Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os amdo hbrogpa são pastores tibetanos do planalto de Amdo, no nordeste do Tibete histórico, hoje repartido entre as províncias chinesas de Qinghai, Gansu e Sichuan. Seu nome já revela quem são: hbrogpa significa “gente das pastagens”, em contraste com os tibetanos agricultores dos vales. Vivem nas vastas estepes de altitude que se estendem do lago Qinghai até as montanhas ao sul, um território de invernos duríssimos e horizontes abertos.
Falam um dialeto próprio do tibetano de Amdo, tão distinto de outras variantes tibetanas que dificulta a comunicação até com vizinhos de outras regiões do planalto. Essa língua carrega a identidade de um povo que se define pelo laço com os animais e com a terra: são iaques, cavalos e rebanhos que moldam o calendário, o vestuário e até a arquitetura móvel de suas casas de pelo.
Os amdo hbrogpa descendem dos povos tibetanos que ocuparam o planalto de Amdo há mais de um milênio, na periferia dos grandes centros políticos do Tibete central. Por ficar afastada, a região preservou por séculos uma vida pastoril praticamente intocada, organizada em torno de clãs e do deslocamento sazonal dos rebanhos entre pastagens de verão e de inverno, mesmo depois de passar ao controle de sucessivos governos chineses a partir do século XVIII.
No século XX, porém, a chegada do Estado comunista trouxe mudanças profundas: coletivização, políticas de sedentarização e décadas de instabilidade que marcaram a memória coletiva do povo. Mesmo assim, o vínculo com o pastoreio e com a identidade budista tibetana permanece o eixo que une as famílias amdo hbrogpa através das diferentes províncias onde hoje vivem.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
China Não alcançado
|
100%
|
738.000 |
A vida gira em torno dos rebanhos de iaques, ovelhas e cabras, que fornecem quase tudo: carne, leite, lã, couro e o pelo de iaque com que se tecem as tendas negras, erguidas e desmontadas a cada mudança de pasto. A base da alimentação é o tsampa, farinha de cevada torrada misturada a manteiga e chá, acompanhada do chá de manteiga que aquece nas madrugadas frias do planalto.
A honra, a generosidade com o hóspede e a destreza a cavalo são valores muito prezados. Festivais de verão reúnem famílias de diferentes acampamentos para corridas de cavalo, canto e dança, momentos em que a identidade comum aos hbrogpa se reafirma para além das distâncias entre pastagens.
Os amdo hbrogpa são budistas tibetanos, e sua fé se mistura a práticas mais antigas da religião bon, ligada aos espíritos da terra, das montanhas e dos lagos que cercam suas pastagens. Mosteiros e lamas orientam o calendário religioso, e é comum ver bandeiras de oração tremulando ao vento e rodas de oração giradas à mão pelos caminhos.
Para este povo, ser budista tibetano não é apenas uma opção de fé: é parte inseparável de ser hbrogpa e de pertencer à terra dos ancestrais. Essa fusão entre religião e identidade étnica torna qualquer mudança de crença algo que toca a própria pertença à família e ao clã.
O Novo Testamento no dialeto amdo do tibetano já existe, incluindo versões em áudio, mas chegou há pouco tempo e ainda circula pouco entre as famílias pastoris, muitas delas afastadas dos poucos centros urbanos da região. A vida nômade e a baixa alfabetização em escrita tibetana dificultam o acesso direto ao texto escrito, tornando o áudio e a oralidade caminhos especialmente importantes para que a Palavra alcance os acampamentos espalhados pelo planalto.
Entre os amdo hbrogpa, a identidade budista tibetana está tão entrelaçada à identidade étnica que abraçar outra fé é sentido como abandonar o próprio povo. A vida nômade, o isolamento das pastagens de altitude e a distância dos poucos centros urbanos tornam raro o contato com qualquer comunidade cristã, e a autoridade religiosa dos mosteiros reforça a coesão em torno da tradição budista.
Décadas de mudanças políticas e de pressão para abandonar o modo de vida pastoril trouxeram incerteza sobre o futuro das próximas gerações de hbrogpa. Some-se a isso o rigor do clima do planalto e a distância dos serviços de saúde e educação, realidade comum às famílias que vivem espalhadas pelas pastagens.
Espiritualmente, o povo carece quase por completo de qualquer testemunho cristão em sua própria língua e cultura: há poucos discípulos de Jesus entre os hbrogpa, e praticamente nenhuma comunidade de fé enraizada em seus costumes e em seu modo de vida nômade.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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