1805–1848

Poetisa · Hinista

Sarah Flower Adams

Resumo
Poetisa inglesa do século 19, de tradição unitarista, autora dos versos de Mais perto quero estar (Nearer, My God, to Thee). Inspirado no sonho da escada de Jacó em Betel, o hino atravessou fronteiras doutrinárias e se tornou um dos mais cantados da cristandade.
Quem foi
Biografia

Quem nunca cantou “mais perto, meu Deus, de ti” em um velório, num hospital ou num momento de dor, sem saber quem escreveu aquelas palavras? A autora foi uma mulher inglesa do século 19, marcada pela perda e pela doença, que buscou expressar em versos simples o anseio universal por proximidade com Deus.

Sarah Fuller Flower nasceu em 22 de fevereiro de 1805, em Harlow, no condado de Essex. Filha do editor e ativista Benjamin Flower, perdeu a mãe ainda criança e cresceu em um lar de ideias liberais, educada pelo pai em meio a debates sobre liberdade religiosa e social.

Após a morte do pai, ela e a irmã, a compositora Eliza Flower, passaram a viver sob os cuidados do pastor unitarista William Johnson Fox, em Londres. Ali se tornaram parte de um círculo intelectual que incluía o poeta Robert Browning e a escritora Harriet Martineau.

Sarah tentou a carreira de atriz, interpretando Lady Macbeth em 1837 com boa recepção, mas a saúde frágil, agravada por uma surdez herdada do pai, a fez abandonar os palcos. Voltou-se então à escrita, publicando poemas e peças, entre eles o poema dramático Vivia Perpetua, sobre uma jovem mártir cristã e a liberdade de consciência.

Sua fé seguia a tradição unitarista, que discorda da doutrina da Trindade professada pela maioria das igrejas cristãs. Foi nesse contexto, escrevendo hinos para o hinário do seu pastor, que ela compôs, por volta de 1841, os versos que se tornariam Mais perto quero estar, inspirados no sonho da escada de Jacó, em Betel.

O hino atravessou fronteiras doutrinárias e se tornou um dos cânticos mais amados da cristandade, cantado em funerais, hospitais e momentos de provação ao redor do mundo. A tradição, sem confirmação histórica definitiva, de que a banda do Titanic o tocou enquanto o navio afundava, em 1912, ajudou a consagrá-lo na memória popular.

Sarah morreu de tuberculose em 14 de agosto de 1848, aos 43 anos, dois anos depois de cuidar da irmã Eliza, vítima da mesma doença. Foi sepultada ao lado dela e dos pais, no cemitério de Foster Street, perto de Harlow.

Seus versos seguem ensinando que a proximidade com Deus não depende de conforto ou de circunstâncias favoráveis, mas pode ser buscada em meio à dor, à dúvida e à perda. É esse anseio, simples e universal, que continua a unir cristãos de tradições diferentes ao redor do mundo.

Linha do tempo
1805

Nascimento em Harlow, Essex

Nasce em 22 de fevereiro, filha do editor e ativista Benjamin Flower.

1810

Morte da mãe

Eliza Gould Flower morre quando Sarah tinha cerca de cinco anos.

1829

Morte do pai

Sarah e a irmã Eliza passam a viver sob os cuidados do pastor unitarista William Johnson Fox.

1834

Casamento

Casa-se com o engenheiro e escritor William Bridges Adams.

1837

Estreia como atriz

Interpreta Lady Macbeth em Richmond, antes de a saúde frágil encerrar a carreira nos palcos.

1840-1841

Hinos para Hymns and Anthems

Contribui com treze hinos para o hinário organizado por William Johnson Fox, entre eles Mais perto quero estar.

1841

Publicação de Vivia Perpetua

Lança o poema dramático sobre uma jovem mártir cristã.

1846

Morte da irmã Eliza

Eliza Flower morre de tuberculose, doença que também acometia Sarah.

1848

Morte de Sarah Flower Adams

Morre de tuberculose em 14 de agosto, aos 43 anos, em Londres.

Obras e marcos

Mais perto quero estar (Nearer, My God, to Thee)

1841

O hino que a tornou conhecida mundialmente, inspirado no sonho da escada de Jacó em Betel, escrito para o hinário de seu pastor.

He sendeth sun, he sendeth shower

1841

Outro de seus hinos mais conhecidos, cantado em seu próprio funeral em 1848.

Contribuição de treze hinos ao hinário Hymns and Anthems

1840-1841

Coletânea organizada pelo pastor William Johnson Fox para a capela unitarista de South Place, em Londres.

Vivia Perpetua

1841

Poema dramático em cinco atos sobre uma jovem mártir cristã, tratando de fé, liberdade de consciência e o papel da mulher.

The Flock at the Fountain

1845

Catecismo devocional simples voltado à instrução religiosa de crianças.

Contribuições
1

Um hino que atravessou tradições

Mais perto quero estar, nascido em um hinário unitarista, passou a ser cantado em igrejas de quase todas as tradições cristãs, tornando-se um dos hinos mais difundidos da língua inglesa.

2

Voz pela liberdade religiosa e das mulheres

Em Vivia Perpetua e em poemas políticos, defendeu a liberdade de consciência, os direitos das mulheres e a causa dos trabalhadores, temas incomuns na poesia devocional de sua época.

3

Educação cristã para crianças

Escreveu The Flock at the Fountain, um catecismo simples para a instrução religiosa infantil, preocupação com a formação das novas gerações na fé.

4

Parte de um círculo literário e religioso influente

Sua convivência com Robert Browning, Harriet Martineau e o pastor William Johnson Fox a inseriu em um ambiente de debate intelectual que moldou a poesia religiosa vitoriana.

Legado missionário

Mais perto quero estar segue sendo cantado em funerais, hospitais e momentos de crise em incontáveis países e denominações, testemunho universal do anseio por proximidade com Deus.

Capelães e obreiros usam o hino em contextos de perda, catástrofe e sofrimento como expressão simples e direta de confiança em Deus, independentemente da tradição do ouvinte.

Sua ênfase devocional, centrada na busca pessoal por Deus mais do que em formulações doutrinárias, ajudou a criar um repertório comum entre cristãos de tradições diferentes.

Traduzido para dezenas de línguas em hinários evangélicos ao redor do mundo, o hino tornou-se ponto de contato entre igrejas de culturas muito distintas.

Outras pessoas