Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os iranun são um povo muçulmano de tradição marítima do sudoeste da ilha de Mindanao, nas Filipinas, vivendo principalmente entre as províncias de Maguindanao, Lanao del Sur, Cotabato do Norte e Bukidnon, com comunidades também na costa de Sabah, na Malásia. São aparentados aos vizinhos maranao e maguindanao: os três povos parecem descender de um mesmo grupo ancestral, com quem compartilham a chamada família linguística danao.
Historicamente reconhecidos como marinheiros e construtores de embarcações habilidosos, os iranun construíram sua vida ao redor do mar, da pesca à navegação entre as ilhas do sul filipino e a costa do Bornéu. Essa vocação marítima ainda marca boa parte das comunidades iranun atuais, que seguem vivendo da faina da pesca ao longo da costa de Mindanao.
Os iranun têm suas raízes na formação dos povos austronésios que se estabeleceram no sudoeste de Mindanao muito antes da chegada do islã à região. Por séculos, foram parte central do antigo Sultanato de Maguindanao, e localidades historicamente ligadas a esse sultanato, como Lamitan e T'bok, eram consideradas redutos iranun. A tradição local sugere que iranun, maranao e maguindanao descendem de um mesmo povo ancestral que depois se dividiu em três.
Com o tempo, comunidades iranun também se espalharam pelo mar, chegando a se estabelecer na costa do Bornéu, o que ajuda a explicar por que o povo é encontrado tanto nas Filipinas quanto na Malásia até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Filipinas Não alcançado
|
100%
|
333.000 |
A vida dos iranun gira em torno do mar. Grande parte das famílias sustenta-se da pesca ao longo da costa de Mindanao, saindo em embarcações que herdaram de uma longa tradição de construção naval e navegação, pela qual o povo é reconhecido entre seus vizinhos. Outras famílias cultivam a terra ao lado de comunidades muçulmanas e não muçulmanas, complementando a renda da pesca com produtos agrícolas.
O parentesco extenso e a lealdade ao clã organizam a vida social, e a hospitalidade, o respeito aos mais velhos e a honra da família estão entre os valores mais prezados. As decisões importantes, dos casamentos aos conflitos, costumam passar pelo crivo das lideranças do clã antes de qualquer providência individual.
Os iranun são muçulmanos, e o islã está profundamente entrelaçado com a identidade do povo: ser iranun é, na prática, ser muçulmano. A fé islâmica organiza os ritmos da vida comunitária, das orações às festas e aos costumes familiares.
Ao mesmo tempo, persiste entre os iranun uma crença viva em espíritos, tratados com temor constante. Por isso, ao lado das práticas islâmicas, muitas famílias mantêm rituais de origem mais antiga, voltados a proteger a casa, a pesca e a saúde dos males que esses espíritos poderiam causar.
A língua iranun já conta com algumas porções das Escrituras traduzidas, além de gravações de ensino bíblico em áudio e do filme Jesus, produzidos para alcançar o povo em sua própria língua. Ainda assim, não existe o Novo Testamento completo nem a Bíblia inteira em iranun, e o povo depende sobretudo da tradição oral e da leitura do Alcorão para sua vida religiosa cotidiana.
Entre os iranun, ser muçulmano é parte inseparável de ser iranun: a fé molda a identidade do clã e da família, e abandoná-la é visto como romper com o próprio povo. A história registra um povo que resistiu a toda tentativa de aproximação do evangelho, recebendo a mensagem cristã com indiferença, não com hostilidade aberta, mas com um silêncio que fecha a porta antes mesmo da conversa começar. Somam-se a isso o isolamento das comunidades costeiras e a quase total ausência de igrejas ou de cristãos iranun que pudessem servir de ponte para os demais.
A pesca no mar aberto é o sustento de muitas famílias iranun, mas também é um trabalho arriscado, exposto a tempestades e à instabilidade da renda de temporada em temporada. Há uma necessidade real de segurança para quem sai ao mar todos os dias em busca do sustento da casa.
No campo espiritual, a carência é ainda maior: praticamente não há cristãos de origem iranun, nem comunidades de fé que possam caminhar ao lado desse povo. Falta também, antes de tudo, alguém que se aproxime com respeito e amizade genuína, capaz de atravessar décadas de indiferença mútua entre iranun e cristãos filipinos vizinhos.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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