País
Povo não alcançado Fronteira
Os Matis são um povo indígena que vive na Terra Indígena Vale do Javari, no estado do Amazonas, na fronteira do Brasil com o Peru. Ocupam uma região de florestas e rios que se estende pelo médio Ituí, alto Coari e médio rio Branco, uma das áreas com maior concentração de povos de recente contato e de povos isolados de toda a Amazônia. São conhecidos por sua forte identidade cultural, expressa especialmente nas marcas faciais e nos adornos tradicionais que lhes deram, por parte de outros, o apelido de povo do rosto enfeitado.
O contato regular com a sociedade envolvente é relativamente recente: a Funai estabeleceu os primeiros contatos com os Matis em meados da década de 1970. Esse contato trouxe profundas mudanças, inclusive perdas demográficas causadas por doenças, e até hoje o povo lida com os efeitos dessa história. Hoje somam algo em torno de algumas centenas de pessoas, mantendo viva sua língua própria.
A língua Matis pertence à família linguística Pano, do ramo Mayoruna, aparentada às línguas dos povos vizinhos da mesma região. É a principal língua do cotidiano da comunidade e elemento central de sua identidade, tendo sido reconhecida entre as línguas indígenas oficiais do Amazonas. A transmissão da língua e dos saberes tradicionais às novas gerações segue sendo motivo de cuidado diante das pressões externas.
Os Matis vivem da floresta e dos rios que os cercam, tendo na caça uma atividade de grande importância cultural e de sustento, complementada pela pesca, pela coleta e pelo cultivo de roças. A vida se organiza em torno das casas comunais e das relações de parentesco, com forte valorização dos conhecimentos dos mais velhos, das práticas rituais e da preparação de jovens para a vida adulta. Os adornos corporais, as tatuagens faciais e os ornamentos que imitam os bigodes do animal que admiram fazem parte de uma estética e de uma cosmovisão próprias.
Entre os principais desafios atuais estão a defesa de seu território contra invasões e atividades ilegais, o acesso adequado à saúde diante da vulnerabilidade a doenças trazidas de fora, e a tensão entre preservar o modo de vida tradicional e responder às mudanças da convivência com a sociedade nacional. A valorização da língua e a continuidade dos saberes ancestrais entre os jovens são preocupações constantes da comunidade.
A vida espiritual dos Matis é orientada por uma cosmovisão própria, em que a floresta, os animais, os rios e os ancestrais estão entrelaçados e habitados por forças e espíritos. As práticas rituais, os cantos, o uso de substâncias e técnicas tradicionais de caça e cura, e o respeito a regras transmitidas pelos antigos expressam essa relação com o mundo invisível e com os seres que, segundo sua compreensão, sustentam a vida e a saúde da comunidade.
Nessa visão de mundo, equilíbrio, força e proteção dependem de manter corretas as relações com esses espíritos e com a natureza. A mensagem do evangelho de Jesus Cristo é praticamente desconhecida entre eles, e o povo permanece quase inteiramente fora do alcance de qualquer testemunho cristão claro em sua própria língua.
Os Matis carecem de um testemunho fiel e respeitoso do amor de Deus revelado em Jesus Cristo, comunicado em sua própria língua e de forma sensível à sua cultura, pois não há ainda porções das Escrituras traduzidas para o idioma deles. Junto às necessidades espirituais caminham necessidades práticas urgentes: proteção do território, atenção à saúde diante de doenças que ameaçam um povo tão pequeno, e o fortalecimento de sua língua e identidade. Que o Senhor abra portas para que a esperança do evangelho chegue a eles com reverência, sem destruir o que há de bom em sua cultura.
País
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
Acessar Calendário de OraçãoEntre no nosso canal do WhatsApp e receba, diariamente, uma nação para interceder.
Entrar no Canal