Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os kimr, também chamados de gimr, formam um povo do oeste de Darfur, no Sudão, vivendo também do lado chadiano da fronteira, numa região árida e de solo arenoso conhecida como Dar Gimr. Pertencem ao grande grupo tama, que reúne diversas etnias vizinhas ao longo da divisa entre Chade e Sudão, e compartilham com elas língua, costumes e história.
A vida no Dar Gimr é marcada pela escassez de água e pela paisagem de colinas e areia, que limita as opções de sustento e molda um povo acostumado a tirar o essencial de uma terra difícil. Apesar do ambiente severo, os kimr mantêm uma identidade própria dentro do mosaico étnico de Darfur, com aldeias organizadas em torno da agricultura de sequeiro e de laços comunitários fortes.
Os kimr ocuparam por séculos uma posição entre dois grandes centros de poder da região: o sultanato de Darfur e o sultanato de Wadai. A partir do início do século XVII, tornaram-se tributários de Wadai, relação que durou até 1874, quando a chegada do domínio egípcio otomano mudou o equilíbrio de forças na área e os kimr passaram a pagar tributo aos novos governantes.
O início do século XX trouxe novos abalos: incursões de povos vizinhos e de forças francesas e mahdistas atingiram o Dar Gimr, reforçando entre os kimr a memória de uma história de disputas territoriais e de sobrevivência em meio a fronteiras de poder que raramente estiveram sob seu próprio controle.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Sudão Não alcançado
|
100%
|
200.000 |
O sustento dos kimr vem sobretudo da agricultura de sequeiro, adaptada à falta crônica de chuva e de umidade no solo: o milheto é a cultura mais cultivada, complementado por outros grãos resistentes à seca. Essa dependência da lavoura de subsistência faz da estação das chuvas o momento mais decisivo do ano para toda a comunidade.
A vida social se organiza em aldeias e núcleos familiares extensos, com pouca infraestrutura escolar disponível na região. Onde há escolas, costumam ser de orientação islâmica e voltadas principalmente aos meninos, o que mantém o índice de alfabetização baixo entre os kimr, ainda que algumas famílias, quando podem, enviem os filhos para estudar fora da área.
Os kimr são muçulmanos, como os demais povos do grupo tama, seguindo as tradições, os feriados e as celebrações do calendário islâmico. A fé molda o ritmo comunitário e é parte essencial de como o povo se reconhece e se distingue dos vizinhos, orientando desde os ritos de passagem até os encontros comunitários nas aldeias.
Ao lado da prática islâmica, persistem entre os kimr elementos de animismo e crenças ligadas a forças espirituais e feitiçaria, convivendo com o islã no dia a dia das aldeias. Essa combinação de fé islâmica com camadas de religiosidade tradicional é comum entre os povos da região do Darfur, e reforça o peso da identidade religiosa como marca de pertencimento ao grupo.
Os kimr falam uma variedade da língua tama, de tradição essencialmente oral: o índice de alfabetização nessa língua é registrado como praticamente nulo, o que torna a palavra falada, e não a escrita, o caminho natural para qualquer mensagem chegar ao povo. Já existem gravações de áudio em tama, e uma parte dos kimr também fala árabe, língua para a qual há muito mais material bíblico e evangelístico disponível.
Entre os kimr, ser muçulmano está entrelaçado com pertencer ao povo e à família, o que torna qualquer mudança de fé um risco social profundo. A isso somam-se o isolamento geográfico do Dar Gimr, uma região pobre em recursos naturais, e a quase total ausência de material escrito na língua tama, já que a tradição oral predomina e a alfabetização é rara.
A escassez de água e a dureza do solo no Dar Gimr tornam a segurança alimentar uma preocupação constante para as famílias kimr, dependentes de uma agricultura vulnerável às chuvas irregulares. Há também uma necessidade clara de mais acesso à educação e de oportunidades de trabalho além da lavoura de subsistência, algo que já leva muitos kimr a deixar a região em busca de sustento em outras partes de Darfur. Ajuda para administrar melhor os poucos recursos naturais disponíveis poderia firmar o povo em sua própria terra, reduzindo a necessidade dessas migrações.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
Acessar Calendário de OraçãoCrie sua conta para adotar e receber pontos de oração.