Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os avares são o maior povo do Daguestão, na região montanhosa do Cáucaso Norte, na Rússia, onde se autodenominam maarulal, algo como “montaneses, os que habitam as terras mais altas”. Vivem também em números menores em países vizinhos como Azerbaijão, Geórgia e Cazaquistão, herança das migrações do período soviético.
Sua identidade se formou ao longo de séculos entre picos e vales isolados, onde cada aldeia guardava fortes traços próprios de dialeto e costume até serem reunidas sob uma única denominação étnica no século XX. Um rígido código de honra e vergonha, talvez o mais marcante entre os povos do Daguestão, segue orientando as relações familiares e comunitárias.
Conhecidos por sua resistência histórica e apego à liberdade, os avares carregam com orgulho a memória da longa luta que travaram contra a expansão do Império Russo no século XIX.
Os avares descendem de povos caucasianos que habitam o interior montanhoso do Daguestão desde a Antiguidade, formando um dos grupos mais antigos da região. A partir do século XII, o islã foi se firmando entre eles, tornando-se por volta do século XIV a fé predominante e um pilar da identidade coletiva.
No século XIX, os avares protagonizaram a resistência à expansão do Império Russo no Cáucaso, liderados pelo imã Shamil, que uniu Daguestão e Chechênia numa luta de quase três décadas, até se render em 1859. Já no século XX, o poder soviético reuniu numerosos grupos locais aparentados sob a identidade avar unificada que existe hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Rússia Não alcançado
|
100%
|
897.000 |
Tradicionalmente ligados à criação de ovelhas e cabras e ao cultivo em terraços esculpidos nas encostas íngremes do Cáucaso, os avares organizaram por séculos aldeias de pedra construídas em degraus, quase coladas umas às outras nas montanhas onde vivem a mais de dois mil metros de altitude. O trabalho era dividido com clareza: aos homens cabiam a construção, o preparo da terra e o pastoreio; às mulheres, o processamento dos derivados do leite e boa parte da lavoura nas encostas mais difíceis de alcançar.
A vida em aldeia ainda molda os costumes de muitos avares, mesmo com a migração para cidades como Makhachkala. A hospitalidade, o respeito aos mais velhos e a lealdade ao clã continuam centrais na convivência diária, junto com um forte apego à língua e às tradições transmitidas de geração em geração.
Os avares são majoritariamente muçulmanos sunitas, fé que se consolidou entre eles a partir do século XII e se tornou inseparável da identidade coletiva do povo. Ser avar e ser muçulmano são, na prática cotidiana, quase a mesma coisa, e a religião permeia desde os ritos familiares até o próprio código de honra que rege a vida comunitária.
Ao lado do islã oficial, sobrevivem elementos de religiosidade popular ligados às tradições de montanha, especialmente no respeito aos antepassados e em costumes locais de proteção e sorte, embora sem se apresentarem como alternativa à fé muçulmana, apenas como camada adicional dela.
O avar já recebeu porções bíblicas ao longo de décadas: os evangelhos, o Novo Testamento completo e alguns livros do Antigo Testamento, incluindo Gênesis, foram traduzidos e publicados. Ainda assim, o acesso direto às Escrituras é limitado pela distância entre as aldeias de montanha e os centros urbanos, e pela forte identificação da língua com a cultura muçulmana local, o que dificulta a circulação de textos cristãos entre as famílias.
Entre os avares, a identidade étnica está fundida ao islã sunita há séculos, de modo que abandonar a fé muçulmana é lido como trair não apenas a religião, mas o clã e a memória da resistência ao domínio estrangeiro. O código de honra e vergonha, um dos mais rígidos entre os povos do Cáucaso, faz da conversão um risco social e familiar profundo. A isso somam-se o isolamento das aldeias de montanha e a quase ausência de comunidades cristãs na região, o que torna raro qualquer contato com o evangelho.
Muitas comunidades avares nas montanhas do Daguestão enfrentam isolamento geográfico, infraestrutura precária e a migração dos mais jovens para as cidades em busca de trabalho, o que fragiliza a vida das aldeias tradicionais e dispersa famílias inteiras. Espiritualmente, a carência é ainda maior: praticamente não há comunidades cristãs locais, discipulado ou testemunho vivo do evangelho ao alcance das famílias avares, o que deixa muitos sem qualquer referência concreta da fé cristã em sua própria língua e cultura, mesmo com porções das Escrituras já disponíveis em avar.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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