Jainal123 - Wikimedia, CC BY-SA 4.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os maimais são uma comunidade muçulmana bengali ligada há séculos à pesca em rios, espalhada entre a região de Sylhet, no nordeste de Bangladesh, e o vale do Barak, no estado indiano de Assam. Vivem às margens dos rios Sonai e Barak, onde a água moldou por gerações o ofício, os laços de vizinhança e a própria identidade do grupo.
O nome do povo vem da união de duas palavras antigas, uma que significa peixe e outra que designa o barqueiro, lembrando que o rio, antes de tudo, definiu quem eles são. Hoje falam sylheti, língua bengali do nordeste indiano e de Bangladesh, e embora a maioria já tenha trocado a rede pela enxada, a memória da pesca ribeirinha continua central na forma como o povo se reconhece.
A tradição do povo atribui sua conversão ao islã à pregação do santo sufi Shah Jalal e de seus discípulos, que percorreram a região de Sylhet a partir do século XIV. Antes disso, muitas famílias já viviam da pesca nos rios da área, um ofício que se tornou, com o tempo, sinônimo do próprio nome do grupo.
Com a islamização da região, a sociedade muçulmana que se formou dividiu os convertidos por ofício, de um lado os agricultores, de outro os pescadores, entre os quais os maimais. Essa separação por trabalho acabou virando separação por status, e o povo carregou por séculos o peso de ser visto como classe inferior dentro da própria fé que havia abraçado.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Bangladesh Não alcançado
|
98,6%
|
153.000 |
Índia Não alcançado
|
1,4%
|
2.200 |
Durante gerações, os maimais viveram da pesca fluvial ao longo dos rios Sonai e Barak, mas hoje a maior parte da comunidade se dedica à agricultura de subsistência, cultivando arroz e hortaliças, com algum pequeno comércio complementando a renda das famílias que já não dependem só do rio para sobreviver.
Vivem em aldeias compartilhadas com outros grupos da região, os chamados paras, e mantêm o costume de casar dentro da própria comunidade, o que reforça laços de parentesco e pertencimento. Associações comunitárias organizadas nas últimas décadas cuidam do bem-estar social e da representação política do povo perante as autoridades locais.
Os maimais são muçulmanos sunitas e seguem as práticas comuns ao islã bengali, as cinco orações diárias, o jejum, a esmola e a peregrinação, quando possível, com devoção que se transmite de geração em geração. Contribuíram historicamente para erguer mesquitas e madraças na região onde vivem, mostrando um apego sincero à fé que herdaram de seus antepassados.
Ainda assim, séculos depois de sua conversão, muitos maimais seguem enfrentando o preconceito de muçulmanos de casta mais alta, como se sua origem pesqueira manchasse sua adesão ao islã. A fé que deveria unir irmãos na mesma crença convive, na prática, com uma hierarquia social que a própria comunidade não escolheu.
Entre os maimais de Bangladesh, que falam sylheti, a Escritura disponível ainda se limita ao Novo Testamento, uma etapa importante, mas incompleta, do acesso à Palavra. Já entre os maimais da Índia, falantes de bengali, a Bíblia completa existe há muito tempo naquela língua, embora isso não signifique que a comunidade a conheça ou tenha contato direto com ela. A distância entre um texto existir e chegar de fato às famílias continua sendo o maior desafio.
Ser maimal é, antes de tudo, ser muçulmano, e deixar o islã é visto como abandonar não só a fé, mas a própria família e a comunidade que já sofreu tanto para ser aceita dentro do mundo muçulmano. Some a isso o isolamento das aldeias ribeirinhas e a pobreza, que deixam pouco espaço para contato com cristãos ou com qualquer mensagem fora do universo islâmico em que o povo sempre viveu.
Séculos de preconceito de castas mais altas dentro do próprio islã deixaram os maimais com pouco acesso à educação e a oportunidades econômicas, presos em grande parte à agricultura de subsistência e vulneráveis às enchentes dos rios que atravessam sua região. Há uma necessidade profunda de dignidade e de reconhecimento, que nenhuma estrutura social ainda supriu por completo.
Praticamente sem presença cristã entre eles, o povo também carece de qualquer comunidade que possa apresentar Jesus em sua própria língua e cultura, um vazio que hoje ainda não tem resposta.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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