Povo
Adam Jones - Flickr, CC BY 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os hijras formam uma comunidade tradicionalmente reconhecida como um terceiro gênero no sul da Ásia, presente sobretudo na Índia. Nascidos homens, intersexo ou identificados desde cedo fora do padrão masculino ou feminino, adotam nomes femininos, vestem-se como mulheres e constroem uma identidade própria, distinta tanto da masculina quanto da feminina.
Historicamente ocupam um lugar ambíguo na sociedade indiana: são convidados a abençoar casamentos e nascimentos com danças e cânticos tradicionais, mas também sofrem rejeição da própria família, discriminação e violência. Muitos vivem em comunidades organizadas por uma espécie de linhagem espiritual e social, reunidas em casas ou dinastias próprias lideradas por uma guru, com laços de pertencimento que substituem os vínculos familiares rompidos. A maioria segue o hinduísmo, embora haja também hijras muçulmanas.
A presença de pessoas de identidade e papel social semelhantes aos hijras remonta a séculos na Índia, com referências a figuras de gênero ambíguo em narrativas tradicionais antigas. A comunidade como é conhecida hoje ganhou papel de destaque durante o período dos sultanatos e, principalmente, no império mogol, quando eunucos de confiança ocupavam cargos de guarda, conselheiros e intermediários na corte e nos haréns reais, chegando a posições de real influência política.
Com o fim do domínio mogol e a chegada do governo colonial britânico, que passou a tratá-los como criminosos, os hijras perderam status e proteção, e a comunidade foi empurrada para as margens da sociedade, onde majoritariamente permanece até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
187.000 |
Muitos hijras são expulsos ou se afastam da família de origem ainda jovens e passam a viver em comunidades organizadas em torno de uma figura de liderança, que funciona como mãe e guru para as demais. Essa estrutura substitui os laços de parentesco que foram rompidos e oferece sustento, moradia e proteção mútua.
O sustento vem sobretudo de bênçãos oferecidas em casamentos e nascimentos, dança e canto tradicionais, e, para muitos, da prostituição, diante da falta de outras oportunidades de trabalho. A vida em grupo, com regras próprias de hierarquia e lealdade, é o que garante alguma segurança num contexto de forte discriminação social.
A grande maioria segue o hinduísmo, com devoção especial à deusa Bahuchara Mata, associada à fertilidade e à ambiguidade de gênero, e há também hijras muçulmanas. Muitos hijras passam por um rito de iniciação e, para alguns, por uma cerimônia de castração oferecida à deusa, entendida como consagração da própria identidade.
Acredita-se amplamente que os hijras têm poder sobrenatural para abençoar a fertilidade e a prosperidade de um casal ou de um recém-nascido, e também para lançar maldições caso sejam desrespeitados. Essa crença os mantém dentro de um papel religioso reconhecido, ainda que socialmente marginal, e sustenta associações próprias voltadas ao bem-estar da comunidade.
A língua mais falada entre os hijras é o hindi, que tem a Bíblia completa há mais de dois séculos e ampla disponibilidade em texto, áudio e aplicativos. O obstáculo não é a falta de tradução, mas a distância: poucas iniciativas cristãs chegam a esse grupo, e a Escritura raramente é apresentada de um jeito que fale à experiência de quem vive à margem da sociedade, rejeitado pela própria família e cercado por estigma.
A identidade hijra está profundamente ligada ao hinduísmo popular: a devoção à deusa Bahuchara Mata, os rituais de bênção em casamentos e nascimentos e a crença de que possuem poder para abençoar ou amaldiçoar formam o próprio sentido de pertencer à comunidade. Abandonar essas práticas pode significar perder o único lugar social e espiritual que os acolheu depois de rejeitados pela própria família. Some-se a isso o estigma, a violência sofrida em prisões, delegacias e até em casa, e o isolamento em relação às igrejas, que raramente têm algum vínculo com esse mundo à parte.
Muitos hijras precisam antes de tudo de acolhimento: a rejeição pela própria família na infância ou adolescência deixa marcas profundas, e a vida adulta segue cercada de violência, exploração e falta de acesso digno a trabalho, saúde e moradia. Associações próprias de apoio mútuo existem, mas alcançam apenas parte da comunidade.
Há grande necessidade de comunidades que ofereçam pertencimento sem exigir os rituais e vínculos que hoje sustentam sua identidade, e de cristãos dispostos a se aproximar com respeito, amizade genuína e constância, sem preconceito nem sensacionalismo.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
Acessar Calendário de OraçãoCrie sua conta para adotar e receber pontos de oração.