Povo não alcançado
Os berberes de Djerba, também chamados de amazigues, são herdeiros dos habitantes mais antigos do Norte da África. Vivem na ilha de Djerba, no sul da Tunísia, sobretudo nas vilas de Guellala, Ajim e Sedouikech.
Falam o jerbi, uma variedade do berbere oriental, língua que passa de geração em geração dentro de casa, mas que perde espaço para o árabe tunisiano nas escolas, na mídia e nas ruas. Em Guellala, a língua ainda é falada por quase todos; em Ajim e Sedouikech, o árabe avançou mais. Quase todos são bilíngues, e muitos jovens já crescem entendendo mais árabe do que a língua dos avós.
O que os distingue é a combinação de uma língua própria, a memória de uma ancestralidade anterior à chegada dos árabes e uma tradição religiosa diferente da maioria do país. Em Djerba, a vida gira em torno de comunidades pequenas, de laços familiares densos e de um orgulho discreto por aquilo que se preservou.
Os amazigues habitam o Norte da África há milhares de anos, muito antes das conquistas árabes do século VII. Ao longo dos séculos, a região conheceu a presença de fenícios, romanos e das primeiras comunidades cristãs berberes, e a ilha de Djerba, por seu isolamento relativo, ajudou a manter viva a língua e muitas tradições locais.
No século XX, o Estado tunisiano promoveu uma identidade nacional árabe unificada, e a língua e a cultura amazigues foram colocadas de lado. Desde a revolução de 2011, associações culturais e linguísticas têm surgido, e muitos jovens redescobrem com curiosidade as próprias raízes.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Tunísia Não alcançado
|
100%
|
11.000 |
Tradicionalmente, o sustento vem do cultivo de oliveiras e da cerâmica, ofício que em Guellala é herança de muitas gerações. Os mais jovens se voltam cada vez mais para o comércio e outros trabalhos, e o rádio, a televisão e a internet fazem parte do cotidiano de muitas famílias.
A integração à sociedade tunisiana mais ampla fez diminuir, em muitos lugares, os sinais visíveis de identidade própria. A família estendida continua sendo o centro de apoio, de decisões e de festas, e as vilas mantêm um ritmo de vida marcado pela vizinhança e pela hospitalidade, e o ritmo das estações e das festas familiares ainda organiza boa parte do ano.
São muçulmanos ibadis, uma escola minoritária do islã que se distingue do malikismo seguido pela maioria dos tunisianos. O ibadismo, de tradição sóbria e comunitária, marcou por séculos a vida religiosa da ilha e dá aos djerbianos um senso de pertencimento próprio dentro do islã.
Para a maioria, ser amazigue de Djerba e ser muçulmano são partes de uma mesma identidade, reforçada pela nacionalidade tunisiana. A fé é vivida na família e na comunidade, e a ideia de seguir outra religião costuma ser entendida como afastamento do povo. Para os ibadis, o verdadeiro muçulmano é aquele que pratica a fé não só em palavras, mas também em obras.
Há porções bíblicas disponíveis em jerbi, mas o Novo Testamento e a Bíblia completa ainda não existem na língua do coração deste povo. Como o árabe domina a escola e a vida pública, e o jerbi é transmitido sobretudo pela fala, materiais em áudio e em mídia digital tendem a ser o caminho mais natural para que a Palavra chegue às famílias.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
A identidade amazigue de Djerba está entrelaçada com o islã ibadi e com a nacionalidade tunisiana, de modo que mudar de fé costuma ser visto como romper com a família e com a comunidade. A língua em retração, a população pequena concentrada em poucas vilas e a quase ausência de testemunho cristão em jerbi fazem com que poucos jamais tenham conhecido alguém que siga Jesus. Soma-se a isso a pressão social contra a mudança de religião.
Há necessidade de que a língua e a cultura jerbi sejam valorizadas e transmitidas, para que os jovens não precisem escolher entre ser modernos e ser fiéis às suas raízes. Há também carência de oportunidades de trabalho que permitam às famílias permanecer na ilha sem abandonar o próprio chão.
No plano espiritual, faltam Escrituras completas e materiais em jerbi, e praticamente não há comunidade cristã em sua língua. Quem desejasse conhecer Jesus precisaria de companhia, de discipulado e de um lugar seguro para perguntar, crescer e ser acolhido.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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