Povo
Povo não alcançado Fronteira
Os pashtun bhittani são um subgrupo do povo pashtun, a maior sociedade tribal do mundo, estabelecido nas terras acidentadas entre Waziristan do Sul e o distrito de Dera Ismail Khan, no noroeste do Paquistão. Vivem principalmente nas cercanias de Tank, Bannu e Jandola, num território que funciona como zona de transição entre outras tribos pashtun da região. A identidade bhittani se apoia nos mesmos pilares que unem todo o povo pashtun: a ancestralidade comum, o islã e o código de honra conhecido como pashtunwali, que rege desde a hospitalidade até a resolução de conflitos. Falantes do pashto, carregam com orgulho uma herança que remonta a gerações de poetas, guerreiros e líderes tribais nas montanhas do Afeganistão e do Paquistão, sua terra ancestral.
A tradição bhittani remonta a Sheikh Bettan, apontado como ancestral comum da tribo e ligado à linhagem de Qais Abdur Rashid, figura reverenciada como pai fundador dos povos pashtun. Por séculos, os antepassados dos bhittani viveram nas regiões de Logar, Zurmat e Ghazni, no que hoje é o Afeganistão.
Conflitos com tribos vizinhas, sobretudo os ghilji, empurraram os bhittani para leste ao longo dos séculos, até se fixarem nas bacias de Bannu e Dera Ismail Khan, no atual Paquistão. Jandola tornou-se, com o tempo, uma espécie de centro simbólico da tribo, e a memória dessa migração ainda molda como os bhittani se enxergam diante dos demais povos pashtun.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
100%
|
159.000 |
A maioria dos bhittani sustenta a família por meio da agricultura e da criação de gado nas terras semiáridas que ocupam, um trabalho moldado pelo relevo montanhoso e pela escassez de água da região. A vida social gira em torno do clã: sub-linhagens como tattao, bakhtiyari, dhanna e waraspun organizam alianças, terras e a resolução de disputas dentro da tribo.
O pashtunwali orienta o cotidiano: hospitalidade ao visitante, defesa da honra da família e do clã, e um forte senso de reciprocidade nas obrigações comunitárias. Decisões importantes costumam passar por conselhos de anciãos, e a palavra empenhada entre bhittani tem peso de lei não escrita.
Os bhittani são muçulmanos sunitas da escola hanafi, e o islã está de tal forma entrelaçado à identidade pashtun que ser bhittani e ser muçulmano praticamente se confundem, do nascimento ao sepultamento. Ao lado da prática ortodoxa, persistem elementos de devoção popular de raiz sufi, incluindo a veneração de santos locais e a visita a santuários, como o de Mama Peer, próximo a Umar Adda.
A fé islâmica não é vivida apenas como doutrina pessoal, mas como pertencimento: manter os ritos e costumes da comunidade é, para muitos bhittani, inseparável de honrar a própria família, o próprio clã e a memória dos antepassados.
O pashto, língua falada pela maioria dos bhittani, conta com Bíblia completa há mais de um século, com Novo Testamento, porções e gravações em áudio revisadas ao longo das décadas mais recentes. Filmes sobre a vida de Jesus e aplicativos de leitura bíblica no idioma também já existem. Ainda assim, entre os bhittani esses recursos permanecem praticamente desconhecidos: o isolamento geográfico e a distância de qualquer comunidade cristã fazem da Escritura algo raro de se encontrar no dia a dia da tribo.
Entre os bhittani, ser pashtun e ser muçulmano são a mesma coisa aos olhos da comunidade, o que torna abraçar outra fé um gesto lido como traição ao clã e à família, não apenas uma escolha religiosa. Somam-se a isso o relevo isolado das montanhas que habitam, a ausência de qualquer comunidade cristã na região e décadas de instabilidade que tornam raro, para um bhittani, sequer ouvir falar do evangelho por um vizinho ou parente.
Como muitas outras tribos e comunidades das áreas montanhosas do noroeste paquistanês, os bhittani enfrentam carências básicas de educação, saúde e oportunidade econômica, num território historicamente marcado por conflitos e negligência, onde estradas, escolas e serviços de saúde ainda chegam com dificuldade às famílias mais afastadas. Falta também, de forma ainda mais profunda, qualquer comunidade local de fé cristã: não há igrejas, discipulado ou testemunho cristão sustentado entre eles, o que deixa a tribo praticamente sem um caminho visível até o evangelho.
Interceda por este povo junto com cristãos ao redor do mundo.
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