Mark Fischer - Flickr, CC BY-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os bernde são um povo do centro-sul do Chade, que vive numa região seca e montanhosa. Sua identidade está ligada à cidade de Morom, onde se concentra a vida do povo, e sua língua é o morom, também conhecida pelo próprio nome bernde.
Trata-se de uma comunidade pequena, de vida rural, que vive em aldeias conduzidas por anciãos e sustentadas pelo trabalho da terra. A língua morom pertence à família nilo-saariana, ao ramo das línguas bongo-bagirmi, e é o idioma do lar, das conversas ao entardecer e da memória que passa de pais para filhos.
Por viverem em terreno de difícil acesso e longe dos grandes centros, os bernde são pouco conhecidos fora de sua região. Isso não diminui o valor de sua história: cada família carrega uma herança de perseverança diante de um clima exigente, e cada criança nasce numa rede de parentes que a acolhe desde o primeiro dia.
A cidade de Morom é, segundo a tradição, anterior ao século XII. Se isso se confirma, os bernde habitam há quase mil anos um lugar que ainda guarda o centro de sua vida e de sua memória coletiva.
Dos séculos que se seguiram, pouco chegou até nós por escrito, e a história do povo vive sobretudo na memória dos anciãos. O que se pode dizer é que os bernde permaneceram em torno de suas montanhas e aldeias, preservando a língua e os costumes, e que continuam sendo um povo pequeno, mas profundamente enraizado em sua terra.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Chade Não alcançado
|
100%
|
12.000 |
A vida bernde gira em torno da terra. Os bernde são agricultores de subsistência e cultivam painço, sorgo, milho, feijão e amendoim. Como vivem numa região sujeita a secas, cada colheita depende da chuva, e os períodos de estiagem pesam sobre as famílias.
As aldeias são conduzidas por anciãos, a quem cabem as decisões importantes da comunidade. A maioria delas não tem escola, de modo que as crianças crescem aprendendo com os mais velhos o trabalho do campo e a língua do povo. A casa e a parentela são o centro da vida diária, entre o cultivo da terra e o cuidado com os pequenos.
A religião predominante entre os bernde é o islã, e a fé costuma ser vivida como parte da identidade do povo e da honra da família. Para muitas famílias, ser bernde e ser muçulmano caminham juntos, o que faz da questão da fé também uma questão de pertencimento.
Os bernde são considerados um povo não alcançado, sem presença evangélica significativa. Até onde se sabe, não existe uma igreja entre eles, e poucos tiveram a oportunidade de conhecer pessoalmente um seguidor de Jesus. Isso não significa ausência de busca por Deus, mas falta de testemunho vivo e de Escrituras na língua do coração.
A língua do coração dos bernde é o morom. Uma tradução das Escrituras foi iniciada, mas ainda não há materiais conhecidos disponíveis para o povo. Isso significa que, por enquanto, a Palavra de Deus não chega às casas na língua em que eles sonham, oram e educam os filhos. Textos escritos, gravações em áudio e histórias bíblicas contadas oralmente em morom seriam um caminho precioso, sobretudo onde poucos leem.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Para os bernde, a fé muçulmana está entrelaçada à identidade do povo, e seguir outra religião pode ser visto como abandonar a família e a comunidade. Soma-se a isso o isolamento: aldeias distantes, de pouco acesso, sem Escrituras na própria língua. Até onde se sabe, não existe uma comunidade cristã entre eles, de modo que muitos talvez nunca tenham conhecido pessoalmente um seguidor de Jesus.
As necessidades práticas são claras: água limpa para as aldeias, em uma terra marcada pela seca, e escolas para que as crianças possam aprender e crescer com oportunidades. Famílias que vivem da lavoura precisam de meios para atravessar os anos de estiagem com dignidade.
No campo espiritual, os bernde precisam ouvir o evangelho na língua morom, por meio de pessoas que cheguem com respeito, aprendam sua cultura e permaneçam. Precisam também de Escrituras e de uma comunidade de fé que possa nascer entre eles e ser, de fato, bernde.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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