Antes de discursar diante de multidões de cem mil pessoas, Tommy Lee Osborn foi um menino descalço numa fazenda de batatas em Oklahoma, o caçula de treze irmãos. A pobreza da Grande Depressão e o pouco estudo formal, apenas até a oitava série, marcaram sua infância.
Aos 13 anos, converteu-se numa igreja pentecostal em Mannford. Dois anos depois, ainda ordenhando vacas na fazenda da família, relatou ter sentido o chamado de Deus para ser evangelista, uma experiência que descreveu como rir e chorar ao mesmo tempo.
Aos 18 anos, casou-se com Daisy Washburn, um ano mais nova que ele. Alguns anos depois, já com 21 anos, partiu com ela para a Índia como missionário, mas a viagem terminou em menos de um ano, marcada por doença na família e pouca resposta ao evangelho entre hindus e muçulmanos em Lucknow.
O casal voltou aos Estados Unidos desanimado. Em 1947, numa campanha em Portland, Osborn viu de perto o ministério de cura de William Branham e decidiu incorporar a oração pelos enfermos à própria pregação, período em que também se aproximou de outros evangelistas de cura da época, como Oral Roberts, com quem manteve amizade por décadas.
Na década de 1950, os Osborn deslocaram o centro do trabalho para fora dos Estados Unidos. Tornaram-se pioneiros em pregar ao ar livre, em praças e campos abertos de nações não cristãs, reunindo multidões de até trezentas mil pessoas na Ásia, na África e na América Latina.
Ensinavam que a cura física era parte da salvação e que bastava fé para recebê-la, mensagem registrada em livros como Healing the Sick, de 1951. A partir dos anos 1960, porém, Osborn também passou a ser associado à teologia da prosperidade e a exibições ostensivas de riqueza pessoal.
Essa ênfase absoluta na cura pela fé, comum aos evangelistas de sua geração, foi criticada por historiadores do pentecostalismo por atribuir aos doentes não curados a culpa de não crerem o bastante, um ponto sensível até hoje.
Ao lado de Daisy, sua colaboradora e correditora de livros, formou em Tulsa a organização evangelística OSFO e, a partir de 1953, passou a sustentar financeiramente milhares de pastores e evangelistas locais em dezenas de países. Ela morreu em 1995, após 53 anos de casamento; ele seguiu viajando e pregando por mais 15 anos, até morrer em Tulsa, em 2013, aos 89 anos.