Povo
Os koli de Gujarat formam um dos povos mais numerosos do oeste da Índia, concentrados no estado de Gujarat, mas presentes em quase todo o território indiano. Falam gujarati como língua do dia a dia e carregam uma história ligada ao mar: por séculos, foram conhecidos como marinheiros, pescadores e, em certas épocas, temidos navegadores do mar Arábico, antes de se tornarem majoritariamente agricultores.
Sob o nome koli reúne-se, na verdade, um mosaico de clãs e subgrupos, como thakor, kotwal e talabda, cada um com costumes próprios e status social distinto: alguns reivindicam ascendência rajput e adotam seus costumes, buscando posição social mais alta, enquanto outros permanecem entre as castas mais marginalizadas de Gujarat. Essa diversidade interna dá aos koli uma identidade ao mesmo tempo unificada pelo nome koli e plural em costumes e status conforme o subgrupo.
Registros sobre os koli remontam a pelo menos o século XV, quando pequenos chefes koli erguiam domínios que raramente ultrapassavam os limites de uma única aldeia ao longo do litoral de Gujarat. Ao longo dos séculos, alguns clãs se destacaram na navegação e no controle de rotas marítimas, enquanto outros se fixaram como agricultores no interior.
Sob o domínio britânico, os koli foram por um tempo classificados como tribo criminosa, rótulo que carregaram por décadas, até serem reconhecidos como casta marcial durante a Primeira Guerra Mundial. Depois da independência da Índia, muitos perderam terras para castas mais poderosas e passaram a depender do trabalho assalariado, um cenário que ainda marca boa parte das comunidades koli hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
8.652.000 |
A maioria dos koli hoje vive da agricultura, do cultivo de arroz, trigo e milho, além da criação de gado, produção de leite e avicultura. Nas comunidades litorâneas e nas salinas de Kutch, a pesca e a extração de sal continuam sendo ofícios tradicionais, e muitos complementam a renda com trabalho assalariado.
A família nuclear é a base da organização social, mas o clã segue sendo a referência de pertencimento e de resolução de disputas. Casamentos, que costumam durar de três a quatro dias, seguem reunindo o clã e marcando a vida comunitária, ainda que a identidade koli permaneça dispersa em tantos subgrupos.
Quase todos os koli são hindus, e cada clã costuma cultuar sua própria divindade familiar, transmitida de geração em geração dentro da mesma linhagem. Essa devoção ao deus do clã convive com o culto às divindades regionais de Gujarat e com as festas do calendário hindu vividas coletivamente.
A posição de cada koli dentro do hinduísmo varia conforme o subgrupo: alguns adotam costumes e rituais associados aos rajputs para reivindicar prestígio social mais alto, enquanto outros seguem entre as castas classificadas oficialmente como social e economicamente mais desfavorecidas em Gujarat. Essa hierarquia interna, herdada do clã e da linhagem familiar, influencia diretamente quem se aproxima ou se afasta da fé de seus vizinhos.
O gujarati tem uma das traduções bíblicas mais antigas da Índia, com o Novo Testamento e depois a Bíblia completa disponíveis há mais de dois séculos, além de uma edição revisada da Bíblia completa lançada mais recentemente. Já existem hoje áudio, vídeos e aplicativos em gujarati, mas para a maioria dos koli a Escritura ainda soa como algo estranho à identidade hindu do clã, e poucos chegam a abri-la.
Ser koli é, para a grande maioria, ser hindu: a fé está entrelaçada ao clã, à divindade da família e aos costumes que marcam cada subgrupo. Deixar essa devoção é visto como romper com o próprio clã e, em muitos casos, com a busca histórica por reconhecimento e status social, seja pela via rajput, seja pela permanência dentro do hinduísmo popular. A dispersão dos koli em dezenas de sub-castas com poucos laços entre si também dificulta que o evangelho circule de um grupo para outro.
Muitas famílias koli, especialmente as que dependem da pesca, da agricultura de subsistência ou do trabalho assalariado, ainda enfrentam falta de eletricidade, água potável e acesso à medicina básica. A perda histórica de terras aprofundou a vulnerabilidade econômica de boa parte das comunidades.
Ao lado dessas carências materiais, há a necessidade de comunidade e discipulado para os poucos koli que já seguem Jesus, hoje dispersos e sem muito apoio em meio a um povo tão numeroso e fragmentado em clãs.
A língua gujarati conta hoje com uma Bíblia completa em edição recentemente revisada e com um número crescente de recursos em áudio, vídeo e aplicativos, ampliando os caminhos pelos quais a Palavra pode alcançar os koli em sua própria língua. Já existem koli que seguem Jesus, sinal de que o evangelho encontra espaço mesmo em uma identidade tão marcada pelo hinduísmo de clã.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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