Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os mahratta kunbi formam uma das grandes castas agrícolas do oeste da Índia, concentrados principalmente em Gujarat e Maharashtra, com uma comunidade também presente na província de Sindh, no Paquistão. O nome kunbi está ligado ao trabalho da terra: entre as origens propostas para a palavra estão termos do marata e do sânscrito associados a cultivo e lavoura, uma referência direta à vida rural centrada na terra e no lar que ainda define boa parte desse povo hoje.
Historicamente distinguem-se dos mahrattas propriamente ditos, cuja tradição remete a chefes e guerreiros, enquanto os kunbis se identificam com o trabalho da terra. Na prática, porém, as duas comunidades compartilham origem, costumam se casar entre si e são frequentemente tratadas como um único grande grupo social, dominante na paisagem humana de Maharashtra.
Na Índia falam majoritariamente guzerate, com o marata, o hindi e o concani também presentes entre eles, reflexo da própria fronteira cultural que ocupam entre Gujarat e Maharashtra. Já a comunidade estabelecida no Paquistão, na província de Sindh, fala principalmente sindi.
A identidade kunbi se formou ao longo de séculos como a camada camponesa da sociedade marata, cultivando a terra enquanto outros ramos da mesma origem se voltavam para a guerra e o governo. Essa divisão de papéis, entre quem lavrava e quem comandava, ajudou a moldar duas identidades sociais próximas, mas distintas, dentro do mesmo tronco étnico.
Com o tempo, migrações internas levaram famílias kunbi para além de Maharashtra, fixando-se em Gujarat e chegando até a província de Sindh, hoje no Paquistão. Essa dispersão explica por que o povo hoje fala mais de uma língua e vive sob costumes regionais diferentes, mantendo em comum a ligação com a agricultura e a memória de uma origem única.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
98,5%
|
7.996.000 |
Paquistão Não alcançado
|
1,5%
|
125.000 |
A vida gira em torno da lavoura: famílias cultivam suas próprias terras com a ajuda de animais de trabalho, e muitas possuem pequenas propriedades transmitidas de geração em geração. Ao lado da agricultura, não é raro encontrar kunbis como comerciantes, soldados ou funcionários públicos, sinal de uma comunidade que soube diversificar o sustento sem abandonar as raízes rurais.
Ocupam uma posição social elevada dentro do sistema de castas, o que lhes garante respeito e certa mobilidade, ainda que muitas famílias continuem entre as de renda mais modesta. A vida de aldeia, com laços fortes de vizinhança e parentesco, permanece o centro da existência para a maioria.
A fé hindu permeia quase toda a comunidade, com devoção a Shiva, Vishnu e Devi, além das diversas encarnações associadas a essas divindades. O calendário agrícola e o calendário religioso caminham juntos: festas, rituais e oferendas marcam as estações do plantio e da colheita, unindo a vida espiritual à vida da terra.
Ser kunbi é, para a grande maioria, indissociável de ser hindu: a fé confirma o lugar da família na casta e na aldeia, e é vivida menos como escolha individual e mais como herança que se recebe e se transmite.
O guzerate, principal língua do povo, tem uma das traduções bíblicas mais antigas da Índia: uma primeira versão já circulava no início do século XIX, e uma revisão do texto completo se tornou referência ainda no século seguinte. Hoje a Bíblia em guzerate está disponível também em áudio e em aplicativos para celular, ampliando o acesso mesmo em áreas rurais. Apesar disso, entre os mahratta kunbi a Escritura praticamente não circula, e poucos jamais tiveram contato direto com o texto na própria língua.
Entre os mahratta kunbi, seguir Jesus significa romper com uma identidade que une casta, família e fé hindu em um só tecido social. Abandonar os deuses da aldeia é lido como abandonar a própria linhagem, algo que pesa sobre qualquer indivíduo que se aproxime do evangelho. Some-se a isso a distância física e social em relação a comunidades cristãs, e o resultado é um povo numeroso, mas com pouquíssimo contato real com testemunho cristão vivo.
Sendo majoritariamente agricultores, os mahratta kunbi enfrentam as incertezas próprias da vida rural, como safras dependentes do clima e a busca constante por melhores condições de renda em meio às pequenas propriedades que cultivam. Faltam também estrutura básica de saúde e educação em muitas das aldeias onde vivem, sobretudo nas áreas mais afastadas de Gujarat, Maharashtra e Sindh. Mais do que isso, é a ausência quase total de igreja e de discipulado em sua própria língua e cultura que marca a maior carência espiritual desse povo: uma comunidade com a Escritura disponível em guzerate, mas sem ninguém por perto para abrir esse livro com eles e caminhar ao seu lado na fé.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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