Povo
Povo não alcançado Fronteira
106 mil pessoas deste povo vivem em países onde ele segue não ou pouco alcançado:
Ore por estes 106 milOs blang, também chamados bulang, são um povo das montanhas do sudoeste da China, com comunidades também na Tailândia e em Mianmar. Vivem em vilarejos erguidos no alto de encostas cobertas por floresta densa, na província de Yunnan, sobretudo nas regiões de Menghai e Shuangjiang. Falam sua própria língua, do tronco austroasiático, mas a maioria também domina o chinês no dia a dia, o que faz dos blang um povo bilíngue por necessidade e por história.
Um traço que marca a identidade masculina blang é a tatuagem: por gerações, os homens cobriam braços, tronco e pernas com desenhos feitos ainda jovens, sinal de coragem e de pertencimento ao povo. Essa tradição corporal, somada ao artesanato têxtil das mulheres e ao cultivo ancestral do chá nas montanhas, dá aos blang um lugar próprio entre os povos de Yunnan, distinto dos vizinhos dai e han com quem convivem há séculos.
Os blang descendem de antigos povos conhecidos como pu, que habitavam o vale do rio Lancang muito antes da formação dos impérios chineses, e integravam o grupo mais amplo chamado de baipu, os "cem pu", na história antiga da região. Durante séculos viveram da caça e da coleta nas montanhas, adotando a agricultura de forma mais intensa a partir da dinastia Ming, quando também passaram a cultivar o chá que hoje é sua marca.
Com o tempo, o povo blang se dividiu culturalmente conforme a região: os que viviam perto dos dai, em Xishuangbanna, absorveram o budismo theravada desse povo vizinho; os de Lincang e Simao mantiveram por mais tempo suas tradições animistas. No século XIX, blang e hani chegaram a se levantar juntos contra o domínio imperial, numa revolta que durou cerca de sete ou oito anos.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
China Não alcançado
|
86,5%
|
105.000 |
Mianmar Parcialmente alcançado
|
12,4%
|
15.000 |
Tailândia Não alcançado
|
1,2%
|
1.400 |
A vida blang gira em torno da terra e do clã: cada clã possui suas próprias terras e até seu cemitério, e os mais velhos têm papel central na organização da aldeia. As famílias moram em casas de bambu de dois andares, com o piso térreo reservado a animais e depósito, e o andar de cima para a moradia, sempre com uma lareira central que aquece e reúne a família.
Os blang são reconhecidos como um dos povos mais antigos cultivadores do chá pu’er, cultivado sob o dossel da floresta nativa em vez de plantações abertas. Da folha do chá também fazem um prato fermentado, temperado com pimenta e guardado em tubos de bambu, servido em casamentos e festas. Jovens namoram por meio de encontros com música e cantoria, e o casamento tradicionalmente se completava em etapas ao longo de anos, embora hoje costume ser uma cerimônia só.
A grande maioria dos blang segue o budismo theravada, absorvido do contato próximo com o povo dai, e celebra festas de raiz budista como o Festival de Jogar Água. Mas essa fé convive, na prática cotidiana, com uma camada mais antiga de animismo e culto aos ancestrais, com atenção especial a espíritos ligados ao arroz, à água, às abelhas e aos montes ao redor da aldeia.
Monges budistas e xamãs tradicionais dividem, cada um a seu modo, a liderança espiritual da comunidade, e rituais precedem o plantio e a colheita para garantir boa fortuna. Nas regiões onde o contato com os dai foi menor, o budismo tem peso reduzido e prevalecem cultos mais antigos aos deuses do fogão, da montanha e da terra.
O Novo Testamento em língua blang foi concluído entre 2020 e 2021, depois de porções da Escritura terem sido publicadas ao longo de quase duas décadas anteriores. Hoje o texto também circula em formatos de áudio e em vídeo, o que ajuda um povo de forte tradição oral a ter acesso à Palavra mesmo onde a leitura não é hábito comum. Ainda não existe a Bíblia completa na língua do coração dos blang.
Entre os blang, a identidade budista está profundamente entrelaçada à identidade étnica: ser blang é, na prática, ser ligado ao templo e aos costumes ancestrais do clã, o que torna qualquer mudança de fé um assunto que toca a família inteira. O isolamento das aldeias, erguidas no alto de montanhas de difícil acesso, também limita o contato com cristãos de fora e a chegada de qualquer mensagem nova até essas comunidades.
A maioria dos blang nunca ouviu sequer o nome de Jesus. Falta ao povo blang o acesso simples e repetido ao evangelho, em uma forma que faça sentido dentro de sua cultura e de sua língua, e faltam também estudos bíblicos comunitários que possam nascer dentro das próprias famílias e aldeias.
Os poucos que já creem em Cristo entre os blang precisam de materiais na própria língua para crescer na fé e de professores preparados para ensiná-los, algo raro em comunidades tão isoladas e pequenas.
Antes de 1949, cerca de trinta famílias blang chegaram a se converter, e embora a maior parte tenha abandonado a fé durante a Revolução Cultural, ainda existem hoje cerca de cinquenta crentes blang na China, sinal de que a semente plantada há décadas não desapareceu de todo. A conclusão recente do Novo Testamento em blang, já disponível também em áudio e vídeo, abre um caminho novo para que mais gente do povo encontre a Palavra em sua própria língua.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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