Harini Calamur - Flickr, CC BY-NC-ND 2.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os pardhis são um povo tradicionalmente nômade da Índia central, com maior presença em Maharashtra e Madhya Pradesh e pequenos grupos em Gujarat e no Paquistão. O nome do povo vem da palavra marata para “caçador”, e essa vocação de rastrear e capturar animais selvagens é a marca de identidade mais forte do grupo até hoje.
Por gerações, os pardhis viveram das matas e dos campos: caçavam aves e pequenos animais, armavam armadilhas e, em algumas regiões, capturavam cobras e viravam encantadores de serpentes. Essa vida errante, sempre em busca de um novo lugar para se instalar por uma temporada, moldou uma cultura de deslocamento constante e de laços familiares muito unidos, ainda visível mesmo onde hoje já se fixaram em vilas e periferias urbanas.
A origem dos pardhis é associada à região de Rajastão e Guzerate, de onde grupos migraram ao longo dos séculos em direção ao centro da Índia, absorvendo pelo caminho traços de língua e cultura rajastanesa e guzerati. Muitos ainda contam descender de linhagens rajputes, embora essa origem seja mais tradição oral do que registro histórico comprovado.
Durante o período mogol e depois sob o domínio britânico, os pardhis foram frequentemente recrutados para guiar caçadas de nobres e colonizadores, um ofício que reforçou sua identidade como povo da mata. Essa mesma habilidade de rastreamento os tornou suspeitos aos olhos do governo colonial, que em 1871 os classificou, junto a outras dezenas de comunidades, como "tribo criminosa por nascimento". Só em 1952 essa classificação foi oficialmente revogada, mas o estigma segue presente na forma como muitos indianos ainda enxergam o povo.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Índia Não alcançado
|
95,5%
|
382.000 |
Paquistão Não alcançado
|
4,5%
|
18.000 |
Hoje os pardhis vivem principalmente da terra e de ofícios de subsistência: trabalham como diaristas rurais, cultivam pequenas roças, cestos e utensílios de pedra, e alguns ainda praticam a caça ou vendem óleo de crocodilo em regiões onde isso ainda é possível. Muitos catam material reciclável ou vendem trapos nas cidades, um trabalho que raramente lhes garante estabilidade ou reconhecimento social.
A vida em clã e a solidariedade entre parentes seguem centrais, herança direta dos tempos de deslocamento constante em grupo. Em algumas áreas do centro da Índia, famílias pardhis encontraram uma nova forma de sustento guiando turistas por florestas e reservas naturais que conhecem como poucos, mostrando a fauna e a flora da região onde por gerações caçaram para sobreviver.
A grande maioria dos pardhis se identifica como hindu, com forte presença do shaktismo, a devoção às formas femininas do divino. O povo cultua deusas como Mauli Mata, Kalika Mata e Saptashrungi Mata, e sua principal festa é o Dussera, marcada por sacrifícios de animais em honra a essas divindades.
Essa religiosidade está entrelaçada à própria identidade de povo caçador e errante: os ritos às deusas protetoras e os costumes transmitidos de geração em geração seguem tão importantes quanto qualquer templo formal do hinduísmo.
Não há indicação de que os pardhis tenham hoje acesso a uma Bíblia completa em sua própria língua, mas já existem porções bíblicas traduzidas, além de materiais orais e visuais do evangelho, incluindo gravações e um filme sobre a vida de Jesus na língua pardhi. Isso abre um caminho possível para um povo em que a tradição oral sempre pesou mais do que a palavra escrita.
Praticamente não há seguidores de Cristo conhecidos entre os pardhis. O estigma herdado da época em que o povo foi rotulado pelo governo colonial como “tribo criminosa” ainda pesa sobre eles, gerando desconfiança de outras comunidades e até assédio policial, o que dificulta qualquer aproximação. Soma-se a isso o histórico nômade do povo, que torna raro o contato prolongado com igrejas ou comunidades cristãs estabelecidas.
Décadas de marginalização deixaram os pardhis com pouco acesso a educação, moradia estável e reconhecimento social, o que alimenta um ciclo de pobreza difícil de romper. Muitos precisam recorrer a trabalhos informais e instáveis para sobreviver, sem rede de proteção quando faltam a colheita ou os dias de trabalho.
Além do sustento material, o povo carece de qualquer comunidade cristã local que possa caminhar ao lado deles: não há relatos de igrejas nascentes ou de discipulado entre os pardhis, o que os deixa espiritualmente muito isolados.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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