Povo
Tech. Sgt. John Cumper - Wikimedia, CC0 1.0, via Joshua Project
Povo não alcançado Fronteira
Os guilzais formam, ao lado dos duranis, uma das duas grandes confederações tribais do povo pastó, com raízes históricas no leste do Afeganistão que hoje se estendem pelo Paquistão e por bolsões do norte da Índia. Falam pashto, língua irânica marcada por forte tradição oral, e no contexto indiano muitos adotaram também o urdu no cotidiano.
Sua identidade nasce do pertencimento a um mesmo tronco tribal, da fé islâmica e do código de honra pashtunwali, que molda desde a hospitalidade até a resolução de conflitos. Historicamente conhecidos por sua força guerreira e por terem fundado dinastias que marcaram a história da região, os guilzais carregam até hoje um forte senso de linhagem e de pertencimento ao clã, mesmo espalhados por fronteiras nacionais e por cidades distantes de suas terras ancestrais.
Os guilzais são frequentemente ligados aos calaches, um povo turco que se estabeleceu no leste do Afeganistão por volta do século X e ali se fundiu às populações pastós locais. Séculos depois, um ramo dessa linhagem chegou a fundar a dinastia que governou o sultanato de Deli, no norte da Índia, entre o final do século XIII e o início do XIV, um capítulo que ajuda a explicar por que descendentes do grupo vivem na Índia até hoje. No Afeganistão, os guilzais chegaram a erguer, no início do século XVIII, um reino próprio que por um breve período dominou também parte da Pérsia.
| País | Parcela do povo | População |
|---|---|---|
Paquistão Não alcançado
|
93,3%
|
581.000 |
Índia Não alcançado
|
6,7%
|
42.000 |
Tradicionalmente, os guilzais combinavam pastoreio, agricultura e o comércio em caravanas entre o Afeganistão e o subcontinente indiano, um ofício que por séculos os levou a se estabelecer longe de sua terra de origem. Hoje vivem majoritariamente em vilarejos e cidades do Paquistão, dedicados à lavoura, ao comércio e, entre os mais escolarizados, a profissões urbanas e ao serviço público.
A vida social gira em torno do clã e da família extensa, com disputas e decisões importantes resolvidas em conselhos de anciãos. O pashtunwali, código não escrito de honra, hospitalidade e vingança, segue orientando o comportamento cotidiano, ainda que de forma mais suave entre os guilzais que vivem em centros urbanos.
Os guilzais são muçulmanos sunitas, e a fé islâmica está tão entrelaçada à identidade tribal que ser pastó e ser muçulmano praticamente se confundem: abandonar o islã é percebido como romper com a própria família e com o clã. Ao lado da prática religiosa formal, permanece viva a crença popular em espíritos e forças invisíveis que podem afetar a saúde e a sorte de uma pessoa, algo especialmente presente no cotidiano das mulheres.
A mesquita, os líderes religiosos locais e os rituais do islã marcam as etapas da vida, do nascimento ao casamento e à morte, e cumprir essas obrigações é também uma forma de manter a honra da família diante da comunidade.
O Novo Testamento em pashto existe há mais de um século, mas ainda não há Bíblia completa no dialeto pashto falado pela maioria dos guilzais no Paquistão. Em 2019, foi concluída uma Bíblia completa num dialeto pashto vizinho, falado por outro grande grupo pastó do mesmo país, e a Escritura também já circula em áudio, formato que se encaixa bem numa cultura de forte tradição oral. O acesso real, porém, ainda esbarra no baixo índice de alfabetização e na distância entre as famílias guilzais e qualquer comunidade cristã.
Entre os guilzais, a barreira mais forte não é a falta de textos ou de contato, mas a fusão entre identidade étnica e fé islâmica: deixar o islã é visto como trair a família, o clã e o próprio povo pastó, com custo social altíssimo. Mesmo onde a presença cristã existe há gerações, como no norte da Índia, um movimento próprio de guilzais a Cristo ainda não se formou, resultado de barreiras sociais e culturais mais do que de falta de oportunidade de ouvir o evangelho.
Muitos guilzais enfrentam baixos índices de alfabetização, o que limita o acesso a empregos qualificados nas economias urbanas em rápida transformação do Paquistão e da Índia. As mulheres, em particular, carregam um peso grande de temores ligados ao mundo espiritual e a pressões sociais dentro da família extensa.
Falta ainda comunidade cristã visível entre os guilzais: quem chega a crer em Jesus normalmente o faz sozinho, sem uma igreja local ou irmãos na fé por perto para caminhar junto e sustentar essa decisão diante da família e do clã.
O Novo Testamento em pashto já circula há mais de um século, e a Escritura também está disponível em áudio, formato que dialoga bem com a forte tradição oral guilzai. Em 2019, foi concluída uma Bíblia completa num dialeto pashto vizinho ao dos guilzais no Paquistão, um marco para os falantes de pashto no país e um sinal de que a Palavra completa nessa língua está cada vez mais ao alcance.
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