Povo
CharlesFred - Flickr, CC BY-NC-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os árabes tihamis vivem na estreita planície costeira do mar Vermelho conhecida como Tihama, que se estende pelo oeste do Iêmen até o sul da Arábia Saudita. Descendem de tribos antigas da região, entre elas os akk e os asha’ira, com raízes que remontam a milênios antes do islã chegar à Arábia.
A faixa costeira sempre foi caminho de passagem entre a Ásia e a África, e esse cruzamento de rotas deixou marcas visíveis na cultura tihami: traços, culinária e música que remetem ao outro lado do mar Vermelho, distintos das tradições do interior árabe. Essa mistura dá aos tihamis uma identidade própria dentro do mundo árabe, ligada à terra, ao mar e a uma memória comercial antiga.
Vivendo entre dunas de areia e um litoral árido, com poucos oásis, os tihamis mantiveram por séculos um modo de vida moldado pelo clima quente e pela proximidade com o mar, que segue central para seu sustento e para o modo como se enxergam diante dos demais povos da península.
A Tihama foi, por séculos, cobiçada por impérios distantes: otomanos, portugueses e outras potências marítimas disputaram o controle de seus portos, importantes na rota do café que saía da Arábia rumo ao mundo. Essa posição estratégica trouxe riqueza passageira, mas também sucessivas ocupações que pouco beneficiaram quem vivia na região.
Ao longo do tempo, os tihamis foram tratados por diferentes governantes mais como fonte de impostos e recursos portuários do que como população a ser integrada ao poder central. Essa história de estar à margem das decisões, mesmo ocupando um território de valor econômico, ajudou a moldar uma identidade regional forte, distinta da dos grupos que historicamente governaram a partir do interior.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Iêmen Não alcançado
|
94,6%
|
3.118.000 |
Arábia Saudita Não alcançado
|
5,4%
|
178.000 |
A vida na Tihama gira em torno da terra e do mar: muitas famílias sustentam-se da agricultura em oásis e da pesca ao longo do litoral, num ambiente árido que exige trabalho constante para garantir o alimento de cada dia. A hospitalidade e a generosidade são valores centrais, e receber bem quem chega é parte da honra da família.
A honra, aliás, ocupa lugar de destaque na vida social: preservá-la diante da comunidade e da família é prioridade que atravessa gerações. Em muitos aspectos do dia a dia, costumes locais e tradições de longa data pesam tanto quanto as normas religiosas formais, dando à cultura tihami um caráter próprio dentro do mundo árabe.
Os tihamis são majoritariamente muçulmanos, seguindo a escola jurídica sunita xafiíta, mais moderada em vários costumes locais do que a interpretação zaidita predominante em outras partes do Iêmen. Essa diferença de escola islâmica não é apenas doutrinária: também marca a identidade tihami diante de quem historicamente deteve o poder político na região.
Como em boa parte do mundo árabe, a fé islâmica está profundamente entrelaçada com a identidade tihami: ser tihami é, na prática, ser muçulmano, e a prática religiosa convive lado a lado com costumes e tradições locais transmitidos de geração em geração. A oração cinco vezes ao dia, o jejum do Ramadã e a peregrinação a Meca, quando possível, marcam o ritmo da vida coletiva, ao lado de festas e celebrações que reúnem famílias inteiras em torno da mesquita local.
A língua do coração dos tihamis é o árabe taizzi-adeni, falado no sul do Iêmen. Ainda não existe uma Bíblia completa nesse dialeto: apenas algumas porções das Escrituras foram traduzidas até hoje. Há, no entanto, material bíblico em áudio e vídeo disponível na língua, pensado para um povo em que a tradição oral tem grande peso. Para a imensa maioria dos tihamis, o contato com a Palavra de Deus na própria língua ainda é praticamente inexistente.
Ser tihami é, para a grande maioria, ser muçulmano: abandonar o islã é visto como romper com a família, o clã e a própria terra. A isso somam-se anos recentes de conflito armado e ocupação militar na região, que impuseram violência, deslocamento forçado e controle rígido sobre a vida cotidiana, tornando ainda mais raro o contato de um tihami com qualquer testemunho cristão. A ausência quase completa de igrejas locais e de crentes da própria cultura fecha o ciclo de isolamento espiritual.
Décadas de instabilidade, ocupação militar e disputa pelo controle dos portos da Tihama trouxeram violência, deslocamento e insegurança para famílias inteiras, muitas das quais já viviam de recursos escassos tirados da terra árida e do mar. Há necessidade urgente de paz, de proteção diante de abusos de poder e de reconstrução da vida econômica na região.
No campo espiritual, a carência é igualmente grande: praticamente não há comunidade cristã tihami, discipulado ou apoio para quem, eventualmente, viesse a se interessar pelo evangelho. Quem der esse passo precisaria enfrentá-lo sozinho, sem qualquer rede de apoio na própria cultura.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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