Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os bedar formam um povo de raízes dravídicas, concentrado sobretudo no estado indiano de Karnataka, com presença também no Paquistão. O próprio nome deriva de uma palavra que significa caçador, herança de um passado em que a comunidade era reconhecida pela pontaria e pela coragem no mato. Em Maharashtra são chamados de ramoshi, e em Andhra Pradesh, de boya, sinal de como o mesmo povo recebeu nomes diferentes conforme a região onde se fixou.
Muitos preferem ser chamados de naikwadi, título ligado à função histórica de guardas e vigias de aldeia, um papel que ainda hoje marca a identidade do grupo. A vida gira em torno da terra e do trabalho manual, e a comunidade mantém um forte senso de pertencimento a clãs e subgrupos, cada um com seus próprios costumes e alianças de casamento.
A trajetória dos bedar está ligada à história militar do sul da Índia. Durante os governos de Hyder Ali e de Tipu Sultan, homens do povo foram recrutados como soldados irregulares e guardas das colinas, remunerados em troca do serviço, e ficaram conhecidos como atiradores hábeis e incansáveis em combate. Com o fim desse papel militar, a comunidade se voltou gradualmente para a agricultura e para ofícios como pedreiro, ferreiro e carpinteiro, mantendo em algumas regiões a função tradicional de vigilância que dá origem ao nome naikwadi.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
99,8%
|
2.659.000 |
Paquistão Não alcançado
|
0,2%
|
6.200 |
A comunidade se organiza em subgrupos distintos, alguns que comem carne de aves e bebem álcool, outros que se abstêm de ambos por tradição religiosa, uma divisão que molda encontros familiares e alianças de casamento. Dentro desses subgrupos existem ainda clãs identificados por nomes de animais, que regulam quem pode se casar com quem, de modo que o casamento só acontece entre famílias do mesmo grupo dietético e de clãs diferentes.
Do ofício de caçadores e soldados, os bedar migraram para o trabalho na terra, a construção e o serviço como vigias, guardas e funcionários públicos, muitos ainda usando títulos de liderança herdados dos antigos chefes de aldeia. A vida comunitária gira em torno da aldeia, da família extensa e das obrigações mútuas entre os clãs.
Os bedar são hindus, devotos sobretudo de Venkataramanaswami, forma de Vixnu venerada no santuário de Tirupati, além de divindades locais como Mariamma e Uligamma, ligadas à proteção da aldeia e à cura. É comum o oferecimento de ovelhas e cabras em sacrifício a essas divindades, prática que reforça o vínculo entre a fé e a vida cotidiana da comunidade.
Sacerdotes brâmanes conduzem os principais ritos, e em algumas áreas essa função cabe a sacerdotes lingaiates. O calendário religioso segue as grandes festas hindus, como Diwali, Dassera e Holi, celebradas com a mesma devoção de outras comunidades hindus de Karnataka, reafirmando ano após ano os laços entre a fé e a identidade do povo.
A língua do coração da maioria dos bedar é o canará, idioma que já recebeu uma tradução completa da Bíblia há mais de um século, revisada e ampliada ao longo do século vinte. A Escritura está disponível de forma acessível, em texto e também em formatos audiovisuais, mas circula pouco dentro da comunidade, onde a identidade hindu segue praticamente inquestionada e o contato com o cristianismo é raro.
Ser bedar está profundamente ligado a ser hindu: a fé se mistura à honra do clã, à memória do passado guerreiro e aos rituais que marcam nascimento, casamento e morte. Abandonar essa religião é visto como romper com a própria linhagem e com as obrigações que sustentam a vida em comunidade, o que torna qualquer aproximação do evangelho um passo raro e de alto custo social.
Muitos bedar ainda enfrentam dificuldades econômicas herdadas da transição de um passado de guerreiros e caçadores para o trabalho braçal e agrícola, com acesso limitado a educação e oportunidades estáveis de emprego fora da lavoura e da construção. As famílias mais pobres seguem dependentes de trabalho sazonal e de salários incertos, o que dificulta investir no futuro dos filhos. Falta também qualquer testemunho cristão vivo dentro da comunidade: praticamente não há famílias que sigam a Jesus, discipulado ou uma igreja local que fale a mesma língua e entenda os costumes e as obrigações de clã do povo.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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