Povo
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Steve Evans - Flickr, CC BY-NC 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os jats muçulmanos formam um dos maiores povos agrários do sul da Ásia, concentrados sobretudo no Panjabe e em outras regiões do Paquistão, com comunidades também na Índia e entre migrantes no Golfo e no Ocidente. Descendem de tribos indo-arianas que por séculos cultivaram a terra e criaram gado nas planícies irrigadas pelos rios do Indo, e ainda hoje a identidade jat está ligada à posse da terra e ao orgulho pelo próprio clã.
São conhecidos por um forte senso de dignidade pessoal e por uma organização social que valoriza a palavra dada e a defesa da honra da família. Historicamente vistos como agricultores robustos e soldados hábeis, os jats construíram ao longo dos séculos uma cultura própria de poesia, canção e narrativa que atravessa fronteiras religiosas, unindo primos hindus, sikhs e muçulmanos numa mesma raiz étnica, ainda que hoje sigam caminhos de fé distintos.
Os jats têm origem nas tribos pastoris que ocupavam o vale inferior do Indo, na região do Sinde, de onde migraram para o Panjabe e, mais tarde, para o território de Delhi e as planícies do Ganges. Ao longo da Idade Média, missionários sufis como Baba Farid, que pregou no Panjabe no século XIII, atraíram diversos clãs jats para o islã, um processo de conversão que se estendeu por gerações e moldou uma identidade muçulmana distinta dentro do mesmo tronco étnico.
Sob o domínio mogol e britânico, muitos jats se destacaram nas armas e na administração agrária, reconhecidos por disciplina e organização comunitária. Com a divisão do subcontinente indiano em 1947, a maioria dos jats muçulmanos permaneceu no Paquistão, enquanto parentes de outras crenças seguiram para a Índia, episódio que ainda ecoa na memória de muitas famílias.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
96,2%
|
31.848.000 |
Índia Não alcançado
|
1,7%
|
564.000 |
Estados Unidos Não alcançado
|
1,2%
|
400.000 |
Arábia Saudita Não alcançado
|
0,6%
|
193.000 |
Canadá Não alcançado
|
0,4%
|
118.000 |
A vida gira em torno da terra: grande parte das famílias cultiva trigo, algodão e cana-de-açúcar ou cria gado nas planícies irrigadas, e a posse de um pedaço de terra continua sendo sinal de status e de segurança para as próximas gerações. As aldeias costumam ser organizadas por clã, com anciãos e líderes escolhidos por reconhecimento da comunidade, mais do que por herança automática, o que confere aos jats fama de povo relativamente democrático em sua vida local.
O casamento é arranjado dentro da própria comunidade, o divórcio é raro e viúvas costumam contar com o apoio da família extensa. A hospitalidade é levada a sério, assim como o compromisso de defender o nome da família diante de qualquer afronta. Poemas, canções e histórias de amor e bravura, transmitidos oralmente, seguem vivos nas celebrações de casamento e nas noites em família.
Os jats muçulmanos seguem o islã, geralmente na tradição sunita, professado com a mesma seriedade com que se guarda a honra da família e do clã. A fé molda o calendário de festas, os ritos de passagem e as normas de convivência entre vizinhos e parentes.
Como acontece em boa parte do islã popular do sul da Ásia, a prática cotidiana incorpora elementos de devoção aos santos sufis e visitas a seus túmulos, buscando bênção e intercessão em momentos de dificuldade. Essa camada devocional convive com o islã formal das mesquitas, e ambas reforçam a mesma ideia: ser jat e ser muçulmano são, na prática, a mesma coisa.
A língua do coração de boa parte dos jats muçulmanos é o saraíqui, falado por milhões de pessoas nas planícies do sul do Panjabe, embora outros grupos do povo usem o panjabi ocidental ou o urdu no dia a dia. Em saraíqui, porções das Escrituras já foram traduzidas e um Novo Testamento vem sendo preparado, além de gravações em áudio e do filme sobre a vida de Jesus, recursos que ganham peso onde a leitura não é o caminho mais natural de acesso à mensagem.
Entre os jats, ser muçulmano é parte inseparável de pertencer ao clã e à terra da família, de modo que considerar outra fé é entendido como romper com a própria origem e trair os antepassados. A pressão social é reforçada pela vida comunitária muito coesa das aldeias, onde qualquer mudança de crença se torna rapidamente conhecida por todos, e pela quase total ausência de igrejas ou de cristãos na vizinhança que possam explicar o evangelho dentro da própria cultura jat.
Muitas famílias jats dependem inteiramente da terra que cultivam, e por isso secas, enchentes ou anos de colheita fraca afetam diretamente o sustento e a educação dos filhos. Há também uma necessidade grande de acesso mais amplo às Escrituras na própria língua, especialmente em formatos que alcancem quem não tem o hábito da leitura.
No campo espiritual, falta ao povo jat muçulmano um contato mais próximo com cristãos que compreendam sua cultura de honra e de clã, e falta comunidade e discipulado para quem, isoladamente, chega a se interessar pela pessoa de Jesus.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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