Povo
Xandrieth Xs - Wikimedia, CC BY-SA 4.0, via Joshua Project
Os dewar são um povo do leste da Índia, concentrado sobretudo em Odisha, com presença também em Chhattisgarh. Falam odia como língua principal e formam uma casta programada, categoria que reconhece grupos historicamente marginalizados na sociedade indiana. Por muito tempo foram um povo nômade, e essa memória de deslocamento ainda marca sua identidade, mesmo agora que a maioria vive estabelecida.
A pesca é uma de suas ocupações mais características, o que aproxima o povo dos rios e da costa de Odisha, mas famílias dewar também se sustentam de outros ofícios tradicionais, como criar porcos, tatuar e se apresentar em espetáculos itinerantes. Essa diversidade de meios de vida reflete uma trajetória de adaptação constante às margens da sociedade agrária que os cerca.
No centro da vida espiritual dewar está a devoção à deusa Andhimata e suas vinte e uma irmãs, um culto que molda decisões cotidianas da família, da fecundidade ao calendário de festas. É esse conjunto, língua, ocupação, memória nômade e devoção compartilhada, que dá aos dewar sua identidade distinta dentro do mosaico de povos de Odisha.
A origem dos dewar remonta a Madhya Pradesh, de onde o povo migrou para o território que hoje corresponde a Chhattisgarh e Odisha. Há registros de que tenham surgido como um grupo excluído de tribos mais estabelecidas da região, formando com o tempo uma identidade própria em torno da pesca e de outros ofícios itinerantes.
Enquanto ainda levavam vida nômade, os dewar carregavam as imagens de suas divindades em cestos sobre a cabeça a cada mudança de lugar, um costume que testemunha como a fé sempre viajou junto com o povo. Com o tempo, a maior parte da comunidade se fixou nos vilarejos de Odisha, mas manteve viva essa herança de deslocamento nas tradições que passa às novas gerações.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
1.065.000 |
Muitos dewar vivem da pesca, vendendo peixe e derivados nos mercados locais, enquanto outros sustentam a família criando porcos, fazendo tatuagens ou se apresentando de porta em porta com cantos e números com macacos amestrados. São ocupações que rendem pouco, e a pobreza limita o acesso das crianças a uma educação melhor, algo que muitas famílias desejam para os filhos.
A vida em família é organizada de forma patrilinear, e o casamento carrega um costume marcante: o noivo precisa abrir à força a mão da noiva para colocar nela o anel. Ainda que a maior parte do povo hoje viva estabelecida, a memória do tempo em que se deslocavam de lugar em lugar segue viva na identidade dewar.
A fé dewar é hindu e gira em torno da devoção a Andhimata e suas vinte e uma irmãs, divindades cultuadas para proteger a família e garantir fartura na pesca e na vida cotidiana. Acredita-se que Andhimata se ofende quando a família deixa de crescer, o que reforça a valorização de famílias numerosas mesmo em meio à pobreza.
Essa devoção está entrelaçada com a identidade de casta: honrar Andhimata é parte de ser dewar, e os rituais em torno dela marcam os momentos importantes da vida comunitária, do nascimento ao casamento. É uma religiosidade popular, vivida em casa e nas festas da vila, mais do que nos templos das grandes tradições hindus, e por isso mesmo profundamente entrelaçada ao cotidiano de cada família dewar.
A Bíblia completa existe em odia há mais de dois séculos, com uma revisão recente da tradução, e o idioma conta com aplicativos, áudio e vídeos disponíveis. Mas a distância entre a Escritura existir na língua e chegar às famílias dewar continua enorme: são poucos os relatos de contato direto do povo com esse texto, e a devoção a Andhimata e suas irmãs preenche o espaço espiritual do dia a dia.
A identidade dewar está profundamente ligada à casta e ao hinduísmo popular centrado em Andhimata: deixar essa devoção é romper com a própria comunidade e sua rede de proteção social. Como casta programada, o povo enfrenta estigma e exclusão que dificultam também a chegada de estranhos com uma mensagem diferente. O isolamento social, somado à quase total ausência de cristãos entre eles, faz da fé em Jesus algo praticamente desconhecido nas famílias dewar.
A pobreza limita as famílias dewar a ofícios de baixa renda e dificulta o acesso das crianças a uma educação melhor, algo que muitos pais desejam, mas não conseguem custear. Há também a necessidade de dignidade diante do estigma que ainda cerca sua condição de casta programada.
No campo espiritual, a necessidade mais profunda é a de encontro genuíno com o evangelho: quase não há entre os dewar quem já ouviu com clareza a mensagem de Jesus, e o povo carece de vozes que cheguem até eles com respeito, paciência e permanência.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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