Povo
Bertrand Fanonnel - Wikimedia, CC BY-SA 4.0, via Joshua Project
Povo não alcançado
Os maoreses, também chamados de mahoreses, são o povo da ilha de Maiote, no arquipélago das Comores, no oceano Índico, entre a costa da África oriental e Madagascar. Falam o shimaore, uma língua bantu muito próxima do comoriano das ilhas vizinhas, e carregam uma identidade que mistura raízes africanas, árabes e malgaxes.
A vida na ilha gira em torno da família, da vizinhança e da mesquita. O francês é a língua oficial e a da escola, mas é em shimaore que se conversa em casa, se negocia no mercado e se transmitem histórias de geração em geração. Convivem ali tradições antigas e o ritmo da vida moderna de um território ligado à França.
Há também comunidades de origem maore em Madagascar e na Essuatíni, longe da ilha de seus antepassados. Onde quer que estejam, ser maorês é pertencer a um lugar pequeno e muito amado, de aldeias de encosta, lagoa cercada de recifes e vida comunitária intensa, e ao mesmo tempo a uma fé compartilhada que une o povo.
Os maoreses descendem de gerações de povos que chegaram à ilha pelo mar: grupos bantu vindos do continente africano, comerciantes e navegantes árabes e pessoas de origem malgaxe. Dessa mistura nasceu uma cultura próxima à das demais ilhas do arquipélago, com a qual compartilham língua, costumes e a religião muçulmana, presente na região há séculos.
Em meados do século XIX, a ilha passou ao domínio francês, antes do restante das Comores. Quando as outras ilhas do arquipélago se tornaram independentes, em 1975, os maoreses escolheram permanecer ligados à França. Essa decisão marcou profundamente a identidade do povo e o distingue de seus vizinhos comorianos até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Maiote Não alcançado
|
96,7%
|
217.000 |
Madagascar Não alcançado
|
3%
|
6.700 |
Essuatíni Não alcançado
|
0,3%
|
700 |
Tradicionalmente, o sustento vem da terra e do mar: pequenas roças de mandioca, banana e coco, além da pesca na lagoa que rodeia a ilha. Hoje, muitas famílias combinam esse modo de vida com empregos assalariados, comércio e serviços, e a escola em francês faz parte da rotina dos jovens. A família ampliada é o centro da vida social, e em boa parte da tradição das Comores a casa da família costuma ser herdada e cuidada pelas mulheres.
A hospitalidade, o respeito aos mais velhos e a solidariedade entre vizinhos são valores muito cultivados. Os grandes momentos da vida, como nascimentos, casamentos e festas religiosas, reúnem a comunidade inteira em torno de refeições partilhadas, cantos e danças. Nas aldeias, o ritmo dos dias é marcado pelos horários de oração e pelos encontros ao fim da tarde.
Os maoreses são muçulmanos sunitas, e o islã está presente na ilha há muitos séculos. A fé molda o calendário, as celebrações, a educação das crianças, que cedo frequentam a escola corânica, e a maneira de entender o que é uma vida honrada. Para a maioria, ser maorês e ser muçulmano são duas faces de uma mesma identidade.
Ao lado da prática islâmica, sobrevive uma religiosidade popular antiga. Muitos acreditam em espíritos que influenciam a saúde e o destino, e rituais de cura e de proteção continuam a ser praticados em algumas famílias. Essa mistura é vivida com naturalidade e não é vista como contradição pela maioria das pessoas.
O shimaore é sobretudo uma língua falada, e a maior parte da vida cotidiana, da música e da memória do povo passa pela voz. Por isso, o contato com a Palavra de Deus depende muito de materiais que se ouvem e se contam, e não apenas de textos impressos. Como o francês é a língua da escola, muitos conseguem ler nele, mas é na língua do coração que a mensagem toca mais fundo. Parte dos habitantes da ilha fala ainda o kibushi, de raízes malgaxes.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Para o povo maore, a fé muçulmana faz parte de quem se é: deixar o islã seria visto como romper com a família, com a aldeia e com a própria identidade. A vida comunitária é muito próxima e a pressão social é grande, de modo que uma pessoa que se interesse por Jesus dificilmente teria espaço para fazer perguntas sem ser notada. Soma-se a isso a quase ausência de uma comunidade cristã na língua do povo, o que deixa poucos exemplos de como seguir a Cristo sem deixar de ser maorês.
Como em muitos territórios insulares, as famílias maoresas enfrentam desafios de moradia, de emprego e de acesso a serviços, e os jovens vivem entre dois mundos, o das tradições da ilha e o da cultura francesa que chega pela escola e pelas telas. Há sede de pertencimento, de futuro e de paz nas comunidades.
Espiritualmente, o povo precisa de testemunhas que vivam entre eles com respeito e amizade, de Escrituras e de materiais acessíveis em shimaore e de uma igreja que nasça de dentro da própria cultura, em que maoreses possam ouvir de Jesus como boa notícia para a sua gente.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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