Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os dezfulis são o povo ligado à cidade de Dezful, na província do Khuzestão, no sudoeste do Irã. O nome do grupo vem da própria cidade, e a identidade deles está ligada a uma fala local, o dezfuli, que carrega marcas de pronúncia, de formação de palavras e de vocabulário que a distinguem do persa padrão.
Os estudiosos ainda discutem como classificar essa língua. Alguns a tratam como um dialeto do persa influenciado pelo luri, outros a veem como uma variedade com identidade própria, aparentada ao shushtari, falado na vizinha Shushtar. Essa fronteira difusa entre língua, dialeto e identidade local é parte do que torna os dezfulis um caso singular.
Hoje o grupo é muito pequeno e vive cercado por populações maiores, o que faz com que sua distinção seja pouco visível para quem está de fora. Ainda assim, cada povo e cada língua têm valor diante de Deus, e a existência dos dezfulis lembra que o evangelho é para todos, inclusive para os menores e mais discretos.
Dezful está entre as cidades mais antigas do Khuzestão. Tradições recolhidas sobre ela contam que a ponte que deu origem ao nome, formado por palavras persas que significam fortaleza e ponte, teria sido construída na época do rei sassânida Shapur I, com mão de obra de prisioneiros de guerra romanos. Com a conquista muçulmana da Pérsia, o nome original foi adaptado aos sons do árabe e passou a ser pronunciado Dezful.
Por séculos a cidade abrigou também uma comunidade mandeia, o que mostra que a região foi um ponto de encontro de tradições diversas. A língua dos dezfulis acompanhou essa história longa e foi se moldando entre o persa e o luri, sem se dissolver completamente em nenhum dos dois.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Irã Não alcançado
|
100%
|
10 |
Os dezfulis vivem na planície do Khuzestão, região quente do sudoeste iraniano, em torno de uma cidade antiga atravessada por um rio e por uma ponte histórica. Como em boa parte do Irã, a vida cotidiana gira em torno da família, da casa e da vizinhança, com forte valor dado à hospitalidade, ao chá servido aos visitantes e aos laços entre parentes.
Hoje a maioria dos dezfulis convive de perto com o persa e com outros grupos da região, em escolas, mercados e trabalho. Muitos usam o persa no dia a dia e guardam o dezfuli para a intimidade da família e da comunidade, de modo que a língua materna se tornou, para muitos, um sinal de pertencimento a ser cuidado com carinho.
Os dezfulis são, em sua maioria, muçulmanos, e a fé islâmica marca o calendário, as festas e os ritos da vida, como nascimento, casamento e luto. Na região, o islã xiita é a tradição dominante, e pertencer à comunidade costuma significar também compartilhar essa fé.
A religião não é apenas um conjunto de crenças, mas parte da identidade da família e da cidade. Por isso, a pergunta sobre Jesus raramente é feita em abstrato: ela esbarra nos laços com os pais, os vizinhos e a comunidade, e é feita com seriedade por quem a enfrenta. Para muitos, honrar os antepassados e manter a fé da família é uma forma de lealdade e de cuidado com os seus.
Existe o Novo Testamento em dezfuli, o que é um passo valioso para uma língua tão pequena, mas a Bíblia completa ainda não está disponível. Como a maioria também entende o persa, a Palavra pode alcançar as famílias por mais de um caminho, inclusive por leituras em áudio para quem prefere ouvir a ler. Ainda assim, ouvir as Escrituras na língua do coração toca de maneira especial, e cada nova tradução e gravação é um convite para que a mensagem de Jesus chegue perto de casa.
A primeira barreira é a identidade: ser dezfuli, na prática, costuma significar pertencer à comunidade muçulmana local, e mudar de fé pode ser visto como romper com a família. Soma-se a isso o ambiente de forte restrição religiosa no Irã, que torna arriscado falar abertamente de Jesus. Há ainda a invisibilidade do próprio grupo: por ser pequeno e cada vez mais misturado a populações maiores, poucos o reconhecem como povo distinto, e isso dificulta que alguém seja enviado especificamente a ele.
Os dezfulis precisam, antes de tudo, ser vistos e lembrados. Há a necessidade de preservar a língua e a memória do povo, e de encontrar na própria cultura um lugar de dignidade diante das pressões de assimilação.
Do ponto de vista espiritual, falta uma comunidade de seguidores de Jesus que fale a língua deles, que possa acolher quem busca e acompanhar quem crê. Precisam também de acesso à Bíblia completa na sua língua e de testemunhas de confiança que sejam amigas, pacientes e respeitosas.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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