Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os lahawin são um povo pastoril do norte do Sudão, parte do grande grupo de árabes shuwa conhecidos regionalmente como baggara, os criadores de gado. Vivem ao longo do rio Atbara e nas terras da região de Kassala e do Butana, onde a paisagem impõe o ritmo da vida: seca e chuva definem quando é hora de mover os rebanhos e quando é hora de plantar.
Falam árabe sudanês e mantêm uma identidade fortemente marcada pelo islã, que atravessa tanto a vida cotidiana quanto os laços de família e comunidade. Ainda que o deslocamento sazonal com o gado continue sendo a marca mais conhecida do povo, uma parte já vive de forma mais fixa, em vilarejos e pequenas cidades onde a agricultura ganha mais espaço.
Os lahawin descendem dos árabes que migraram para o oeste em direção ao Sudão entre os séculos XII e XIII, somando-se aos povos locais e formando, ao longo dos séculos, os grupos hoje conhecidos como baggara, os árabes criadores de gado. Fixando-se nas terras banhadas pelo rio Atbara, no norte sudanês, desenvolveram um modo de vida pastoril adaptado ao clima seco da região, alternando entre a criação de gado e a agricultura de subsistência conforme as estações do ano. Essa combinação entre pastoreio e lavoura sazonal, herdada de gerações, ainda hoje marca a identidade do povo e organiza o calendário de suas famílias.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Sudão Não alcançado
|
100%
|
240.000 |
A vida dos lahawin segue o ritmo das estações: no período seco, os rebanhos são levados para as terras mais próximas do rio, e na estação chuvosa retornam às pastagens abertas do norte. Antes de partir, é comum plantar sorgo, gergelim, milheto e feijão, que serão colhidos somente na volta, garantindo alimento para quando as famílias já estiverem de novo com o gado.
Nem todos seguem esse deslocamento completo: parte do povo já se fixou em comunidades agrícolas ou pequenas cidades, combinando lavoura e criação de gado, cabras e ovelhas como base do sustento. Do leite e da carne dos rebanhos vem boa parte da alimentação diária, e as peles do gado ainda servem para fazer roupas e tendas nas famílias mais ligadas ao deslocamento sazonal.
Os lahawin são profundamente devotos ao islã, que molda não apenas a prática religiosa, mas a própria identidade do povo: praticamente a totalidade das famílias se declara muçulmana. Ser lahawin, na prática, é ser muçulmano, uma condição herdada desde que os antepassados árabes se converteram ao islã, ainda no século XIII. A fé se confunde com a pertença ao clã e à família, e raramente é vivida como escolha individual separada da tradição herdada.
Essa fusão entre religião e identidade étnica torna qualquer mensagem que se apresente como alternativa ao islã algo recebido com desconfiança, não por hostilidade pessoal, mas porque abandonar a fé é sentido como abandonar o próprio povo e romper com gerações de história compartilhada.
A língua do coração dos lahawin é o árabe sudanês, que já conta com o Novo Testamento completo, além de gravações em áudio e do filme Jesus disponíveis para quem tem pouco acesso à leitura. A Bíblia completa, porém, ainda não foi traduzida para essa variante do árabe.
Mesmo com esses recursos existindo, a vida nômade e a distância das cidades dificultam que eles cheguem às famílias espalhadas pelo campo e pelas margens do rio Atbara, onde o acesso a qualquer conteúdo cristão continua sendo raro.
Ser lahawin é ser muçulmano: a fé islâmica está entrelaçada com a honra da família e do clã, e quem se volta para Jesus corre o risco de ser visto como traidor do próprio povo. O modo de vida nômade, com deslocamentos constantes entre pastagens de seca e de chuva, torna raro qualquer contato prolongado com quem poderia falar de Cristo, e a distância das cidades aprofunda esse isolamento.
O deslocamento constante entre pastagens de seca e de chuva deixa as famílias lahawin distantes de escolas, serviços de saúde e de qualquer comunidade cristã estabelecida. Quando os homens partem para trabalhar em outros países por um ou dois anos, mulheres e crianças assumem sozinhas o sustento e o cuidado do lar, muitas vezes sem apoio externo. Há uma necessidade concreta de presença próxima e duradoura, de ajuda prática no dia a dia e de alguém disposto a caminhar com essas famílias no tempo que os homens estão fora.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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