Povo
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Peretz Partensky - Flickr, CC BY-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado
24 mil pessoas deste povo vivem em países onde ele segue não ou pouco alcançado:
Uzbequistão Não alcançado
13.000 pessoas
Quirguistão Não alcançado
5.500 pessoas
Tajiquistão Não alcançado
5.200 pessoas Os lyuli são um povo de tradição itinerante da Ásia Central, presente em cidades e vilarejos do Uzbequistão, do Tajiquistão, do sul do Quirguistão e da Rússia. O nome é o mais conhecido fora da comunidade, mas muitos preferem se chamar mugat, e há quem considere “lyuli” e “jugi” termos carregados de estigma. Por isso vale falar deles com cuidado e ouvir como eles mesmos se nomeiam.
Conhecidos historicamente como artesãos, comerciantes de gado, músicos e dançarinos, formam comunidades coesas, em geral muito fechadas a quem vem de fora, e vivem em meio a vizinhos tajiques e uzbeques.
Sua língua do dia a dia é, em geral, o tajique, mas muitos também falam uzbeque ou russo, o que os acostumou a transitar entre mundos. Essa capacidade de adaptação, somada a uma forte memória de grupo, ajuda a explicar como mantiveram identidade própria por gerações, mesmo sendo muitas vezes pouco compreendidos pelos vizinhos.
A origem dos lyuli é debatida, mas os estudiosos costumam apontar migrações vindas do subcontinente indiano. O nome multani, usado por certas famílias, remete à cidade de Multan, no atual Paquistão, de onde alguns de seus antepassados teriam partido séculos atrás. Segundo tradições da própria comunidade, ela já existia na região na época de Timur.
Por muito tempo a vida foi de deslocamento, de aldeia em aldeia, com ofícios que dependiam de feiras e festas. A partir do início do século XX muitas famílias passaram a viver em áreas urbanas, e essa mudança marcou a identidade do povo até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Uzbequistão Não alcançado
|
53,7%
|
13.000 |
Quirguistão Não alcançado
|
22,7%
|
5.500 |
Tajiquistão Não alcançado
|
21,5%
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5.200 |
Rússia Parcialmente alcançado
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2,1%
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500 |
Tradicionalmente, os lyuli se sustentavam com artesanato, joalheria, comércio de gado, música e trabalhos sazonais. Hoje muitas famílias combinam essas heranças com o pequeno comércio e outras ocupações urbanas, e a música e a dança seguem presentes em casamentos e celebrações da comunidade.
A vida social gira em torno da família e dos parentes, e a solidariedade entre eles é um valor central, assim como o cuidado com os mais velhos. Como a comunidade costuma ser muito unida e reservada diante de quem não é lyuli, preserva costumes, histórias e laços que a distinguem dos vizinhos. Para muitos, a música não é apenas ofício, mas memória viva da própria história e forma de expressar alegria e pertença.
Os lyuli são muçulmanos sunitas. O islã marca o calendário familiar, os ritos de nascimento, casamento e morte, e a identidade diante dos vizinhos tajiques e uzbeques. Pertencer à comunidade e ser muçulmano caminham juntos no entendimento da maioria.
Na prática, a fé costuma ser vivida de modo simples e familiar, entrelaçada com costumes herdados dos antepassados e com o respeito aos mais velhos, que costumam guiar as decisões da casa. Para muitos, a religião é menos uma questão de estudo e mais de pertencimento à família e à tradição, e é assim que ela deve ser compreendida por quem deseja conversar com eles com respeito.
A Bíblia existe em tajique, a língua que a maioria dos lyuli fala em casa, e há também Escrituras em uzbeque e em russo, línguas que muitos conhecem. O desafio é menos a existência do texto e mais o caminho até ele: poucos têm contato com uma comunidade cristã que o explique, e a leitura não faz parte da rotina de muitas famílias. Para um povo de forte tradição musical, áudio e histórias contadas na própria língua podem ser pontes naturais para a Palavra.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Para os lyuli, ser da comunidade e ser muçulmano andam juntos, e seguir outra fé pode ser entendido como romper com a família e com o grupo. Somam-se a isso o estigma que muitas vezes pesa sobre o povo na sociedade ao redor, uma comunidade muito fechada a quem vem de fora e a escassez de cristãos que os conheçam de perto e os tratem como amigos. A desconfiança mútua dificulta o primeiro contato, e a falta de igrejas ou grupos de fé em sua realidade torna ainda mais raro o encontro com o evangelho.
Muitas famílias lyuli enfrentam estigma, pobreza e dificuldade de acesso à educação e ao trabalho estável. Há necessidade de dignidade, de oportunidades para os jovens e de reconhecimento da riqueza de sua cultura musical e artesanal, hoje muitas vezes vista apenas pelo prisma do preconceito.
No plano espiritual, falta quem os procure com amizade verdadeira, escute sua história e compartilhe a esperança de Jesus de modo respeitoso, na língua e na forma que façam sentido para eles e para suas famílias.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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