Povo
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Rod Waddington - Flickr, CC BY-SA 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os mahras vivem no extremo sul da Península Arábica, entre a região de Al Mahrah, no leste do Iêmen, e o litoral de Dhofar, em Omã, com famílias também na Arábia Saudita, no Kuwait e na Somália. Falam mehri, uma língua sul-arábica moderna que hoje sobrevive sobretudo na fala, não na escrita.
Organizados em tribos lideradas por xeiques, os mahras combinam a vida semi-nômade do pastoreio com a pesca nas águas do mar da Arábia, um equilíbrio que moldou tanto sua economia quanto sua identidade. Por muito tempo vistos pelos vizinhos árabes como um povo à parte, de menor prestígio social, os mahras preservam até hoje uma língua e um modo de vida distintos dentro de um mundo majoritariamente árabe.
A identidade mahra é marcada pela honra tribal e pela lealdade ao islã sunita, elementos que se confundem com o próprio pertencimento ao povo.
A língua dos mahras, o mehri, pertence à família das línguas sul-arábicas modernas, um ramo semítico distinto do árabe que se conserva desde antes da chegada do islã à região. Estudiosos entendem essas línguas como parentes das antigas línguas inscritas em pedra na Arábia antiga, como o sabeu, e não como suas descendentes diretas, o que ainda revela raízes muito antigas.
Com a expansão do islã a partir do século VII, os mahras foram incorporados ao mundo muçulmano, mas mantiveram a língua e a organização tribal como marcas de identidade própria. Ao longo dos séculos formaram um sultanato próprio, o de Qishn e Socotra, unindo Al Mahrah, no Iêmen, e a ilha de Socotra, até sua extinção em 1967, quando as fronteiras modernas já dividiam o povo entre Iêmen e Omã.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Iêmen Não alcançado
|
44,3%
|
125.000 |
Omã Não alcançado
|
35,4%
|
100.000 |
Kuwait Não alcançado
|
11%
|
31.000 |
Arábia Saudita Não alcançado
|
7,4%
|
21.000 |
Somália Não alcançado
|
1,8%
|
5.100 |
A vida mahra ainda gira em boa parte ao redor dos rebanhos de camelos e cabras, levados de um pasto a outro conforme a estação, e da pesca no litoral do sul da Arábia. Gerações de convivência com o mar e o deserto deixaram um vocabulário próprio para ler ventos, marés e sinais do tempo, um conhecimento passado de pai para filho como qualquer outro ofício.
Cada tribo segue sob um xeique, responsável por decidir o uso das terras de pastagem e por mediar os assuntos do grupo com autoridade também religiosa. Os filhos são vistos como a maior riqueza de uma família: os meninos recebem a herança e dão continuidade ao nome, as meninas são preparadas para constituir e sustentar novos lares pelo casamento. O café compartilhado ao longo do dia é o momento em que as decisões da tribo são conversadas.
Os mahras são muçulmanos sunitas, e a fé islâmica está entrelaçada com a própria identidade tribal: o xeique que lidera cada tribo também é reconhecido como autoridade em assuntos religiosos, e é ele quem intermedia a relação do grupo com forasteiros. As orações e os costumes islâmicos marcam o ritmo dos dias, ao lado de tradições locais transmitidas por gerações dentro de cada tribo.
Professar outra fé é entendido não apenas como erro pessoal, mas como afronta à tribo inteira, capaz de custar a um mahra a família, a honra, o sustento e, em alguns casos, a própria vida. Por isso a conversão ao islã e a lealdade ao xeique seguem sendo, para a maioria dos mahras, inseparáveis de pertencer ao povo.
A língua mehri ainda não tem uma Bíblia completa: existem apenas pequenas porções traduzidas, e a maior parte do povo nunca teve contato com elas. Como o mehri é principalmente falado, não escrito, no dia a dia, a oralidade pesa mais que qualquer texto impresso. Para os mahras que também falam árabe, ao menos os recursos em árabe iemenita ficam ao alcance, ainda que não substituam ouvir a Palavra na língua do coração.
Um povo só entende o evangelho de verdade quando o ouve na língua do seu coração. Veja em que estágio está a tradução.
Dados de tradução: Joshua Project.
Entre os mahras, pertencer ao islã e pertencer à tribo são a mesma coisa: abandonar a fé do xeique e dos ancestrais significa romper com a honra da família e correr o risco de perder tudo, do convívio ao próprio sustento. A vida semi-nômade e a distância dos centros urbanos deixam poucas oportunidades de contato com um cristão ou com qualquer testemunho do evangelho na própria língua.
Anos de instabilidade e as dificuldades da vida semi-nômade no sul da Arábia tornam a subsistência do dia a dia uma luta constante para muitas famílias mahras. Falta também alcance: nenhum trabalho de anúncio do evangelho é conhecido entre eles, e a língua mehri segue sem uma Bíblia completa ou materiais amplamente disponíveis.
Quem entre os mahras chegasse a seguir Jesus enfrentaria sozinho a rejeição da própria tribo, precisando de um encorajamento e de uma comunidade de fé que hoje praticamente não existe.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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