Povo
Kandukuru Nagarjun - Flickr, CC BY 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os kumhars bardiha são um povo de oleiros da Índia, tradicionalmente responsáveis por transformar barro em potes, utensílios e imagens religiosas de terracota vendidas nos mercados locais. Vivem sobretudo em Uttar Pradesh, com presença também em Bihar, Jharkhand e outros estados do norte e centro do país.
Ocupam um lugar intermediário na hierarquia de castas hindu: não estão entre os mais marginalizados, mas carregam um status considerado baixo, herdado do ofício manual que os define há gerações. O nome do grupo remete ao barro moldado à mão, uma vocação que ainda hoje molda a identidade de muitas famílias.
À medida que a renda da cerâmica se torna insuficiente, um número crescente de kumhars bardiha passou a somar a lavoura e a criação de animais ao trabalho tradicional, adaptando-se sem abandonar de todo o ofício que os identifica.
A tradição hindu liga a origem dos kumhars ao deus Prajapati, o criador, do qual muitos se consideram descendentes, adotando inclusive esse nome como sobrenome honorífico. Uma narrativa popular conta que Brahma dividiu cana-de-açúcar entre seus filhos, e todos a comeram, menos o kumhar, que a plantou na lama por honestidade. Por essa fidelidade ao próprio dever, Brahma lhe concedeu o título de Prajapati, o que passou a explicar simbolicamente a origem e a vocação do grupo.
Ao longo dos séculos, a casta se organizou em torno da olaria como ofício hereditário, espalhando-se por diferentes regiões da Índia e dando origem a subgrupos regionais, entre eles os bardiha, hoje concentrados principalmente no norte do país.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
100%
|
682.000 |
Tradicionalmente oleiros, os kumhars bardiha moldam barro em potes, brinquedos e imagens religiosas de terracota, um ofício transmitido de pai para filho. Como o comércio da cerâmica rende cada vez menos, muitas famílias passaram a se dedicar também à agricultura e à criação de animais, somando as duas rendas para sobreviver.
A vida social gira em torno do homem, que recebe o crédito pelo trabalho mesmo quando a esposa contribui com boa parte do esforço. As meninas costumam casar ainda jovens e raramente chegam a completar os estudos, já que as crianças em geral deixam a escola cedo para ajudar a família.
Os kumhars bardiha professam o hinduísmo quase por unanimidade, com devoção especial a Shiva, o destruidor, e à Deusa Mãe Mata. A ligação entre fé e ofício é profunda: muitos se veem como descendentes do deus criador Prajapati, e o próprio barro moldado nas mãos é tratado como algo sagrado, associado ao mito da criação do primeiro pote na hora do casamento de Shiva.
Essa fusão entre religião, mito de origem e profissão faz da identidade kumhar algo dificilmente separável da devoção hindu que a sustenta.
O hindi, língua predominante deste povo, conta com a Bíblia completa há mais de dois séculos e com fartos recursos em áudio, vídeo e aplicativos, além do Novo Testamento em formatos acessíveis a quem tem pouca leitura. Mesmo assim, entre os kumhars bardiha esse acervo praticamente não circula: a escolaridade interrompida cedo, a vida muitas vezes nômade em busca de trabalho e a distância de qualquer comunidade cristã fazem da Palavra algo desconhecido, não indisponível.
Ser kumhar é ser hindu: a identidade de casta está entrelaçada à devoção a Shiva e à Deusa Mãe, de modo que abandonar essa fé é percebido como abandonar a própria família e comunidade. O nomadismo em busca de trabalho, a baixa escolaridade e a ausência de qualquer testemunho cristão conhecido entre eles tornam raro até mesmo o primeiro contato com o evangelho.
A renda da cerâmica raramente sustenta uma família, o que empurra muitos kumhars bardiha para o trabalho agrícola informal e a criação de animais como complemento. Faltam acesso à medicina moderna e à água potável em boa parte das comunidades, e a educação das crianças, especialmente das meninas, é interrompida cedo pela necessidade de ajudar em casa.
Mais do que tudo, este povo carece de alguém que lhes anuncie o evangelho: não há registro de comunidade cristã entre os kumhars bardiha, e a Palavra que já existe em hindi precisa alcançar suas casas e seu ofício diário.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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