Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os orma são um povo pastoril seminômade que vive nas terras secas e arbustivas do sudeste do Quênia, principalmente nos condados de Tana River, Lamu e Kilifi. Representam o ramo mais meridional do antigo povo oromo, que teve origem no planalto etíope e se espalhou ao longo de séculos por vastas regiões do leste africano.
A identidade orma está profundamente ligada ao gado: o bem-estar dos rebanhos organiza o calendário, os deslocamentos e as prioridades de cada família. Falam a língua orma, do ramo cuchítico da família afro-asiática, e mantêm laços culturais e de parentesco com outros povos de origem oromo espalhados pelo Chifre da África.
Vivem em relação próxima, e por vezes tensa, com os pocomo, agricultores e pescadores estabelecidos ao longo do rio Tana. Enquanto os pocomo dependem da terra às margens do rio, os orma precisam de acesso à água para dessedentar seus rebanhos, o que faz da convivência entre os dois povos algo delicado.
Os orma descendem da grande família oromo, que iniciou sua expansão a partir das terras altas do norte e centro da Etiópia ainda antes do século XVI, movendo-se para o sul em direção ao Quênia atual. Ao longo dessa migração, diferentes ramos oromo se fixaram em regiões distintas, dando origem a povos aparentados como os borana e os gabra.
No final do século XIX, conflitos com povos vizinhos empurraram os antepassados dos orma ainda mais para o sul, até a região do delta do rio Tana, onde parte do grupo se estabeleceu na fértil planície às margens do rio e outra parte ocupou as terras a oeste. Foi nesse território, no sudeste do Quênia, que os orma consolidaram a identidade que mantêm até hoje.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Quênia Não alcançado
|
100%
|
160.000 |
A pecuária é o centro da vida orma. Além do gado zebu de chifres longos, criado com orgulho e considerado entre os melhores rebanhos da África, as famílias mantêm cabras e ovelhas. O leite, a carne e, tradicionalmente, também o sangue do gado compõem a base da alimentação, hoje complementada por milho, arroz, feijão e chá.
O gado marca as grandes passagens da vida: é dado como parte do dote no casamento e abatido em celebrações e funerais. A busca por pasto e água impõe deslocamentos sazonais, e a proximidade com o rio Tana é vital, o que também aproxima e, às vezes, tensiona a relação com os povos agricultores da região.
Os orma são hoje quase inteiramente muçulmanos, tendo adotado o islã há cerca de três ou quatro gerações. A prática da fé é séria e constante, com observância das orações, jejuns e festas do calendário islâmico como parte central da vida comunitária.
Antes da chegada do islã, a religião orma reconhecia um Deus criador associado ao céu e uma variedade de espíritos ligados a lugares e elementos da natureza. Vestígios dessas crenças mais antigas ainda aparecem entrelaçados à prática islâmica cotidiana, sobretudo em rituais ligados à terra e aos ciclos do rebanho.
A língua orma recebeu porções bíblicas já em 2000, e o Novo Testamento completo foi publicado em 2016, fruto de anos de trabalho de tradução e alfabetização. Hoje existem também o Novo Testamento em áudio e o filme JESUS na língua orma, e um aplicativo com a Bíblia e outros materiais. Mesmo assim, a Bíblia completa ainda não existe em orma, e a grande maioria do povo segue sem qualquer contato pessoal com essas Escrituras.
Entre os orma, ser muçulmano é parte inseparável de ser orma: a fé islâmica sustenta a identidade étnica e a coesão do grupo, e abandoná-la é visto como romper com a própria família e comunidade. Some-se a isso o modo de vida seminômade, que dificulta a permanência de qualquer testemunho cristão por perto, e a quase total ausência de crentes conhecidos entre eles, o que faz da mensagem de Jesus algo praticamente desconhecido para a maioria.
A vida dos orma depende diretamente do clima: períodos de seca ameaçam o gado que sustenta cada família, e a relação com os povos vizinhos por acesso à terra e à água exige paz e bom convívio para que ninguém passe necessidade. Nesse contexto, a maior carência espiritual é a quase completa falta de contato com o evangelho, de Escritura na própria língua e de qualquer comunidade cristã local a que possam recorrer.
Em 2016, depois de anos de trabalho de tradutores, o povo orma recebeu o Novo Testamento completo em sua própria língua, um marco raro entre os povos pastoris muçulmanos do leste africano. A obra veio acompanhada do filme JESUS e de gravações em áudio, ampliando o alcance da mensagem também entre os que não leem. São sementes concretas plantadas em solo até então quase intocado pelo evangelho.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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