Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os midobis, também chamados tid-n-aal, são um povo das colinas de Meidob, no oeste do Sudão, onde vivem há gerações entre o pastoreio e a lavoura. Falam o midobi, uma língua da família núbia que os liga a outros povos núbios do norte do país, ao longo do vale do Nilo, e mantêm um forte senso de pertencimento a essa terra árida e montanhosa.
Muitos se dedicam à criação de ovelhas e cabras, deslocando-se conforme as estações em busca de pasto, enquanto outros se estabeleceram em vilas e na cidade de Malha, vivendo da agricultura. A identidade midobi combina uma prática islâmica bastante observante entre os homens com costumes mais antigos, ligados à terra e ao mundo espiritual, preservados sobretudo pelas mulheres.
A origem dos midobis remonta aos povos núbios do norte do Sudão, ao longo do vale do Nilo, dos quais herdaram a língua e parte da identidade. Ao longo do tempo, o grupo migrou e se fixou nas colinas de Meidob, no oeste do país, região que hoje dá nome ao povo e concentra a maior parte de sua população.
O islã começou a chegar à região no século dezessete, mas a conversão do povo só se consolidou de forma mais ampla ao longo do século dezenove. Esse processo gradual explica por que costumes anteriores ao islã, sobretudo entre as mulheres, resistiram até os dias de hoje lado a lado com a fé muçulmana.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Sudão Não alcançado
|
100%
|
106.000 |
Grande parte dos midobis vive do pastoreio semi-nômade, conduzindo rebanhos de ovelhas e cabras, e também alguns camelos, jumentos e cabeças de gado, em busca de água e pasto pelas colinas de Meidob e arredores. Outra parcela do povo se fixou em vilas e cidades, como a de Malha, dedicando-se à agricultura de sorgo e hortaliças.
A vida gira em torno do clã e da família extensa, que organizam desde o trabalho no campo até a resolução de disputas. Entre as mulheres, práticas antigas de adivinhação e ritos ligados à fertilidade seguem vivas, transmitidas de geração em geração à parte do islã oficial.
Os midobis são muçulmanos devotos, e os homens observam com rigor as principais festas e obrigações do islã. A fé está tão entrelaçada à identidade do povo que abandoná-la significaria romper com o próprio clã e com a terra dos ancestrais.
Entre as mulheres, porém, o contato com influências de fora sempre foi mais restrito, e por isso sobrevivem práticas anteriores à chegada do islã, como ritos ligados à fertilidade e formas de adivinhação que buscam contato com o mundo espiritual. Essas tradições convivem, sem grande conflito aparente, com a prática islâmica cotidiana, revelando uma identidade que ainda guarda camadas mais antigas sob a superfície muçulmana.
O idioma midobi, aparentado às línguas núbias do norte do Sudão, não tem hoje nenhuma porção das Escrituras traduzida. A língua é falada em casa e nas colinas de Meidob, mas segue sem registro escrito de uso corrente, o que deixa a Palavra fora do alcance de quem só entende o idioma do próprio povo. Sem um texto bíblico em midobi, o acesso ao evangelho depende quase inteiramente do árabe, língua que nem todos dominam com igual fluência.
Entre os midobis, ser muçulmano faz parte de ser quem se é: a fé confunde-se com a identidade do clã e da terra. A instabilidade política e a violência que atingem o oeste do Sudão dificultam ainda mais a circulação de ideias novas e o contato com qualquer mensagem de fora, deixando o povo isolado nas colinas e nas rotas de pastoreio que percorre.
A vida semi-nômade e o clima seco das colinas de Meidob tornam o povo vulnerável a períodos de escassez de água e pasto, o que ameaça diretamente o sustento das famílias que dependem dos rebanhos. Some-se a isso a instabilidade que atinge o oeste do Sudão, capaz de interromper de uma hora para outra o trabalho no campo e o deslocamento dos rebanhos.
Não há hoje comunidade cristã conhecida entre os midobis, tampouco Escritura em sua própria língua. A maior necessidade espiritual é justamente essa: que a mensagem do evangelho chegue de algum modo até um povo que ainda não teve a chance de ouvi-la em sua própria língua.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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