Povo não alcançado Fronteira
O povo mbojo, também chamado bima ou dompu, vive na parte oriental da ilha de Sumbawa, na província de Nusa Tenggara Ocidental, na Indonésia, além de pequenas comunidades nas ilhas vizinhas de Sangeang e Banta. São por vezes chamados de oma, palavra que remete ao ato de se deslocar, um traço que marcou sua história de assentamento nas terras baixas férteis da região.
Falantes da língua bima, de origem austronésia e ligada aos idiomas de Flores e Sumba, os mbojo desenvolveram uma cultura agrícola própria, com técnicas de irrigação e criação de cavalos que os distinguem entre os povos do leste indonésio. A vida em aldeia, organizada por líderes tradicionais, e o artesanato têxtil transmitido pelas mulheres dão a esse povo uma identidade cultural nítida dentro do mosaico étnico de Nusa Tenggara.
Sua vocação histórica sempre esteve ligada ao mar e à terra ao mesmo tempo: portos que conectaram Sumbawa a outras ilhas do arquipélago e campos que sustentaram gerações de agricultores. Essa posição de passagem marcou também sua formação religiosa e cultural ao longo dos séculos.
Antes da chegada do islã, os pequenos reinos da região de Bima estiveram sob a influência do império javanês de Majapahit, um dos grandes impérios hindu-budistas do arquipélago. Com o tempo, Bima construiu laços culturais e políticos próximos ao reino de Gowa, em Sulawesi, e foi por essa via que a fé muçulmana chegou com força à região.
No século XVII, sob influência do sultanato de Gowa, formou-se o Sultanato de Bima, que consolidou o islã como religião do povo e deu à identidade mbojo o contorno que ela ainda carrega hoje: uma cultura agrícola de terras baixas, fortemente marcada pela fé islâmica, mas que preservou por baixo dela crenças e práticas muito mais antigas.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Indonésia Não alcançado
|
100%
|
852.000 |
A vida do povo mbojo gira em torno da terra e da água. Cultivam arroz em campos alagados usando o panggawa, um sistema de irrigação próprio transmitido de geração em geração, e são reconhecidos como hábeis criadores de cavalos, animais que carregam prestígio e utilidade nas terras baixas de Sumbawa. As mulheres tecem esteiras de bambu e folha de palmeira e produzem o tembenggoli, um tecido tradicional que carrega o nome e a identidade do povo.
As aldeias, chamadas kampo, são conduzidas por um neuhi, líder cuja posição costuma passar de pai para filho, apoiado por anciãos respeitados que ajudam a resolver disputas e a guardar os costumes. Essa estrutura de liderança hereditária dá estabilidade à vida comunitária e mantém viva a memória do que significa ser mbojo, mesmo diante das mudanças trazidas pelo comércio e pela vida urbana em Bima e Dompu.
A grande maioria dos mbojo professa o islamismo sunita, e a fé islâmica está entrelaçada com a própria definição do que é ser mbojo, moldando o casamento, a educação dos filhos e a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, especialmente nas comunidades de montanha, práticas mais antigas continuam vivas por baixo da prática islâmica.
Muitos ainda reverenciam figuras espirituais como Batara Gangga e Batara Guru, ligadas a tradições anteriores ao islã, e reconhecem a presença de espíritos chamados bake e jin no cotidiano. Essa camada de crença mais antiga convive, sem grande conflito percebido, com a identidade muçulmana que a maioria assume publicamente.
O Novo Testamento na língua bima foi concluído no início dos anos 2000, mas a Bíblia completa ainda não existe no idioma do povo. Isso significa que boa parte das Escrituras, os Salmos, os profetas, a própria história de Israel que prepara a vinda de Cristo, segue fora do alcance de quem só lê ou ouve em bima. Para um povo de tradição oral forte, ligada à poesia e à narrativa falada, a ausência de uma Bíblia completa e de material em áudio na língua do coração é uma lacuna sentida.
Entre os mbojo, ser muçulmano é parte inseparável de ser mbojo: a fé molda a identidade da família, do casamento e do próprio nome do povo. Seguir a Jesus é lido como abandonar não só uma religião, mas a comunidade e a honra da família, o que expõe o convertido a pressão social intensa. A isso soma-se o isolamento das aldeias de montanha e das ilhas menores, onde chega pouca gente de fora e falta contato direto com cristãos.
Muitas famílias mbojo, especialmente nas áreas de montanha e nas ilhas menores, enfrentam isolamento geográfico, acesso limitado a atendimento médico e dificuldades para melhorar a produção agrícola e a pesca de que dependem. Essas carências materiais caminham lado a lado com uma carência espiritual: a falta de comunidade cristã estabelecida e de discipulado para quem começa a buscar a Jesus.
Há também a necessidade de que as Escrituras cheguem de forma completa e compreensível à língua bima, e de que os poucos crentes de origem mbojo encontrem apoio para viver e compartilhar sua fé sem se isolar da própria família e cultura.
Nos anos 1930, centenas de mbojo das áreas montanhosas ao redor de Dompu ouviram o evangelho e o receberam, um marco raro na história deste povo. Até hoje existem aldeias nas montanhas onde a maioria da população se identifica como cristã, um sinal concreto de que o evangelho pode enraizar entre os mbojo sem apagar sua identidade.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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