Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os kadias são uma comunidade hindu do oeste da Índia, tradicionalmente ligada ao ofício da construção. O próprio nome do povo vem da palavra usada para “pedreiro”, e é essa vocação que marca a identidade do grupo há gerações: erguer casas, muros, poços e templos com as próprias mãos.
Estão presentes sobretudo em Karnataka, além de Gujarat e Maharashtra, e falam canarim ou guzerate, conforme a região onde vivem. Muitos seguem a mesma vocação dos antepassados na alvenaria, enquanto outros se dedicam à agricultura, mas o vínculo com a construção continua sendo o que melhor os define diante dos vizinhos.
A vida do povo gira em torno de conselhos de casta que arbitram disputas e zelam pelos costumes do grupo, um sinal de como a identidade coletiva ainda organiza o cotidiano mesmo em meio às mudanças da vida urbana e do trabalho assalariado.
A história dos kadias está entrelaçada à longa tradição indiana de castas organizadas por ofício, em que profissões como a alvenaria, a olaria e o trabalho com pedra e tijolo passavam de pai para filho como herança de família. Ao longo do tempo, diferentes grupos ligados à construção no oeste da Índia foram assumindo o nome e a identidade kadia, alguns deles com raízes também associadas a comunidades de oleiros, o que hoje aparece em subgrupos distintos dentro do mesmo povo.
Essa mescla de origens ajuda a explicar por que os kadias falam línguas diferentes conforme o estado onde se fixaram: onde predominou a influência canarim, o grupo manteve o canarim como língua do dia a dia; onde a presença guzerate foi mais forte, o guzerate se tornou a língua da casa e do comércio.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
159.000 |
A alvenaria segue sendo o ofício mais associado ao povo: erguer paredes, aplicar reboco, assentar pedra e tijolo em obras de casas, templos e prédios. Muitas famílias trabalham como autônomos, contratadas obra a obra, enquanto outras se empregam em empreiteiras nas cidades. Ao lado da construção, a agricultura ainda sustenta boa parte das famílias no campo.
A família é organizada de forma que, com a morte do pai, os filhos herdam os bens e o filho mais velho assume a responsabilidade pelos assuntos domésticos. O casamento é monogâmico e não se permite união entre primos, embora o divórcio seja aceito quando necessário. Os conselhos de casta continuam sendo a instância que resolve conflitos e defende os interesses da comunidade.
Os kadias são hindus, e essa fé molda praticamente todos os aspectos da vida familiar e comunitária. O culto nos templos, os rituais domésticos, as peregrinações e as grandes festas do calendário hindu, como Diwali, Holi e Navaratri, marcam o ritmo do ano e reúnem famílias inteiras em celebração.
Como em outras comunidades ligadas à construção e ao artesanato na Índia, é comum a devoção a Vishwakarma, a divindade hindu associada à arquitetura e ao trabalho manual: ferramentas e local de trabalho são abençoados em rituais que unem fé e ofício, reforçando a ideia de que o trabalho da alvenaria também tem um sentido sagrado dentro da tradição hindu.
O canarim e o guzerate, as línguas faladas pelos kadias conforme a região, já têm a Bíblia completa há décadas, e o texto está disponível também em áudio e em plataformas digitais. A distância dos kadias do evangelho, portanto, não vem da falta de um texto na própria língua, mas da ausência quase total de quem leve essa Escritura até eles e explique seu significado dentro de uma comunidade que nunca teve contato com seguidores de Cristo.
Praticamente não há registro de seguidores de Cristo entre os kadias, o que significa que o evangelho ainda precisa chegar de fora do próprio grupo, sem que ninguém dentro da comunidade tenha vivido essa fé diante dos demais. A identidade do povo está fortemente ligada ao hinduísmo e aos conselhos de casta, de modo que qualquer mudança religiosa tende a ser vista como ruptura com a família e com a tradição do ofício herdado dos antepassados, o que exige tempo e confiança para que a mensagem seja sequer ouvida.
Como em muitas comunidades de trabalhadores da construção, a instabilidade da renda entre uma obra e outra e os riscos físicos do ofício de pedreiro são realidades cotidianas para famílias kadias. A carência mais profunda, porém, é a ausência de qualquer comunidade cristã local: sem crentes dentro do próprio povo, falta quem converse com os kadias em sua própria língua e cultura sobre quem é Jesus.
Há também a necessidade de obreiros dispostos a construir relações duradouras com um povo que, por não ter tradição de contato com cristãos, tende a receber a mensagem com desconfiança até que a confiança seja conquistada.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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