Povo
Os K’abeena, também escritos Kebena ou Qebena, são um povo de língua cushítica que vive nas terras altas do centro-sul da Etiópia, na região conhecida como Zona Gurage. Seu território verdejante, de vales e encostas cultivadas, tem a cidade de Durame como um de seus centros principais.
Seu nome designa ao mesmo tempo o povo e a língua que falam, uma variedade ligada ao alaba-k’abeena, do ramo cushítico das terras altas do leste. Os estudiosos discutem se ela é língua própria ou dialeto de idiomas vizinhos, e essa discussão mostra o quanto o povo se encontra entre diferentes mundos linguísticos e culturais da região.
Uma marca de sua identidade é a fé islâmica, que os distingue de parte de seus vizinhos de origem comum, os hadiyas, em grande parte cristãos. Os K’abeena têm administração local própria, um distrito especial que leva o seu nome, sinal de um povo que valoriza a memória e quer transmiti-la às novas gerações.
Os K'abeena descendem de populações da antiga região do reino hadiya, que no século XIX se tornou um importante centro de comércio e de influência islâmica. Ao final daquele século, o território chegou a se organizar como um Estado autônomo conduzido por um imã.
A expansão do império etíope, no fim do século XIX, trouxe a conquista da região e a integração a um Estado em que o povo viveu por muito tempo à margem das decisões. Essa memória de autonomia perdida ainda alimenta o senso de identidade própria dos K'abeena.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Etiópia Não alcançado
|
100%
|
101.000 |
A vida dos K’abeena gira em torno da agricultura de subsistência, dependente das chuvas, nas terras altas do sul da Etiópia. Como em boa parte da região, os cereais e o enset, a chamada falsa bananeira, sustentam muitas famílias, e as colheitas, que dependem de cada estação, moldam o ritmo do ano inteiro.
O povo se organiza em comunidades rurais ligadas por laços de parentesco e vizinhança, com autogoverno em nível de distrito. A vida comunitária se constrói em torno da família, da mesquita e do trabalho no campo, e a hospitalidade para com o visitante é um valor que atravessa toda a região.
Os K’abeena são muçulmanos, e o islã faz parte da própria definição do que significa pertencer ao povo. A história do antigo território, que chegou a ser um centro islâmico, reforça esse vínculo: a fé é herança dos antepassados e, ao mesmo tempo, marca de lugar na sociedade ao redor.
A vida religiosa se expressa nas orações, nos tempos de jejum e nas festas que reúnem famílias e vizinhos. Por isso, a ideia de mudar de fé costuma ser entendida não como escolha pessoal, mas como afastamento da família e da comunidade, o que torna qualquer conversa sobre Jesus um assunto delicado.
Não há notícia de uma Bíblia traduzida especificamente para a língua dos K’abeena, que tem pouquíssimos leitores em sua forma escrita. Parte do povo, porém, convive com línguas aparentadas e vizinhas, como o kambaata e o hadiya, nas quais já existem porções importantes da Escritura, incluindo o Novo Testamento. Essas obras podem servir de ponte, mas só a Palavra no idioma do coração fala plenamente a cada família.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
- Tradução iniciada Concluída
- Porções Concluída
- Novo Testamento Etapa atual
- 4 Bíblia completa Ainda falta
Dados de tradução: Joshua Project.
Para os K’abeena, ser parte do povo e ser muçulmano caminham juntos, e a história de autonomia islâmica reforça essa ligação. Quem se interessa por Jesus tende a enfrentar a pressão da família e da comunidade. Somam-se a isso a falta de Escritura na própria língua, a presença muito reduzida de cristãos entre eles e o fato de o povo ser pouco conhecido, o que deixa poucas oportunidades de um primeiro contato.
Como agricultores que dependem das chuvas, muitas famílias K’abeena precisam de segurança alimentar, acesso à educação e a serviços de saúde nas áreas rurais. O baixo índice de leitura no idioma abre também a necessidade de materiais de leitura e de ensino na língua materna.
No plano espiritual, o povo precisa de alguém que lhe apresente Jesus com respeito, no seu idioma e no seu modo de viver. Para quem vier a crer, será essencial haver comunhão, discipulado e proteção, para que a fé não seja vivida em solidão.
Ore por K’abeena
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
Acessar Calendário de Oração