As acusações de blasfêmia como arma de perseguição não são novidade no Paquistão. O que é novo, segundo um relatório publicado em junho de 2026, é a existência de uma rede organizada e profissionalizada que ativamente tenta armar armadilhas para cristãos e outras minorias religiosas usando acusações fabricadas. Membros dessa rede — que pode ser chamada de “indústria da blasfêmia” — trabalham deliberadamente para provocar e depois denunciar membros de minorias religiosas, transformando o sistema legal em uma ferramenta de extorsão e perseguição sistemática.
As leis de blasfêmia do Paquistão, especialmente as Seções 295-B e 295-C do Código Penal, preveem prisão perpétua ou pena de morte para quem insultar o Islã ou o profeta Maomé. Na prática, essas leis têm sido desproporcionalmente aplicadas contra cristãos, hindus e muçulmanos ahmadis. Uma vez que uma acusação de blasfêmia é feita, os acusados frequentemente ficam presos preventivamente por anos aguardando julgamento — mesmo que a acusação seja flagrantemente falsa —, pois juízes e policiais têm medo de serem vistos como “defensores de blasfemos”. O mero rumor de blasfêmia já foi suficiente para desencadear linchamentos e ataques a comunidades inteiras.
O relatório documenta como agentes da “indústria da blasfêmia” abordam cristãos desprevenidos em situações cotidianas, gravam conversas editadas fora de contexto e as apresentam à polícia como “evidência” de blasfêmia. Em alguns casos, simplesmente manter uma Bíblia ou compartilhar conteúdo cristão no celular tem sido suficiente para desencadear uma acusação. Organizações como a ADF International, a Release International e a Barnabas Fund têm trabalhado para oferecer assistência jurídica a vítimas dessas acusações fabricadas, mas o volume de casos supera em muito a capacidade de resposta.
Ore por todos os cristãos paquistaneses que enfrentam acusações falsas de blasfêmia, pedindo libertação imediata e proteção divina. Interceda pelos advogados e ativistas que arriscam suas próprias vidas para defender as vítimas das leis de blasfêmia no Paquistão. Peça a Deus que mova o coração de legisladores paquistaneses para reformar essas leis que são usadas sistematicamente para perseguir minorias. Clame para que a Igreja no Paquistão permaneça corajosa e unida, e que o evangelho continue transformando vidas mesmo no país número 7 da lista de perseguição mundial.


