Povo não alcançado

Arara do Rondonia

População300
IdiomaKaro (Brasil)
ReligiãoReligiões Étnicas
Pouco alcançado
0,8%
Evangélicos
Religiões Étnicas/Animismo Latino-AmericanosIndígenas Sul-Americanos
Quem são

Os karo, também chamados arara de Rondônia, são um povo indígena que vive às margens do médio rio Ji-Paraná, no interior da Amazônia brasileira. Vivem hoje nas aldeias de Iterap e Paygap, dentro da Terra Indígena Igarapé Lourdes, terra que dividem com o povo Gavião.

Falam a língua karo, da família ramarama, um dos ramos do tronco tupi, com traços gramaticais raros como classificadores que descrevem a forma dos objetos e marcadores que indicam a origem da informação contada. O nome pelo qual são conhecidos fora da aldeia, arara, vem justamente do significado da palavra karo na própria língua.

Sua história recente é marcada por um contato tardio e violento com o entorno: viveram isolados até meados do século vinte, e o encontro com seringueiros e depois com o Estado brasileiro custou caro à sua população.

História e origem

Os karo tiveram os primeiros contatos com seringueiros e trabalhadores da borracha ainda nas primeiras décadas do século vinte, mas foi só em 1949 que o órgão indigenista da época promoveu um contato oficial e mais amplo com o povo. O resultado foi trágico: doenças trazidas de fora dizimaram boa parte da população, e muitos sobreviventes acabaram trabalhando nos seringais da região.

A recuperação demográfica e o reagrupamento em aldeias vieram apenas nas décadas seguintes, e a terra onde vivem hoje só foi oficialmente demarcada em 1986. Desde então, o povo tem reconstruído aos poucos sua vida comunitária, ainda que boa parte da organização social tradicional tenha se transformado ao longo desse século de contato.

Onde vivem
1
País
300
População
PaísParcela do povoPopulação
Brasil Pouco alcançado
100%
300
Como vivem

Vivem em duas aldeias, Iterap e Paygap, dentro da Terra Indígena Igarapé Lourdes, sustentando-se da roça de mandioca e milho, da pesca com anzol e com o timbó, planta que atordoa os peixes nos igarapés, e da caça com espera em esconderijos. O artesanato de sementes, cestos, arcos e flechas ainda marca o cotidiano, embora costumes antigos como a pintura corporal com jenipapo tenham praticamente desaparecido.

O casamento é uxorilocal: o genro passa a viver e trabalhar junto à família da esposa. Essa rede de parentesco, mais do que qualquer instituição externa, ainda organiza boa parte da vida social depois de décadas de contato com o mundo ao redor.

No que creem

A cosmologia karo guarda mitos de origem que explicam o bem e o mal a partir da história de dois irmãos de temperamentos opostos, e outras narrativas tradicionais associam a árvore do jatobá à origem dos primeiros habitantes da região. Boa parte desse conhecimento tradicional, porém, já se perdeu ao longo do último século de contato com o mundo exterior.

O pajé segue sendo uma figura de respeito na aldeia, reconhecido por seu poder de cura e por seu papel de conselheiro. A Festa do Jacaré, celebrada anualmente na aldeia Paygap, é hoje um dos poucos momentos em que a cosmologia e a identidade karo são reafirmadas coletivamente, com o pajé à frente dos cantos e danças.

Idioma e Bíblia

A língua karo, da família ramarama, tronco tupi, é falada por praticamente toda a aldeia, enquanto o português serve para o contato com o entorno. Não há Bíblia completa nesse idioma: o que existe são apenas trabalhos iniciais de tradução de alguns textos e poucos registros em áudio, ainda insuficientes para que a Palavra circule de fato entre as famílias na própria língua do coração.

A Bíblia na língua deste povo

Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.

Karo (Brasil) Tradução iniciada
Gravações em áudio Disponível Filme Jesus Não disponível

Dados de tradução: Joshua Project.

Progresso do evangelho entre os não alcançados
Cristãos (todas as tradições)20%
Evangélicos0,8%
Barreiras ao evangelho

A identidade karo está profundamente ligada às religiões étnicas e à figura do pajé, respeitado como guardião do conhecimento e da saúde da aldeia: abraçar outra fé pode soar como abandono da própria cultura. O isolamento geográfico dentro da terra indígena, a convivência às vezes tensa com o povo vizinho e a ausência quase total de igreja ou de material cristão na língua karo mantêm esse povo distante de qualquer testemunho do evangelho.

Necessidades

Depois de décadas marcadas por epidemias e pela perda de parte de sua população original, os karo ainda enfrentam desafios de saúde e de acesso a serviços básicos dentro da terra indígena. A convivência de longa data com o povo Gavião na mesma área, embora normalmente pacífica, também pede atenção e mediação constantes.

No campo espiritual, a maior carência é a ausência quase completa de qualquer testemunho cristão na própria língua: não há comunidade de fé karo, nem porções bíblicas suficientes para que o povo conheça a pessoa de Jesus em seus próprios termos e sua própria língua.

Pelo que orar
Interceda por este povo
Pela saúde e pelo bem estar do povo karo depois de gerações marcadas por epidemias.
Por paz e boa convivência entre os karo e o povo Gavião que divide a mesma terra indígena.
Por tradução e acesso às Escrituras na língua karo.
Pelo surgimento de um primeiro testemunho cristão vivido dentro da própria cultura karo.
Pela preservação da língua e da identidade karo diante da pressão do mundo ao redor.
Por proteção sobre as crianças e os jovens das aldeias de Iterap e Paygap.
Por obreiros dispostos a aprender a língua e a cultura karo com respeito e paciência.

Ore por Arara do Rondonia

Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.

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