Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os baloch lishari são um dos muitos subgrupos do povo baloch, um dos maiores povos do Paquistão, vivendo majoritariamente na província de Sindh, com uma parcela também no Baloquistão. Falam uma variante do balochi meridional e carregam, como toda a família baloch, uma identidade forjada nas paisagens áridas de montanhas rochosas e vales de rios secos, uma região que já conheceu fartura de água e hoje é marcada pela escassez.
O que distingue os lishari dentro do grande mosaico baloch é sobretudo o nome do clã, herdado de um ancestral comum, e uma reputação histórica de isolamento: por muito tempo viveram afastados de outros grupos por causa do relevo difícil e de uma fama antiga de bandidagem, hoje relegada ao passado. Como os demais baloch, orgulham-se de uma rica tradição de poesia e canto, transmitida oralmente muito antes de existir qualquer escrita entre eles.
Segundo a tradição do próprio povo, os baloch descendem de Hazrat Ameer Hamza, tio do profeta Maomé, com raízes mais antigas na região de Alepo, na Síria. Estudos linguísticos, porém, situam o berço do povo a leste ou sudeste da região central do mar Cáspio. A partir do século XII, migrações levaram os baloch ao território que, já no período mogol, passou a ser conhecido como Baloquistão, e foi nesse processo de assentamento em clãs que se formou o ramo lishari.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
169.000 |
O casamento entre os lishari é arranjado entre o pai da noiva e o pretendente, selado com o pagamento de um preço em gado e dinheiro. As uniões são monogâmicas e feitas para durar a vida inteira, e casar-se fora do próprio povo é algo que a maioria dos clãs baloch simplesmente não admite. Depois do casamento, a mulher passa a viver sob a autoridade do marido, e adornos de ouro marcam sua posição social.
A vida cotidiana é regida pelo balochmayar, o antigo código de honra que ensina hospitalidade, misericórdia, honestidade nos negócios e o dever de acolher o estranho que bate à porta. Como grande parte do povo historicamente não sabe ler nem escrever, esses valores se transmitem por cantigas de ninar, poesia e histórias contadas pelas mães, uma forma de guardar o saber que atravessa gerações.
Quase todos os lishari são muçulmanos sunitas, com uma pequena minoria xiita. Creem que Alá é o único Deus e que falou por meio do profeta Maomé, seguindo os pilares clássicos do islã: a profissão de fé, a oração cinco vezes ao dia voltados para Meca, o jejum do Ramadã, a esmola aos pobres e o desejo de peregrinar a Meca ao menos uma vez na vida.
Ao lado dessa fé formal, porém, Alá é sentido como distante demais para as urgências do cotidiano, e por isso é comum recorrer a amuletos e talismãs em busca de proteção e ajuda do mundo espiritual. Essa mistura entre o islã oficial e as práticas populares molda boa parte da religiosidade vivida nas casas e nas aldeias lishari.
O Novo Testamento já existe em balochi meridional, língua que os lishari compartilham com outros ramos do povo baloch, e hoje há gravações em áudio, o filme Jesus e aplicativos de celular com esse conteúdo. Diante de um povo em que a palavra escrita nunca teve o mesmo peso da palavra cantada e contada de geração em geração, esses recursos em voz e imagem podem chegar onde um livro sozinho dificilmente chegaria.
Ser lishari é ser muçulmano: a fé sunita está entrelaçada à honra do clã, e abandoná-la é vista como trair ao mesmo tempo a família e o povo. O isolamento histórico, imposto pelo relevo árido e por uma antiga desconfiança em relação a estranhos, dificulta que qualquer mensagem de fora encontre ouvidos. A própria regra que proíbe casar-se fora do grupo reforça essa fronteira invisível, e a baixa alfabetização limita o alcance de qualquer material que dependa apenas da leitura.
Comunidades lishari ainda enfrentam a falta de água potável, escolas e hospitais em uma região árida e pobre, carências que pesam sobre a saúde, a educação e o futuro das famílias. O isolamento geográfico soma-se a essas dificuldades, tornando mais difícil o acesso a serviços básicos que outras partes do Paquistão já conhecem.
Ao lado dessas necessidades materiais, permanece a maior de todas: a chance de conhecer a vida plena que Jesus Cristo oferece, hoje praticamente ausente do horizonte espiritual de um povo que até aqui só conheceu o islã como caminho de fé.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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