Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os bokoruge são um povo de agricultores que vive no leste do Chade, na região do Ouaddaï, perto da fronteira com o Sudão, com parte da população também do lado sudanês. Pertencem ao grande grupo dos daju, e sua língua, o dar sila daju, carrega essa herança comum com outros povos da região do Darfur.
A vida social gira em torno da família extensa e da autoridade dos homens mais velhos, que dirigem as decisões da casa e da aldeia. Ter um filho homem é motivo de grande alegria, e os meninos crescem cercados de atenção especial. Meninos e meninas se organizam desde cedo em grupos de trabalho e convivência, responsáveis por tarefas coletivas como limpar as vielas da aldeia e preparar as danças que marcam as celebrações comunitárias.
As mulheres bokoruge têm costumes de beleza próprios e antigos: alvejam os dentes esfregando-os com gravetos específicos e usam espinhos de acácia para tatuar pálpebras, gengivas e lábios, marcas que carregam pelo resto da vida como sinal de identidade e pertencimento.
Os bokoruge descendem dos povos daju, um dos grupos mais antigos do leste africano, cuja presença na região que hoje reúne o Chade e o Sudão remonta a tempos anteriores à chegada do islã. Ao longo dos séculos, os daju se dividiram em várias comunidades aparentadas, entre elas os bokoruge, que fixaram raízes na área conhecida como Dar Sila, ao redor da cidade de Goz Beïda.
A partir do século XV, o contato com comerciantes e pregadores muçulmanos levou boa parte da população a adotar o islã, processo que se consolidou com o tempo sem apagar totalmente práticas e crenças mais antigas. Conflitos e instabilidades na fronteira com o Sudão, especialmente ligados à crise em Darfur, empurraram muitas famílias bokoruge para campos de deslocados dentro do próprio Chade, alterando parte da vida tradicional da aldeia.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Chade Não alcançado
|
92,6%
|
125.000 |
Sudão Não alcançado
|
7,4%
|
10.000 |
A economia bokoruge é agrícola, baseada no cultivo de grãos como milheto, sorgo e milho, cultivados nas terras ao redor das aldeias durante a estação chuvosa. As casas de aldeia costumam ser redondas, com paredes de barro e telhado cônico de palha, enquanto nas cidades e povoados maiores predominam construções retangulares de tijolo de barro com teto plano.
A vida gira em torno do trabalho coletivo e da hospitalidade. Espera-se que as esposas cuidem sozinhas da criação dos filhos e do funcionamento da casa, agradando ao marido sem depender de sua ajuda direta nas tarefas domésticas. Entre parentes próximos, é comum que as mulheres circulem com os seios descobertos, costume tradicional que não carrega conotação impudica dentro da cultura bokoruge.
Desde o século XV os bokoruge se identificam como muçulmanos, seguindo a escola malikita do islã sunita. O Alcorão é tratado como fundamento de toda promessa e compromisso sério: juramentos, acordos comerciais e decisões importantes da comunidade costumam ser selados sob sua autoridade.
Ao mesmo tempo, práticas e crenças anteriores à conversão continuam presentes no dia a dia, misturadas à observância islâmica sem que isso seja visto como contradição. A fé islâmica está de tal forma entrelaçada à identidade bokoruge que abandoná-la significaria, na prática, deixar de pertencer ao próprio povo.
A Bíblia ainda não foi totalmente traduzida para o dar sila daju, a língua materna dos bokoruge, embora o trabalho de tradução já tenha começado. Há também gravações de ensino bíblico em áudio disponíveis nesse idioma, mas não existe ainda uma versão do filme Jesus. Para a maioria dos bokoruge, o acesso à história de Jesus em sua própria língua continua limitado.
Ser bokoruge é, na prática, ser muçulmano: a fé islâmica está tão unida à identidade étnica que considerar outra religião soa como abandonar o próprio povo. A tradução ainda incompleta da Bíblia na língua materna dificulta ainda mais o caminho, já que faltam ao povo os textos e recursos plenos para ouvir a mensagem cristã em termos e sons que reconheça como seus. Somam-se a isso o deslocamento de famílias para campos de refugiados por causa dos conflitos na fronteira com o Sudão e a distância de qualquer comunidade cristã estabelecida na região.
A instabilidade na fronteira entre Chade e Sudão tem empurrado famílias bokoruge para campos de deslocados internos, onde faltam recursos básicos e a vida agrícola tradicional fica interrompida. Nessas condições, cresce a necessidade de segurança, de terra para plantar novamente e de estabilidade para reconstruir a vida comunitária.
No campo espiritual, o povo bokoruge ainda carece de uma Bíblia completa e de materiais mais amplos em sua própria língua e cultura, além de comunidades de fé cristã por perto capazes de anunciar o evangelho de um jeito que respeite os costumes e a identidade desse povo.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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