País
Povo não alcançado
Os Nawa são um povo indígena de tradição cultural Pano que vive no extremo oeste do estado do Acre, na região da Serra do Divisor, junto à fronteira com o Peru. Seu nome, na família linguística Pano, traz o sentido de gente, e por muito tempo eles foram tratados como um povo desaparecido. Entre o início do século 20 e o final dos anos 1990 chegaram a ser considerados extintos pelos registros oficiais, situação que só começou a ser revertida quando os próprios Nawa se reorganizaram e reafirmaram publicamente sua identidade.
No tempo dos primeiros contatos, viviam às margens do rio Juruá, na área onde hoje fica a cidade de Cruzeiro do Sul, de onde foram expulsos por volta de 1870. A partir daí percorreram um longo caminho de fuga e deslocamento, passando pelo Estirão dos Nauas, pelo Rio Azul e pela Serra do Moa, até se fixarem nas cabeceiras de igarapés da região. Hoje a maioria vive no município de Mâncio Lima, na margem direita do rio Moa e em igarapés como Jordão, Pijuca, Novo Recreio, Jarina, Venâncio e Jesumira.
A língua materna de tradição Pano foi praticamente perdida ao longo de mais de um século de contato forçado e violento com as frentes da exploração da borracha, quando os patrões seringalistas proibiram seu uso. Atualmente os Nawa falam o português, e apenas alguns poucos anciãos guardam fragmentos do antigo vocabulário. Mesmo assim, mantêm viva a consciência de sua origem e lutam pelo reconhecimento étnico e territorial.
Os Nawa vivem hoje sobretudo da agricultura familiar e do extrativismo na floresta, plantando o que consomem e levando o excedente da produção para abastecer as áreas urbanas próximas. Esse modo de vida ligado à terra e às matas das cabeceiras dos rios permitiu que se mantivessem na floresta e resistissem ao longo das décadas de dificuldades.
O grupo é pequeno e está organizado em comunidades ribeirinhas espalhadas pelos igarapés da margem direita do rio Moa. Um dos maiores desafios atuais é a sobreposição de seu território tradicional com uma área de conservação ambiental, o que gera tensão entre a permanência do povo na terra e as regras de proteção da floresta. A busca pelo reconhecimento oficial e pela demarcação de seu território é parte central de sua luta presente, marcada também pela tarefa de preservar a memória, os costumes e os traços culturais herdados da tradição Pano.
A religião predominante entre os Nawa está ligada às crenças étnicas e à cosmovisão tradicional dos povos de tradição Pano, em que a floresta, os rios, os animais e os espíritos da natureza ocupam lugar central na compreensão do mundo. Embora o longo contato e a perda da língua tenham enfraquecido parte das práticas antigas, muitos aspectos dessa visão de mundo permanecem presentes no modo de viver, de se relacionar com a mata e de entender a vida e a morte.
A presença do cristianismo entre eles é muito pequena, alcançando apenas uma parcela mínima do povo, sem expressão evangélica significativa. A mensagem do evangelho de Jesus Cristo ainda é pouco conhecida em meio a esse povo, que carrega ao mesmo tempo a herança espiritual de seus antepassados e as marcas das décadas de sofrimento e silenciamento.
Os Nawa carregam feridas profundas: o desenraizamento, a perda da língua materna, a luta pela própria existência reconhecida e a busca por um território seguro onde possam viver em paz. No campo espiritual, há grande necessidade de que conheçam o amor e a esperança que há em Jesus Cristo, de maneira que respeite e dignifique sua identidade indígena. Em meio às dificuldades materiais, à insegurança quanto à terra e à fragilidade de um povo pequeno, eles precisam de cuidado, justiça e de pessoas dispostas a se aproximar com humildade, amizade e oração constante.
País
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
Acessar Calendário de OraçãoEntre no nosso canal do WhatsApp e receba, diariamente, uma nação para interceder.
Entrar no Canal