Povo
Przemek Polakiewicz - Flickr, CC BY-NC-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os lakis vivem nas montanhas do Zagros, no oeste do Irã, espalhados por Lorestan, Kermanshah, Ilam e Hamadan. Falam laki, uma língua cuja classificação divide os estudiosos: para uns, um dialeto do curdo; para outros, mais próxima do luri; para muitos, uma fala de transição entre as duas famílias. Essa posição intermediária, entre duas grandes identidades regionais do Zagros, marca o modo como os lakis se veem e são vistos pelos outros, sem se encaixarem por completo em nenhuma delas.
São organizados em dezenas de subtribos, cada uma com sua própria linhagem e história de assentamento nos vales e planaltos do Zagros. Essa estrutura tribal ainda hoje molda laços de pertencimento, alianças de casamento e resolução de conflitos, mesmo à medida que cidades como Khorramabad e Kermanshah atraem cada vez mais famílias lakis para a vida urbana.
A origem dos lakis remonta às populações iranianas antigas que ocupavam os montes Zagros muito antes da era islâmica, numa zona de passagem entre a Mesopotâmia e o planalto persa. Ao longo dos séculos, o isolamento das montanhas favoreceu a formação de uma língua e uma identidade tribal próprias, situadas entre os curdos ao norte e os povos luri ao sul.
Com a expansão do islã na região a partir do século VII, os lakis foram gradualmente incorporados à esfera xiita, mas sem abandonar por completo tradições espirituais mais antigas. A divisão administrativa do Irã moderno em províncias separou o território tradicional laki entre diferentes fronteiras internas, reforçando a identidade tribal como elo de coesão do povo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Irã Não alcançado
|
100%
|
710.000 |
Historicamente pastores seminômades, os lakis conduziam rebanhos de ovelhas e cabras entre os vales baixos no inverno e os pastos de altitude no verão, um ritmo sazonal que ainda define a vida de parte das famílias rurais. Outras se dedicam à agricultura em terraços e pequenas plantações nos vales mais férteis do Zagros.
A tribo e a subtribo continuam sendo a principal referência social: definem obrigações de hospitalidade, apoio mútuo em tempos difíceis e o respeito devido aos mais velhos. A poesia e a música cantada em laki, acompanhadas frequentemente por instrumentos de corda tradicionais da região, seguem como uma das expressões mais vivas da identidade do povo.
A fé predominante entre os lakis é o islamismo, numa combinação particular do xiismo oficial do Irã com o Ahl-e Haqq, uma tradição mística mais antiga da região dos Zagros. Essa corrente inclui crenças como a transmigração das almas entre corpos, além de práticas devocionais próprias que convivem, nem sempre sem tensão, com a ortodoxia xiita.
Para a maioria dos lakis, pertencer a essa tradição religiosa está entrelaçado com a própria identidade tribal: acompanhar os costumes de fé da família e da subtribo é visto como parte de honrar os antepassados, não apenas uma escolha pessoal de crença.
O laki é uma língua viva, falada como primeira língua por toda a comunidade étnica, mas por muito tempo ficou sem Escritura própria, à sombra do persa e do curdo, línguas com as quais o laki se mistura na vida cotidiana. Avanços recentes trouxeram porções bíblicas e um Novo Testamento traduzido para o laki, uma novidade ainda pouco conhecida entre o povo. A maior parte dos lakis nunca ouviu um trecho da Bíblia na própria língua materna.
Entre os lakis, pertencer à tribo e à fé islâmica formam uma só identidade: abandonar o islã é percebido como romper com a família e com a honra do clã, não apenas mudar de religião. O isolamento das áreas montanhosas, a ausência de qualquer comunidade cristã local e o fato de a Escritura em laki ser praticamente desconhecida tornam raro que um laki jamais tenha ouvido o evangelho de forma clara e compreensível.
Comunidades rurais no Zagros ainda enfrentam dificuldades de acesso a serviços básicos de saúde e educação, agravadas pela vida seminômade de parte das famílias. Há também uma necessidade espiritual profunda: a de conhecer as boas novas de Jesus numa língua e cultura que os alcancem no coração, e não apenas como mensagem estrangeira.
Não há, hoje, uma comunidade cristã laki visível capaz de acompanhar quem viesse a crer. Quem desse esse passo precisaria de discipulado, proteção e irmãos na fé, praticamente inexistentes na própria língua e cultura do povo.
A chegada recente de porções bíblicas e de um Novo Testamento completo em laki é, em si, um sinal novo depois de gerações sem Escritura própria: pela primeira vez, um laki pode ouvir Deus falar em sua própria língua materna. Cada trecho lido ou ouvido em laki carrega o potencial de plantar, no coração de uma família ou de uma subtribo inteira, a primeira semente clara do evangelho em sua própria língua.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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