesso à medicina ocidental.

Legado missionário

Deu nome a centros de estudo sobre missões ao mundo muçulmano que seguem formando missionários até hoje.

Seu conceito de campos missionários desocupados ajudou a moldar a estratégia missionária do século 20 voltada a povos sem acesso ao evangelho.

Abriu caminho para gerações de missionários e pesquisadores cristãos dedicados ao testemunho entre muçulmanos.

Lembra à igreja que fidelidade em campos difíceis vale mais que resultados rápidos e visíveis.

Outras pessoas